Mostrando postagens com marcador Por que?. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Por que?. Mostrar todas as postagens

Octógono é lugar para crianças?

De olho no mercado milionário do MMA, americanos colocam filhos para participar de competições nos EUA. Especialistas alertam para os prejuízos físicos e emocionais da luta

Wilson Aquino
 
A partir dos cinco anos, crianças americanas têm sido levadas por seus pais para participar de torneios infantis de MMA – ou melhor, Pankration, técnica grega semelhante, mas na qual são proibidas joelhadas e cotoveladas. Estima-se que cerca de três milhões de meninos e meninas pratiquem o esporte nos Estados Unidos. No Brasil, começam a despontar academias de artes marciais mistas (ou MMA) para os pequenos, porém sem combates oficiais. Mas, com a popularização dos marmanjos fortões do Ultimate Fighting Championship (UFC), que enriquecem em shows de brutalidades, não será surpresa o surgimento de torneios infantis aqui, até porque não há legislação que proíba. Nos EUA, os eventos para crianças não envolvem dinheiro, mas os minúsculos gladiadores são condecorados com medalhas e troféus, além do aplauso dos pais, que sonham com os bilhões de dólares que a indústria pode oferecer aos pimpolhos no futuro. Entretanto, apesar de serem fortes e disputarem ferozmente com os adversários no octógono, eles não deixam de ser crianças e, não raro, saem de cena chorando. Alguns fazem pirraça e se negam a cumprimentar o rival, como é obrigatório.
 
MINIGLADIADORES
Torneio infantil nos EUA: os campeões têm apelidos como "A Besta"
A questão chamou a atenção recentemente, depois que o fotógrafo peruano radicado em Nova York Sebastian Montalvo, 24 anos, viajou por vários Estados americanos registrando as lutas entre crianças. O conjunto das fotos é um impressionante documento sobre roubo de infância até para feras do octógono, como o ex-lutador de MMA Royler Gracie, 48 anos, que mora e tem academia nos Estados Unidos desde 2008. “Sou totalmente contra esse tipo de competições para crianças porque elas não têm maturidade para isso”, afirma. Montalvo resume o que viu: “Como é um dos esportes que mais crescem no mundo, uma nova geração tem feito de tudo para participar dos eventos da Liga Americana de Luta.”

Um dos campeões de MMA infantil tem 7 anos, nasceu no Arizona, e atende pelo apelido de “The Arm Collector” (O colecionador de braços), por causa de sua habilidade de vencer pela imobilização dos membros superiores dos adversários. Outro, da Califórnia, da mesma idade, é conhecido como “The Beast” (A Besta). Como será o crescimento de uma criança que se acostumou a ser chamada por esses apelidos e elogiada pela brutalidade? “Quem passa a infância e a adolescência batendo nos coleguinhas vai se transformar em um adulto que não consegue negociar, não tem empatia nem pena do outro”, alerta a psicanalista Ana Maria Iencarelli, que há 40 anos trabalha com crianças e adolescentes. “Qual é a filosofia desse esporte?”, pergunta ela, para responder em seguida: “Acabar com o outro.” Ou seja, o ensinamento básico não pode proporcionar um crescimento saudável.

CONTROLE
Academia em Brasília: crianças aprendem técnicas de MMA, mas só lutam jiu-jítsu

“É um esporte muito contundente. Uma criança não está preparada em nenhum aspecto para suportar esse tipo de competição”, adverte o professor paulista Danilo Dourado, que treinou campeões do UFC, como Maurício Milani Rua, o Maurício Shogun, e ensina MMA para crianças, mas não admite luta entre elas. É seguido, no raciocínio, pelo diretor e médico da Confederação Atlética Brasileira de MMA, Márcio Tannure: “Sou a favor de a criança treinar MMA porque, além de ser saudável para o corpo, a filosofia milenar das artes marciais educa a mente. Mas sou contra colocar para lutar.” Ortopedistas alertam para os riscos de lesões que podem ocorrer na placa de crescimento (leia quadro).


Leia mais aqui


Gente...

Barulho

Que o mundo anda muito barulhento não é novidade para ninguém.  Pior do que o mundo todo é o seu próprio mundo, aquele lugar onde você tenta se refugiar do barulho do mundo.  O meu mundo ultimamente tem estado assim, muito barulhento, e isso tem roubado a minha paz e tranquilidade.

Me lembro de que quando me mudei para o lugar onde moro, o silêncio foi uma dos aspectos que mais notei no lugar.  Apesar de estarmos extasiados não só com o imóvel mas também com o preço, o local em si é, como já falei algumas vezes por aqui,  cheio de facilidades ao alcance das nossas mãos.  Não há falta de comércio de espécie alguma, desde lojas de R$ 1,99 a shopping centers, sem falar na diversidade de transportes, clínicas e hospitais.  Campinho é um lugar muito bom, onde podemos ir ao mercado a pé ou escolher em qual feira ou hortifruti iremos comprar frutas e legumes.  As farmácias fazem entrega em domicílio e se precisarmos de uma pizza ou um frango na brasa, tudo se resolve a 1 ou 2 quadras.  A creche do Davi, então, fica a 20 minutos de casa.  A pé também.

Mas moramos perto de uma "comunidade". Perto até demais, por acaso.  Tão perto que qualquer barulho que se faça por lá reflete diretamente dentro do nosso apartamento.  À época da aquisição, um comentário da antiga moradora passou meio despercebido aos meus ouvidos: "o pessoal de lá gosta de uma musiquinha de vez em quando".  É um lugar tranquilo, no sentido de não ter violência, tráfico, tiroteios (senão, claro, não iríamos ficar ali!).  Porém, como estávamos... extasiados, não nos preocupamos com esse comentário.  E hoje, eu, principalmente eu, me arrependo de não ter dado a devida importância a um detalhe que tem feito toda a diferença no meu mundo que era tranquilo e silencioso.

Não há norma, limite ou... sei lá, conscientização por parte de quem coloca um barulho que vara a madrugada.  E o mais estressante é que sempre acontece nas madrugadas dos fins de semana, para meu total desespero e... desesperança.  Sim, porque quando nos mudamos a situação não era essa, passávamos noites maravilhosas, com o silêncio que é peculiar às madrugadas.  Porém, de uns tempos para cá, a coisa se tornou absurda e o que para mim era um paraíso se transformou num tormento sem fim e a vontade de me mudar fica cada vez maior.

