Seu Nome é Bullying

Se existe algo muito comum à maioria das mulheres que sonham em ser mães é pensar no nome que darão à sua criança. Tradição familiar ou religiosa, homenagem a algum parente ou amigo,  ou mesmo a algum personagem ou artista, superstição ou até a combinação de partes de nomes são algumas das várias motivações para escolher o nome de seu filho ou filha. Vez ou outra surge uma espécie de "onda" de nomes iguais ou parecidos. Ultimamente, há uma profusão de Maria Clara, Maria Eduarda, Maria Luisa, Sofia, Valentina e Vitória, por exemplo. Para os meninos, Pedro Henrique, João Pedro, João Vitor, João Paulo, Paulo Henrique.

De uns tempos para cá, ficou estiloso entre as celebridades dar nomes mais "simples" às suas crianças. Pedro, João, Antonio, Joaquim, Francisco, Maria, que em outra época eram considerados "nomes de  pobre", se tornaram um it no meio artístico ou nas classes sociais mais elevadas. Em sentido oposto, quanto mais Y, W, PH, LL,  mais it é o nome de algumas crianças das classes mais.... populares!

Como bem diz o ditado, gosto não se discute, se lamenta, e apesar de não ser a paladina da verdade e da correção, tenho que admitir que algumas situações me forçam a um olhar mais crítico, até mesmo sarcástico, porque eu não consigo entender, por exemplo, alguém que coloque na criança um nome como Kauai! Acho que alguns nomes ficam muito bem em sua língua materna, como Kauai, que em havaiano deve soar muito bem. Mas, e no Brasil? Imagino essa criança sendo chamada de Kauat -  em alusão ao guaraná - ou Kawait - o país -, ou mesmo o mineiríssimo "Uai"! Já pensou? Porque a gente sabe que as crianças são cruéis e não deixam nada passar despercebido.

Se há inovações bem esquisitas, mais estranhas ainda são as razões para escolher o nome de uma criança.  Inspirados no Facebook, um casal israelense colocou o nome da filha de "Like", que naquela rede social é o nome de um botão chamado "curtir". Pode ser que Like em Israel até não soe estranho, mas se a moda pegar por aqui... é bullying na certa!  Moroccan e Monroe, Apple, Mano Wladimir, Záion, Bem, Zuma Nesta Rock, Kal-El, Pilot Inspektor são alguns nomes de filhos de artistas famosos, nacionais e internacionais. Não é invenção minha, não, pode procurar! E quem não se lembra do casal Baby do Brasil e  Pepeu Gomes, que batizaram os filhos como  Sarah Sheeva, Nana Shara (que antes se chamava Riroca Baby) e Zabelê, Kriptus Rá, Krishna Baby e Pedro Baby?

Não estou falando desses nomes que aparecem por aí, tais como Titilotá, Chananeco, Cinconegue, Clarisbadeu, Wanslívia, Um Dois Três de Oliveira Quatro, que muitas vezes têm o registro negado pelo cartório. Mas por que batizar a criança como Máiconsuel, Uóxington, Brayan, Róliudi, Uasleska, Adayl Elijanea, Sthephaniewaine, Jhenhinfherh, Jaaday Melkran, Brendalynny, por que, por que, por que, por que, meldelz???? Às vezes nem dá para pronunciar! Por que condenar a criança a ter que soletrar o nome pelo resto da sua vida, de forma a não se perder no meio de tantos daboiús e ipsilones, letras dobradas e fonemas que caíram em desuso há mais de meio século?

Note que não há muita diferença entre os que classificam como "nome de pobre" ou "nome de rico".  Não se trata de divisão de classes sociais, porque nomes "exóticos" existem tanto lá como cá. O que seria, então? Uma questão de criatividade, de excentricidade, de exclusividade? E a criança, será que alguém imagina sua criança aos 15, 20, 30, 60 anos, sendo chamada por esses nomes.... exóticos? 

E quando a gente pensa nas crianças que sofrem agressões físicas e verbais por serem orelhudas, gordinhas, gagas ou que usam óculos fundo de garrafa, às vezes nem se dá conta de que existem  tantas outras cujo nome é o próprio bullying.

Portanto, se você acha seu nome simples demais, normal demais, comum demais, levante suas mãos para os céus e agradeça a Deus por Ele ter iluminado a mente de seus pais! Poderia ser bem pior, não???

Nota: Todos os nomes citados não saíram da minha cabeça,existem de verdade!