Como já falei aqui também, morei durante grande parte da minha vida numa "comunidade", vulgo, favela, que é o nome verdadeiro.  Apesar das dificuldades típicas do lugar, não havia barulho algum e as pessoas, no geral, não costumavam ligar o som pelas madrugadas.  Pelo contrário, o que havia era uma espécie de campeonato de música, principalmente nos fins de semana, quando muita gente estava de folga e colocava seu som à potência máxima, numa competição até que engraçada, no afã de querer abafar o som do vizinho.  Roberto Carlos, Amado Batista, samba de raíz, pagode entre tantos outros estilos musicais era o que mais se tocava - até porque não havia essa porcaria de funk que existe hoje.  Era bem engraçado, porque chegava um momento em que não dava para entender nada, pois todos os sons se misturavam.  Até que, em determinada hora, já no começo da noite, todos se acalmavam, desligavam seus sons e o silêncio reinava absoluto.  Cresci acostumada com a ausência praticamente total de barulho, qualquer barulho e talvez por isso desenvolvi uma sensibilidade auditiva um pouco mais apurada.  Nesse quesito, eu era feliz e não sabia.  Hoje, vivo em pânico constante.

Existe barulho por todos os lados.  Por causa das obras da Transcarioca,  TODO o tráfego da rua principal foi desviado para a rua onde moro.  Mesmo morando nos fundos do prédio, ainda assim o som dos carros, ônibus, caminhões, betoneiras e dragas já chegam bem cedo em casa.  Até aí, paciência, pois por incrível que pareça, esse tipo de barulho não me tira do sério, talvez por eu não morar de frente para a rua, sei lá.

Mas há outros barulhos. Assim como as baratas, os carros de som se tornaram uma praga urbana e são típicos na zona norte e oeste da cidade, oferecendo os mais variados tipos de serviços e produtos.  Existe o carro de som do hortifruti e o que vende goiabada caseira e  queijo fresco.  Tem o carro de som que anuncia o próximo baile funk, a apresentação do circo, do cantor, do grupo não sei de quê.  Há também, por incrível que pareça, o homem do pão. Sim, em Campinho ainda existe quem venda pão de porta em porta, não em carros de som, mas pedalando uma bicicleta com um enorme cesto de palha cheio de pães fresquinhos, fofinhos, crocantes.  Pão de milho.  Pão de leite.  Pão doce.  E  talvez por causa do excesso de barulho, não há como gritar anunciando o pão, então, eles buzinam.  Eu até reconheço um toque de nostalgia no vendedor de pão, afinal, com a modernidade, vender pão de porta em porta nos remete a bucólicos tempos de outrora.  Mas a buzina estraga tudo.

E tem o incrível, fantástico, extraordinário, indefectível carro de som que vende pamonha.

Apesar de nunca ter experimentado, eu detesto pamonha.  Não gosto daquela trouxinha recheada com uma massa que não me cheira bem.  Acho até interessante sua forma artesanal, mas pamonha nunca me atraiu, pelo contrário, assim como tanta gente normal, não gosto daquilo que nunca provei, vai entender.   O carro que anuncia a pamonha fresquinha, fofinha, macia também não tem dia nem horário para amolar a paciência da gente.  E o que mais me chama a atenção é que todos, TODOS os carros de som que anunciam pamonha o fazem da mesma forma, já perceberam?  Por que anunciam da maneira mais chata possível?  Por que o som do carro de som que vende pamonha é tão insuportável, metálico, enjoativo, alto, incômodo? Acho que minha aversão à pamonha se dá mais por causa daquele jeito peculiar de ser anunciada do que pelo gosto em si. 

O egoísmo dos tempos atuais tem impedido as pessoas de pensarem no seu próximo.  Eu sei que isso é lugar-comum, mas um pouco de consideração aos vizinhos sempre faz bem, talvez mais até a si mesmo do que a eles.  Eu sei que quem mora na minha vizinha comunidade sofre muito mais com o barulho do que eu, assim como os outros moradores dos prédios ao redor.  Mas há quem, por incrível que pareça, nem se incomode, por costume ou conformação mesmo.  Sei também de lugares onde impera o tráfico em que os malditos bailes funk não têm hora nem volume com limite. Mas o excesso de barulho, principalmente de funk tem minado com a minha saúde.  A Regina Casé, a Xuxa e tantos quantos dizem amar essa porcaria não moram em lugares onde essa praga existe e toca no último grau de sandice.  Suas mansões situam-se bem longe dessa baderna e suas noites são tão silenciosas quanto o vácuo do espaço sideral, sem  funk, carros de som, muito menos os que vendem pamonha, que eu detesto. 

A cidade grande já é barulhenta por si mesma, e todos nós, em algum momento, não hesitamos em sentar a mão na buzina do carro 1 segundo após o sinal ficar verde.  Vivemos com as sirenes das ambulâncias, dos caminhões dos bombeiros, dos carros tunados, da polícia, dos rasantes dos helicópteros, do barulho  das motos envenenadas e dos carros de som que vendem de tudo um pouco. É muito barulho por nada, porque se barulho fizesse a gente chegar mais rápido em algum lugar pelo menos valeria alguma coisa.  

Há quem faça barulho quando vai dormir e quando acorda e quando chega ou sai de casa, pois ao pisar no seu chão está incomodando o teto do vizinho, com um salto alto, um cachorro sem educação, ou uma criança que cisma em jogar bola dentro de casa.  As propagandas de TV são altas, pode reparar.  Elas gritam seus produtos, a fim de chamarem a atenção para seu consumo.  As chamadas dos programas idem. Tudo é e está muito barulhento e quem cresceu no meio do silêncio, como eu, vive num esgotamento emocional cada vez maior.

Eu sei que eu me acostumei muito mal com a falta de barulho.  Fico observando Davi dormir com todo o barulho que me incomoda.  Ele vai num sono só e eu bem que gostaria de ser assim.  O pai é a mesma coisa, só que, como eu fico muito estressada, ele acaba se estressando também.  Apesar disso, talvez o único som que eu ainda tenho o privilégio de ouvir, em plena cidade grande - apesar de ser no Campinho - é o som do galo cantando.  Sim, no Campinho a gente ainda houve o galo cantar lá pelas 4 horas da manhã.  Algumas vezes também aparecem uns saguis, emitindo seu típico assovio e, claro, alguns pássaros comuns a vários lugares.

Sua cidade é calma, tranquila, silenciosa?  Você reclama do tédio, da falta de um "sacode" na pracinha principal?  Já não aguenta mais ser acordado pelo canto do galo?  O sino da igreja te incomoda, mesmo às 5 da manhã?  Você é feliz e não sabe, porque quem mora num lugar com alguma coisa perto de 1.000.000.000 de habitantes e não sofre com barulho é o sortudo da vez.  Há lugares maravilhosos por aqui, vilas residenciais tranquilas, ruas calmas, mesmo com o movimento do trânsito e APESAR dos carros que vendem pamonha, queijo fresco e goiabada.  Eu sonho em viver num lugar assim, mas, no momento, tenho que ter paciência e conviver com as consequências das minhas escolhas até um dia, quem sabe, poder me mudar para um lugar mais tranquilo e menos barulhento.

Aliás, eu já disse que eu detesto pamonha?

Sobre Crianças, Tecnologias e Consumismo

Imagem
O texto e grande... sorry.

Vou confessar uma coisa que às vezes tenho até vergonha de dizer: eu nunca, nunquinha joguei videogame.  Nada, nem o tal do "come-come".  Não é questão de ser do tempo em que a TV era movida à válvula, mas é que realmente os jogos eletrônicos nunca me atraíram.  Também não me lembro de ter tido oportunidade de ser apresentada a algum, já que na minha adolescência eu passava boa parte do dia fora de casa, entre trabalho e estudos, e o tempo que restava era bem pouco. Creio que minhas condições financeiras também cooperaram para que os videogames ficassem sempre à margem das minhas possibilidades.  Também sou meio analfabeta digital e reconheço que muitos dos recursos tecnológicos existentes ainda sejam novidades para mim, o que faz com que qualquer criança hoje em dia tenha competência digital o suficiente para me ensinar sobre i-pads, i-pods, i-phones e outros "ais" que venham a existir, além dos diversos tipos de jogos eletrônicos, claro.

Acho que sou meio metódica ou, talvez, ultrapassada em algumas coisas.  Tenho a mesma linha telefônica desde que comprei o meu celular, há uns 15 anos.  Por mais que tente, não consigo ler e-books, tenho que imprimí-los.  E ainda gosto de comprar CD's e DVD's.  E livros, daqueles feitos de capa dura de papelão e papel, brochura, essas coisas, sabe.  Em casa existem 3 TV's: 1 de 29" e 1 em cada quarto, de 20".  Das antigas, quer dizer, ainda não são de LED, com full HD e widescreen, 3D, Progressive Scan,  Blue Ray, Internet conectada com a Nasa.  Como eu tenho outras prioridades, ainda não foram trocadas e ainda funcionam muito bem.  Há também 1 Lap-top e 1 máquina fotográfica digital - não chega a ser uma Tecpix, mas atende. 

Talvez por causa dessa precariedade de recursos digitais, Davi ainda não saiba, sequer, usar o controle remoto para ligar a TV, ou colocar o DVD para tocar ou, ainda, usar o celular.  Nos últimos dias tenho até deixado que ele manipule um pouco a máquina digital, a fim de se familiarizar com alguma coisa desse tipo.  Ainda não havia me dado conta desse analfabetismo digital do meu filho.  Primeiro porque ele ainda está na fase da "mão destruidora", pois sua curiosidade faz com que ele fuce as coisas ao ponto de quebrá-las.  Depois, porque eu acho que como sou bem desligada nesses recursos tecnológicos eu acabo não passando essa curiosidade para ele.  Talvez alguém me diga: Luciana, você não sabe o que está perdendo.  Mas... será que não?

Como eu falei brevemente aqui, nos seus três anos de vida Davi não foi estimulado a fazer nada além daquilo que eu considero que esteja dentro da sua idade.  Sendo uma típica criança de "cidade grande" e morador de apartamento, ele passa o dia inteiro entre creche e casa, com poucas horas ao ar livre. Sempre que posso, tento oferecê-lo alguma atividade fora das quatro paredes da casa, para correr, de preferência descalço, pegar frutas no pomar, tentar andar de bicicleta ou ir atrás de uma bola ou empinar uma pipa em alguma pracinha próxima e cheia de poeira.  Ainda assim, há dias em que ele passa um bom tempo em frente à TV, o que às vezes me enche de sentimento de culpa e de incompetência.

As tecnologias estão aí, muitas para facilitar as nossas vidas, pois alguém imagina como conseguimos sobreviver sem o telefone celular, que pode ser adquirido em qualquer stand na esquina mais próxima?  Sim, pois houve um tempo em que só existia telefone fixo, e mesmo assim, era para poucos.  Computadores, então, eram basicamente para empresas.  Poucas empresas, claro.

E não demorou muito para que essa tecnologia também adentrasse às salas de aula.  Há, inclusive, algumas instituições em que o uso do caderno, livro e canetas e lápis já foram abolidos, assim como o quadro negro.  Alunos portando avançados tablets e lap tops com a última palavra em recursos digitais recebem aulas de professores que, no lugar do bucólico giz de cera, orquestram suas narrativas com a luz vermelha do laser-point, apontando para um grande telão que projeta cálculos, teoremas e definições elaboradas no Power Point.

Davi tem aulas de informática na escola, mas nada que ainda se reflita em casa, pelo menos nenhuma habilidade que eu tenha reparado quando ele está na frente do lap top.  Talvez o que ele tenha seja apenas uma leve introdução ao mundo digital, mas nada que tenha trazido algum impacto mais relevante no seu comportamento doméstico.  Talvez seja por causa do meu analfabetismo digital, juntamente com o fato de que eu priorize outras coisas que não sejam equipamentos de última geração, então, o guri, até hoje, como falei, não sabe usar, sequer, o controle remoto.

Não significa que eu não queira uma TV de LED widescreen, com full  HD, 3D, Progressive Scan,  Blue Ray, Internet conectada com a Nasa, de 68 polegadas ou que eu não venha a adquirir um "ai"-qualquer-coisa, não é esse o caso.  Eu quero, sim, mas não tenho, agora, necessidade.  Não sou diferente de ninguém que queira surfar na última palavra em recursos digitais, mas também não fico na dependência ou na necessidade de T-E-R só porque ... existe.   Ou porque o vizinho tem.  Ou porque o coleguinha da creche do Davi também tem.


A matéria de O Globo fala sobre crianças que, aos 6 meses de idade, já estão sendo apresentadas ao tablet.  Pergunto: para que?  Serão mais eficientes ou mais inteligentes do que outras?  Ou apenas terão sua necessidade transformada em fome consumista?  Por outro lado, já imagino o brilho no olhar dos pais que dizem que seu bebê, que às vezes nem dentes colocou ainda, já sabe lidar com informática.  Uau!  Vejo também o sorriso largo dos donos de creches e escolas que, para atrair um público cada vez mais ávido por novidades, oferece serviços sofisticados como esse. A eles poderíamos dizer que são os que riem por último e  melhor.  E bem alto.

É sabido por muitos que o excesso de tecnologia e principalmente a influência da TV e dos games  têm sido um dos  grandes males da infância desta geração.  Pois tudo o que é excesso por óbvio não é saudável, porém, ainda assim há quem se deixe levar pelo canto da sereia e expõe suas crianças à última palavra em videgames e outros recursos digitais e tecnológicos.

Não tenho a menor pretensão de criar Davi longe dessa realidade, afinal, eu sou bastante lúcida para saber e reconhecer que ele faz parte dessa geração que nunca saberá o que é viver sem um aparelho celular, muito menos um computador. É bem provável  também que eu nunca irei acompanhá-lo em algum jogo eletrônico, pois eu sequer sei usar um joystick.  O que eu acho que ainda posso fazer é retardar um pouco a sua iniciação ao consumismo tecnológico e digital, já que ele terá toda a sua vida para escolher os mais avançados aplicativos e equipamentos de última geração, desde uma TV de 173 polegadas até um "ai"-qualquer-coisa 958.


Os joguinhos virão, a tecnologia vai ficar cada vez mais refinada e avançada, mas nada disso pode substituir a vivência e experiência pessoal, do contato físico e real.  Do pé no chão, sabe.  O que vemos por aí são crianças crescendo dentro de uma bolha virtual, que não conseguem sequer se comunicar com outras crianças, nem com os próprios pais, pois passam grande parte de seu tempo teclando seus aparelhinhos sofisticados descontroladamente, na troca de mensagens vazias que alcançam milhões de outras pessoas, mas que não acrescentam nada a ninguém, nem a elas. 


Às vezes eu confundo a minha vergonha em não saber jogar um videogame com o fato de Davi sequer saber ligar um controle remoto.  Mas aí eu paro e penso que esse não pode ser meu objetivo maior e sim, que ele tem que viver a infância dele com a maior intensidade possível, pois ela passa muito rápido e não há momento da vida mais marcante do que esse.  E para eternizar isso, até uma câmera fotográfica de filme preto e branco resolve, não é?



Verdades, Verdades e Verdades

Meia-verdade é sempre uma mentira inteira.

A verdade dói só uma vez. A mentira dói toda a ver que você lembra.

A verdade pode machucar por um tempo, mas a mentira dói para sempre.

Uma garrafa de vinho meio vazia também está meio cheia,
mas uma meia-mentira não será nunca uma meia verdade.

Uma mentira mil vezes repetida se torna uma verdade autenticada.

Uma verdade enfraquece quando tenta esconder uma única mentira, e uma mentira fica mais poderosa quanto mais verdades tenta esconder.

Há muito tempo, numa palestra na empresa sobre relacionamentos, a profissional colocou um tópico sobre o uso da verdade.  Pode-se usar a verdade para construir ou destruir pessoas, ou seja, a verdade pode ser usada com ou sem amor.  Já reparei, por exemplo, que muita gente que é grossa faz questão de dizer que é sincera, pois usa a verdade não para reforçar ou construir laços, mas para dilacerar vidas. A verdade é que a verdade dói, mas deve ser bem colocada, bem usada, porém, dói mais ainda a mentira, porque nela está também atrelado o sentimento de traição, e aí, parece que o golpe é duplo.  

Ninguém está imune a falar uma mentira, por menor que seja.  Cazuza já cantava que mentiras sinceras me interessam, e uma das célebras frases de Tim Maia era: não fumo, não bebo, não cheiro.  Às vezes minto um pouco.  Nem sempre é conveniente usar da verdade verdadeira, afinal, o que fazem os maridos que são vítimas da fatídica pergunta "estou gorda?" feita por suas esposas neuróticas?  Tentam aliviar a situação respondendo alguma outra coisa que às vezes não tem nada a ver com a pergunta.  Mas quantas vezes queremos dizer "umas verdades" para o chefe ou para aquele abominável colega de trabalho, porém, acabamos engolindo a seco para salvar o dia e o emprego e até elogiamos a pessoa?  Em outras ocasiões,  porém, não podemos jamais perder a oportunidade de jogarmos na cara daquela prima ou tia as verdades que elas têm que escutar, além daquela vizinha, que precisa também ouvir algumas verdades sobre seus filhos sem educação!

Já imaginou se toda a verdade viesse à tona, da maneira mais crua possível?  Quando algum figurão deixa o microfone aberto e solta uma frase que mostra claramente o que ele pensa, mais do que o que ele falou?  A depender do figurão, dá até crise política internacional!  O que acontece é que, para sobrevivermos, usamos uma capa para nos esconder ou nos proteger, porque a verdade, que já é dolorida, se não for usada corretamente, tem o efeito de uma bomba atômica.  Mas a verdade, apesar de dura, é leve.

A mentira, por sua vez, requer da pessoa uma capacidade intelectual acima da normal, já que ela tem que ter uma memória privilegiada para sustentar suas argumentações e inventar mais mentiras ainda, afinal, cada mentira puxa outra mentira, que puxa outra mentira.  Lembrar-se de todas elas, em detalhes, de forma a não se afogar nesse balaio de mentiras é para poucos.  Há quem consiga sustentar uma mentira até o fim, porque aí o que pode estar em jogo é um ego inflamado ou a falta de humildade de reconhecer que mentiu e errou.  Há quem consiga repetir uma mentira tantas e tantas vezes que ela acaba se tornando uma verdade para o próprio mentiroso. 

Saber ou não mentir não significa não mentir.  Eu não sei mentir, mas não deixo de mentir de vez em quando. Por mais que pareçam semelhantes, são coisas bem diferentes.  Todos mentem, até aqueles que se dizem tão sinceros que só usam a verdade, aquelas pessoas grossas de que falei acima.  Elas também mentem porque, como falei, não usam a verdade pela verdade, mas para a destruição.  Eu digo que não sei mentir porque eu não tenho memória suficiente para sustentar uma mentira por muito tempo e acabo me contradizendo, e às vezes sou desmascarada não pelos meus gaguejos e falsos argumentos, mas pela minha própria cara, que me desmente descaradamente.
A verdade é que encarar a verdade requer também muita coragem.  E coragem às vezes é essencial para a sobrevivência, pois o medo de se encarar a verdade não deve ser maior do que a vergonha de se descobrir a mentira.  Quantas vezes é melhor sentar em cima daquilo que se sabe não ser a verdade, ao invés de encará-la?  Sim, porque o puff da mentira é muito macio e aconchegante e quentinho e em algumas situações, só o tempo tem o poder e a força para mostrar a verdade, porque por mais que alguém se esforce para mostrá-la, às vezes o outro não quer saber dela.  Existem outras situações em que realmente é melhor  nem saber a verdade, porém, ela é a base primária para todo o tipo de relacionamento, do mais superficial ao mais profundo e sem ela, nada funciona.

Tenho passado por momentos em que tenho que encarar algumas verdades para me manter viva e mentalmente sã.  As bordoadas são pesadas, mas diferente da mentira, a verdade não é mortal, é para vida, para a saúde e também para a liberdade, porque a mentira escraviza.  Eu sei que vai doer mais ainda, mas é como arrancar um dente: depois que a anestesia passa, a gengiva ainda fica dolorida, além do buracão, mas aos poucos a natureza trata de fechar esse buraco e a dor não existe mais.  E aí nos sentimos livres, leves e soltos, e o versículo bíblico que traduz essa verdade com clareza absoluta é:


E conhecereis a Verdade, e a Verdade vos libertará.
João 8:32

Mas para isso, há de se ter muita coragem, força e vontade.


Campanha Eleitoral 2012

Veja se eu não sou meio pancada?  Sim, porque eu gosto de assitir programa político em época de eleições e isso não é uma coisa muito normal, não é? 

Não tem outra: todo o ano eleitoral eu faço questão de assistir aos prováveis candidatos a cargos públicos.  Não estou falando dos cargos principais, como prefeito, governador ou presidente, mas de deputados e vereadores, principalmente esses últimos.

Me lembro da vez em que chamei a atenção do povo de casa para isso.  Na hora da propaganda, a tendência natural da gente é, infelizmente, trocar de canal, porque no geral, é tudo muito chato e repetitivo, porque a cara de pau dos postulantes é muito dura e todos, absolutamente t-o-d-o-s os candidatos prometem as mesmas coisas: habitação, segurança, saúde, educação, emprego.

Eu digo "infelizmente" porque eu acho que nós, povo brasileiro, ainda temos alma infantil em termos de eleições.  Não sei exatamente o que aconteceu desde o fim da ditadura e o recomeço da democracia, mas parece que permanecemos num estado constante de letargia, que reflete na eleição de figuras que sabemos que vão nos roubar e não serão punidas.  Acho que ainda falta uma consciência do poder do voto, que ainda está em nossas mãos, mas talvez o que paira mesmo é a certeza da impunidade, principalmente dos governantes, que sempre se safam de algum condenação, nunca são presos ou devolvem o dinheiro que desviam.

Enfim, de tanto eu insistir acabei convencendo meu pessoal a assistir o que eu considero um verdadeiro programa de comédia.  São pessoas dos mais diversos recantos do país ou da cidade, com nomes, caras e bocas dos mais bizonhos que fica até difícil de acreditar que sejam de verdade.  Eu sei que no começo é difícil, o estômago reclama, mas depois que a gente se acostuma, fica mais fácil encarar as propagandas eleitorais.

Dê uma olhada no que vem por aí.


E se você acha que é mentira, clique aqui.

Esse é o resultado de se viver  num país livre, onde todos podem se candidatar.  Por outro lado, a quantidade de partidos que são criados a cada ano é simplesmente absurda.  Quem dera aqui fosse como nos EUA, onde só existem 2 partidos: Democratas e Republicanos e ponto final.  Acho que assim as coisas seriam mais transparentes e não haveria essa profusão de gente concorrendo a cargos públicos.

Mas voltando aos candidatos, esses são apenas alguns, dos vários milhares de candidatos. Não é uma questão de imagem, mas, me diga: como ter alguém que se chama "Xota Oi Meu Bem" como vereador?

Lembre-se que o primeiro turno é no domingo, dia 7, então, vá logo procurando seu Título de Eleitor, porque agora é obrigatório apresentá-lo.  Enquanto isso, aproveite essa última semana e assista à propaganda política, uma ótima oportunidade para se distrair e escolher em quem NÃO votar!

E viva a democracia!!!!!

Um Picolé

Cheguei há pouco da rua.  A temperatura deveria estar em torno de 35º, mas a sensação térmica é de uns 40.  Vim  procurando uma barraquinha que vendesse picolé e a coisa mais estranha é que picolé só se encontra onde você sabe onde tem, ou seja, num país cuja temperatura média é de 27º e numa cidade de litoral e tão famosa como é o Rio de Janeiro, encontrar picolé requer praticamente uma pesquisa de campo.  Porque não é em qualquer lugar ou em qualquer esquina que se encontra um carrinho ou uma barraca que venda picolés. Só onde você sabe exatamente que tem e olhe lá. Mas se você quiser comer pipoca, vai ser disputada a tapas por uns três pipoqueiros a cada metro quadrado da rua.

Como muita gente sabe, a Itália é uma espécie de parque de diversões em se tratando de sorvetes. Existem não somente sabores dos mais variados, mas u-ni-ver-si-da-des que formam mestres na arte do sorvete.  Na Itália tem sorvete com sabor de melão, por exemplo, mas se você quiser um sorvete desse mesmo sabor aqui no Rio de Janeiro, procure muito e vá se preparando para procurar muito mais, porque não é fácil de achar (aliás, existe???). O inverno na Itália é de neve, e acho que lá não tem pé de tamarindo.  Mas tem sorvete, talvez não de tamarindo, mas de melão. E muito picolé, de vários sabores. O ano inteiro!

Como muita gente sabe, o Brasil é uma terra abençoada com uma diversidade de frutas e plantas que a gente passa a vida inteira sem conhecer tudo.  Cada região desse país produz frutas que vão desde o tamarindo e o açaí até o mirtilo e a nectarina. Mas você já comeu cagaita? Eu não. É uma fruta típica do cerrado brasileiro. Uxi é uma fruta amazônica e biribá é do Pará (obrigada, deus google).  Pergunta se existe sorvete dessas frutas? Pode até existir, mas não aqui no "sul maravilha".  Aqui no Rio de Janeiro, se você quiser provar alguns sabores "exóticos", vá na Feira de São Cristóvão, também chamada de Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas, ou simplesmente "Feira dos Paraíbas". Pelo que eu sei, só lá a gente consegue tomar sorvete  de alguns sabores diferentes e ainda assim são poucas as opções de frutas  "exóticas", acredita? E a fruta propriamente dita? Esqueça, é mais fácil ir lá onde ela está do que ela vir até você. Mas se vier, você vai pagar caro, muito caro. 

Como muita gente sabe, o Brasil tem um dos maiores litorais oceânicos do mundo, com mais de 8.000 km de extensão.  O que vem à mente quando a gente imagina esse monte de mar? Peixe! Uma variedade de peixes e frutos do mar, uma oferta gigante de peixe, uma peixaria em cada esquina. Um restaurante de peixes e frutos do mar disputando meu estômago. O moço do peixe batendo na porta lá de casa, com um carrinho cheio de peixes fresquinhos e toneladas de camarão (eu sou louca por camarão).

Até parece.... porque essa fartura de peixe você só vai encontrar no Nordeste e mais ainda no Norte.  Porque peixe aqui na minha terra é caro, na feira, no mercado, no restaurante.  Peixe é quase um "prato especial". Camarão, lula, polvo, mexilhão, só em algumas ocasiões.  Siri? Carangueijo? Ah, não é tão simples e barato assim, não. (Eu sei que siri e carangueijo não são frutos do mar, mas adoro).

Num país colorido como o nosso, a gente acha graça quando encontra aquele típico turista estrangeiro, de bermuda, blusão florido, chapéu e tênis com meia até quase o joelho. Mas se a gente mora num lugar tão cheio de cores, qual é o espanto? Dizem - e não me pergunte quem disse - que os brasileiros se vestem muito sobriamente - estou falando de cores, não de tamanho de roupa.  Isso se deve ao fato de que o país é muito quente e colorido e geralmente quem mora em lugar frio gosta de cores berrantes.  Mas a Índia e a África são lugares quentes e coloridos, e seus habitantes se vestem com muita cor também! Mas quando chega o verão por aqui, a maioria dos motoristas de ônibus está vestida de calça comprida e tem uns que até gravata usam! E os porteiros e carregadores de mala de hotel, que usam quepe e até luvas brancas, como se estivessem em algum país frio? Por que a hotelaria brasileira não coloca bermuda e blusão estampado nos seus funcionários?

É certo que cada lugar tem suas esquisitices, mas por aqui há coisas estranhas que eu não entendo mesmo.  Eu não queria um sorvete, só um picolé de frutas.  Andei um bocado até achar, mas me pergunto sempre, quando isso acontece: por que não temos um carrinho de picolés em cada lugar, principalmente nessa época medonha de calor insuportável?  Por que as lojas não vendem tantos vestidos estampados e fresquinhos? Por que o peixe é tão caro? Por que não existem praças com chafarizes onde as pessoas e crianças pudessem se banhar nesse calorão? Por que condução com ar condicionado ainda é artigo de luxo?

Por que não existe picolé de cagaita?


Poppy Burge

Pois é, eu gostaria de começar o ano com uma notícia bem legal, alguma descoberta científica fantástica do tipo, "crianças passam a maior parte do tempo brincando ao ar livre". Mas eis que me deparo com isso!


Inglesa dá lipoaspiração de presente de Natal para a filha de sete anos



A pequena Poppy Burge, de sete anos de idade, ganhou no Natal um voucher no valor de R$ 17 mil para uma lipoaspiração. Isso porque ela já tinha um no valor de R$ 14,5 mil para colocar silicone nos seios. Tudo presente da mãe, Sarah Burge, conhecida como a Barbie Humana. A inglesa de 51 anos, da cidade de St Neots, é viciada em cirurgias plásticas e já gastou mais de um milhão de reais em procedimentos cirurgicos para dar uma mãozinha à natureza.

“Ela pedia a cirurgia a toda hora. Ela quer ficar bonita e a lipo é um dos procedimentos que sempre vêm a calhar”, justifica Sarah. “Eu vejo esses vouchers como um investimento para o futuro - como guardar dinheiro para a educação dela”, completa a Barbie Humana. Sarah, que tem outras duas filhas, pretende transformar a filha em uma top model. Em 2010, ela revelou que ensinava pole dance para a menina, na época com seis anos.


Além da cirurgia nos seios, Poppy também ganhou uma festa com todos os serviços de beleza disponíveis para ela sete amigas, no último aniversário. Havia manicures, pedicures e maquiadoras. As meninas ganharam tatuagens falsas, champanhe de mentirinha e comeram um bolo que custou 250 libras. Tudo aconteceu na traseira de uma caminhão com decoração rosa.

No aniversário de sete anos, Poppy ganhou também um computador, um cristal anel e um colar de cristal Swarovski rosa e a promessa de uma temporada no spa. “Eu queria a cirurgia, um fim de semana no spa e um computador. Quando ganhei tudo isso, foi como um sonho se realizando. Todas as minhas amigas ficaram com inveja”, contou a menina, na ocasião. “Eu mal posso esperar para ser como a mamãe, com grandes seios. Eles são lindos”.







É chocante saber que ainda hoje mulheres e meninas africanas e afegãs são estupradas, mutiladas, escravizadas, vendidas ou trocadas, pois vivem numa sociedade em que seus direitos mais básicos são suprimidos pela religião ou pela tradição. É revoltante saber que, nesse momento, meninas de 7, 8, 10 anos são dadas em casamento pelos seus pais a homens de mais de 30 anos e que, a partir daí, continuarão a servir como escravas aos seus maridos. É triste ver, aqui mesmo no Brasil, pais colocando suas filhas pré-adolescentes na beira das estradas ou em bares a fim de que se prostituam e tragam alimentos para a família. Na maioria desses casos, essas meninas e mulheres morrerão muito cedo, sem qualquer perspectiva de viverem com um mínimo de dignidade humana, pois não tiveram escolha.

Poppy Burge e sua mãe nasceram e vivem num país livre, moderno, democrático, historicamente cultural. Tiveram a liberdade de escolher e optaram pela futilidade, tornando-se escravas de si mesmas. E isso também é chocante.


Crianças Zen

Matéria da Revista IstoÉ desta semana que gostaria de compartilhar aqui.


A onda de meninos e meninas que preferem brócolis a coxinha, Índia a Disney, ioga a futebol - e até meditam
Débora Rubin

IOGUES
Noah, 7 anos, pediu à mãe, Rosana, uma aula de ioga
para ele e seus amigos de presente de aniversário
Na festa de 1 ano de Laurinha não teve brigadeiro, coxinha nem refrigerante. No cardápio, espetinhos de tomate-cereja, queijo e manjericão e suco de laranja com beterraba. A alimentação saudável, sem carne, sem açúcar refinado e com poucos produtos industrializados também já é parte da rotina de Noah, 7 anos, um pequeno iogue que se prepara para ir pela segunda vez à Índia. E de Anne, 11 anos, que, por causa da ioga, introduziu também a meditação em sua vida. Os três formam um grupo crescente entre os pequenos brasileiros, as chamadas crianças zen. “É uma tendência que veio para ficar”, confirma a psicanalista infantil Anelize Sandoval. “Ainda é coisa de uma minoria das classes média e alta, mas que deve se expandir da mesma forma que a terapia para crianças virou moda há alguns anos.” Com os pais estressados e em busca de caminhos alternativos que atenuem a estafa física e mental do cotidiano, é natural que os pequenos se mirem nesses exemplos. E o que muitas vezes começa como uma imitação natural dos genitores pode se tornar uma atividade regular e divertida. “Desde que elas não sejam obrigadas pelos pais a fazer, só vejo benefícios”, diz a psicanalista.


Muitas vezes, os próprios pais se surpreendem com a adesão dos filhos. É o caso da professora universitária e instrutora de ioga Rosana Seligmann, de São Paulo. Há 15 anos, ela trabalhava como atriz e praticava ioga porque se sentia muito estressada. Uma viagem à Índia mudou seu caminho profissional, a ponto de ela decidir abrir uma escola para ensinar a milenar prática. Sua didática, porém, só incluía adultos. Até Noah fazer 6 anos e pedir de presente de aniversário uma aula para ele e seus amigos. Por causa do pedido, Rosana abriu sua primeira turma infantil. O filho mais novo, David, 5 anos, não pratica ainda porque é muito pequeno, mas brinca de fazer posições. Nessas férias, a família toda vai à Índia. “É a nossa Disney”, diz Rosana.


Algumas escolas também já introduziram a ioga em seu currículo, como o Colégio Hugo Sarmento, de São Paulo, e a Escola Pedra da Gávea, no Rio de Janeiro. “As pessoas perguntam se usamos a ioga para deixar os alunos calmos e assim controlá-los”, afirma o diretor do colégio paulista, João Mendes de Almeida Jr. “É o contrário: nós queremos que eles aprendam a se autocontrolar.” Depois que a prática passou a fazer parte do dia a dia do colégio, os conflitos diminuíram, afirma o educador. Mas os especialistas alertam que a prática deve ser diferente para as crianças. É preciso que seja em uma velocidade mais acelerada e tenha uma dimensão lúdica, explica Júlia Signer, professora do espaço Lótus Urbano, de São Paulo. É ela quem ensina Anne Arbaitmann Veraart, que acha a técnica difícil, mas divertida. Além de se esticar toda, Anne aprendeu a meditar durante as aulas. A meditação também deve ser adaptada para a realidade infantil. York Stillman, diretor do Centro Shambhala de Meditação de São Paulo, diz que o ideal é que crianças de até 8 anos pratiquem informalmente, sentadas no colo dos pais. “Já os mais velhos podem se concentrar num som, em um objeto ou na própria respiração”, orienta.


Alguns pais são influenciados pelos filhos zen. É o caso da funcionária pública Letícia Duarte, de Belo Horizonte, mãe da Laurinha, aquela da “festa natureba”, que, até ficar grávida da menina, tinha uma alimentação à base de arroz, feijão e carne. Com a chegada da pequena, ela começou a mudar a dieta, dispensou remédios e até o cigarrinho eventual. “Comecei a estudar o assunto e vi quanto lixo e veneno comíamos”, diz. “Não queria isso para a minha filha.” É preciso viver como um ET para garantir a alimentação saudável da família, diz ela. Mas vale cada gota de suor e centavo. Laurinha é um bebê sereno, que ouve mantras e adora massagem nos pés antes de dormir. A mudança radical de hábitos valeu a pena. “A Laura me fez evoluir.”





Meu comentário:

- Oi?

Mini-Fashionistas


Encontrei essa matéria da Colunista Nina Lemos, no site F5. Não, não fiquei horrorizada, acho que já estou meio anestesiada com esse tipo de notícia.  Eu só fico com pena das crianças.

E com raiva das mães.

A filha de Victoria Beckham e a epidemia das "mini-fashionistas"

A menina ainda não tem um ano de idade. Mas suas roupas já são analisadas por jornalistas com olhos de especialistas. "O que você está usando?" A pergunta, antes dirigida para celebridades em tapetes vermelhos, agora é feita também para bebês. 

Quer dizer, para seus pais, já que eles nem falam ainda. A filha de Vitória Beckham, Harper Seven, de quatro meses, usa Chloé. Deu em um jornal iglês. E já é chamada de mini-fashionista, um novo título apavorante criado pelos jornalistas de celebridades. 

Não basta mais se vestir bem e com roupas "de marca". Seus filhos também têm que estar elegantes e, claro, ter estilo pessoal. Dá para cobrar que uma criança tenha estilo na hora de se vestir? Não dá muita pena delas? Dá. "Mas isso é possível", gritam os patrulheiros da moda, que agora atacam também as criancinhas.

A "musa" máxima dos adoradores de crianças vítimas da moda (literalmente), com quem Harper deve competir é Suri Cruise, a filha de Tom Cruise, famosa por seus modelos. Blogs ao redor do mundo comemoram seu "estilo". E sua mamãe Kate Homes avisa em entrevistas que ela "escolhe suas próprias roupas". 

A gente, que não é celebridade de Hollywood, se vira como pode. E já tem blogueira de moda (uma "profissão" dos tempos de hoje) incluindo seus filhos em suas fotos de "looks do dia". A mania funciona assim. Você se veste e mostra para os outros o que está usando (com direito a nome das marcas etc, como se alguém quisesse saber, mas não custa nada se iludir). E quem tem filho, vira e mexe, vai e coloca o look do filho junto. 

Suri Cruise não pediu para nascer. Harper Seven também não. E muito menos para virarem ícones da moda com menos de um ano de idade. Que alguém proteja as nossas criancinhas, para que logo elas não caiam em seções de "certo e errado" de revistas. Seria horrível. Mas alguém acha isso impossível?





Respondendo a pergunta acima: Não, não é impossível, é bem provável que daqui a pouco haja uma revista especializada em "certo" e "errado" para a moda infantil, principalmente a feminina. Pelo que a colunista informou, blog já existe, então...


Alguém pode alegar que eu vivo "denunciando" esses absurdos porque não tenho filha pois, se fosse o caso, eu seria mais compreensiva e tolerante com esses comportamentos tão voltados para a imagem mesmo que, para isso, a criança seja mutilada, de alguma forma.  

Só que, na minha cabeça, não é assim que funciona, porque a infância não pode ser dividida entre masculino e feminino.  Simples assim.

E aí eu me lembrei da pobre Maddy Jackson...

Maddy Jackson

Escrevi aqui a respeito de crianças, principalmente meninas, que "amadurecem" um pouco fora da idade. Nessa ocasião, dei o exemplo dos concursos de miss infantil, tão comuns na terra do Tio Sam e que espero que nunca cheguem aqui em Pindorama - se bem que, já que copiamos tudo de lá, até que está demorando a chegar.
E quando a gente pensa que já viu de tudo nesses termos, eis que surge a notícia sobre Maddy Jackson, uma menina de 4 anos - QUATRO anos - que concorre a miss infantil. Sua mãe, do alto de toda a sabedoria que lhe foi imputada não sei por quem, e para que sua filha alcançasse uma performance espetacular no papel da cantora country Dolly Parton, além de um bônus "extra" na competição, colocou  na menina seios e bumbum como enchimentos, além de uma roupa colante para "marcar as curvas" na apresentação.


Maddy Jackson mal largou as fraldas e já ganhou seios. Com uma roupa colada, enchimento no bumbum e nos peitos, a menina de quatro anos, que participa de concursos infantis de beleza desde os nove meses, chocou até mesmo as pessoas mais acostumadas com os exageros desse tipo de competição.
Para fazer um cover da cantora Dolly Parton durante um concurso, a mãe Lindsay Jackson, colocou seios, peruca, maquiou a filha e vestiu uma roupa colante nela, para marcar bem as “curvas” da pequena. Quando questionada no programa Today, da NBC, sobre os métodos necessários para vencer a competição, Lindsay declarou: “Para algumas pessoas, é um exagero, mas para nós isso acontece... é normal. Quando ela usa os seios e o bumbum falsos, ganha um bônus extra”.
Mas nem todos concordam com a visão de Lindsay Jackson. Até mesmo o estilista de Maddy, Michael Booth, considera os enchimentos um exagero. “Eu não sou um grande fã do equipamento nos seios dela. Ela é muito jovem, mas espero que os juízes encarem isso como de bom gosto”, disse ele nos bastidores do concurso.
Algumas pessoas já encaram os artifícios dos concursos de beleza para crianças como algo polêmico, já que poderia influenciar outras meninas a adotar o comportamento precoce. Alguns grupos lançaram protestos no Facebook contra as competições e ganham cada dia mais adeptos. “É absolutamente repugnante”, opinou Teresa Spence Bruce, uma das participantes da manifestação na rede social.


Fonte: http://www.24horasnews.com.br/index.php?tipo=ler&mat=383212


 Só uma palavra: Lamentável

A Polêmica da Moda


Gostaria novamente de compartilhar com vocês a matéria de 12/08/11 da revista Istoé, que é o título deste post, a respeito da modelo "mirim" Thylane Blondeau que, aos 10 anos, já fotografou de topless. Mais uma vez, me identifiquei como assunto por conta do que postei aqui, sobre crianças precoces.


À FLOR DA PELE
Thylane vem sendo chamada de a nova Brigitte Bardot
A modelo francesa Thylane Blondeau é a nova queridinha da moda. Loura, esguia e com hipnotizantes olhos azuis, ela estrela ensaios sensuais – leia-se, inclusive, fotos de topless – nas principais publicações de moda do mundo. Esse seria apenas mais um conto de fadas de uma top model se Thylane não tivesse apenas 10 anos. Filha de uma apresentadora de tevê e de um jogador de futebol, a garota nasceu sob os holofotes. Aos quatro anos, desfilou para Jean Paul Gaultier e, recentemente, foi a estrela de um encarte da Vogue francesa no qual aparece com maquiagem carregada. O ensaio dividiu opiniões e teria contribuído para a demissão da então diretora da publicação, a poderosa Carine Roitfeld.

Afinal, 10 anos não é cedo demais para fotos sensuais? Psicanalista do Hospital das Clínicas de São Paulo, Niraldo de Oliveira explica que atropelar a inocência típica da infância pode ser prejudicial, pois, dos 7 aos 12 anos de idade a sexualidade fica adormecida para que a criança possa se desenvolver intelectual e socialmente. “Isso significa que a menina cuja sexualidade é estimulada antes da hora pode chegar à vida adulta sem a maturidade necessária.”

Alguns entusiastas da moda alegam que a maldade está no olhar de quem vê, argumentando ser comum o topless de garotas francesas na praia. O problema, no entanto, estaria na sensualidade estampada nos olhares e nas poses. A consultora de moda Gloria Kalil pensa diferente. “Ninguém espera ver criancinhas só de vestidinhos balão”, escreveu ela no site “Chic”. “O esquisito é vê-las em atitudes de adultos insinuantes que despertam mal-estar.” Também consultora, Manu Carvalho acredita que o valor da moda está na possibilidade de romper preconceitos, mas que até na flexibilidade existe limites. “Prefiro ver crianças fantasiadas de princesas e super-heróis.”

O questionamento que eu faço para mim mesma é: será que eu estou exagerando? Será que não há nada demais e ter crianças que já são modelos, dessa forma, em tão tenra idade?