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Na Telinha 2

Continuando a minha análise altamente imparcial sobre alguns desenhos e programas infantis, vou citar outros personagens que agora fazem parte do meu universo televisivo.  Sim, pois quem já é ou passou a ser mãe ou pai, provavelmente acompanha a programação infantil na telinha,  não só para saber o que sua criança está assistindo mas também porque gosta e porque é uma atitude altamente saudável (opa!). Ok, dessa vez eu vou ser boazinha....

Thomas e Seus Amigos
As aventuras de Thomas e seus amigos são baseadas nas histórias do Reverendo W. Awdry, de 1945, que  as dedicou a seu filho Christopher, uns 60 anos passados. Thomas é uma locomotiva que vive na Ilha de Sodor, que é rodeada por um lindo mar azul, e que tem a maior concentração de malha ferroviária por metro quadrado no mundo!

Eu disse locomotiva?  Não! Thomas é uma loucomotiva, pois vive se metendo em encrencas, para não dizer que só vive fazendo cacas.  Com sua cara em forma de lua cheia, Thomas não ouve completamente as instruções que lhes são passada e sai feito um desarvorado para cumprí-las, o que o leva a fazer bobagens, dando uma baita dor de cabeça a Sir Topham Hatt, o diretor da ferrovia.

Sir Topham Hatt
Este senhor de formas generosas e bochechinhas rosadas, e que se veste de fraque e cartola, está sempre às voltas com as demandas na direção da ferrovia. Dia sim, outro também, Sir Topham Hatt saca um puxão de orelha de dentro de sua cartola para educar e controlar Thomas, o descarrilhado.

As histórias são simples, e acho que a "moral" delas gira em torno de obediência, compromisso e atenção, coisas que Thomas invariavelmente não tem. Thomas tem boas intenções, porém, sua cabecinha cheia de fumaça e cinzas muitas vezes o leva a atrapalhar mais do que a ajudar.

No fundo, acho que Thomas tem um pouco de SDA - Síndrome de Déficit de Atenção - porque não há um episódio em que ele, ao ser ordenado a fazer alguma coisa,  não saia destrambelhado ilha afora. Ao final, sempre se dá conta de que não deveria ter agido daquela forma, pede desculpas e ponto.

Há, ainda, a Angelina Bailarina, uma ratinha cujo universo gira em torno de passos de danças de balé.  O programa é bem gostosinho, e Angelina faz parte daquela típica família papai-mamãe-irmã-irmãzinha, que vivem numa casa que tem papel de parede na cozinha e que mamãe assa 4 cookies para todo mundo.
Ela não é fofa?





E ainda há mais outros e outros e outros personagens e programas infantis que não foram citados aqui, simplesmente porque não me chamam tanta atenção assim, ou porque ainda permanecem muito bons, como o  Muppet Show/Sesame Street (Vila Sésamo) e os Backyardigans, por exemplo. Veja, não chamam a MINHA atenção, porque o Davi não está muito ligado nessas coisas, não.  O negócio dele é a abertura e a musiquinha da novela Ti-Ti-Ti.  O mundo pode estar se acabando, mas quando começa a musiquinha e aquelas lapiseiras preta e vermelha aparecem na telinha, ele não dá atenção a mais nada.

Ah, sim, outra coisa interessante que notei naquele menino é que ele gosta também de apresentadores de telejornal.  Não importa quem seja, se é apresentador de telejornal, Davi sempre o cumprimenta com um largo sorriso. Imagino que quando começar a falar, é provável que vá responder ao "Boa Noite" do William Bonner e da Fátima Bernardes.

Conclusão:

1. Os atuais desenhos animados e programas infantis estão muito compromissados com as questões ecoambientais e estilo de vida saudável. Foi-se a época em que ratos fugiam de gatos, ou de corridas malucas que nunca tinham fim. Esses ainda existem, porém, já se tornaram um clássico e criança gosta de novidade, principalmente se essa novidade tiver forma de brinquedo ou boneco e à disposição na loja.

2. Existem, também, os desenhos japoneses, em que todo mundo é retratado com olhos imensos e lacrimejantes. Esses, por enquanto, estão fora de cogitação, até porque utilizam de bastante violência em suas histórias.

3. Os Pinguins de Madagascar são um barato.  O Bob Esponja, apesar de lesado, também é bem divertido.

4. Acho que o Rev. Awdry poderia ter orado mais por Thomas, a fim de que essa loucomotiva fosse menos atirada. Mas aí não ia ter graça, né.

Na Telinha 1

Definitivamente, os desenhos animados não são mais os mesmos.  Com  uma postura ecologicamente correta, somada a uma vida de hábitos saudáveis, hoje somos brindados com desenhos e entretenimentos infantis cuja abordagem, em geral, gira em torno desses temas.

Nesse sentido, LazyTown é, a meu ver, o que melhor reflete essa proposta nos atuais programas infantis.  Eu queria assoprar primeiro e morder depois, porém, implicante que sou, vou morder agora mesmo, com uma visão bem peçonhenta a respeito de alguns de seus personagens.

LazyTown
Vista de cima, LazyTown se parece com uma grande pizza marguerita e, numa tradução tosca, pode ser definida como Cidade da Preguiça. Como sugere o nome, seus habitantes não são muito chegados a atitudes saudáveis, como esportes, brincadeiras ao ar livre, frutas, legumes ou  sucos, e um dos  grandes  responsáveis por mantê-los assim é Robbie Rotten, o vilão.    

Além da sobrancelha modelada à cera quente, essa criatura conseguiu reunir, num mesmo lugar, o topete do Vanilla Ice (Ice Baby) e o queixo do Bond Boca. Com seu colete encolhido até acima da boca do estômago e sua calça bailarina estampada a la Dick Vigarista, Robbie Rotten vive no seu esconderijo subterrâneo refastelado numa enorme poltrona, se empapuçando de porcarias como frituras, massas, doces, pipocas e sorvetes.

Apesar de preguiçoso, Robbie Rotten está sempre em alerta, maquinando tramóias e armando ciladas a fim  de deixar as crianças de LazyTown longe do contato com atividades saudáveis e consumo de alimentos nutritivos, num esforço contínuo em mantê-las numa constante malemolência sedentária. Até que um dia, sua paz é interrompida pela chegada de Stephanie, sobrinha do prefeito de LazyTown.

Stephanie chega a LazyTown em busca de aventuras e de novos amiguinhos.  Ninguém sabe de onde ela vem, somente que tem parentesco com o prefeito. Essa menina, que se veste de rosa e usa uma peruca pink, gosta muito de brincar, cantar e dançar, cantar, dançar e brincar, cantar, brincar e dançar, dançar, brincar e cantar. Ela acorda dançando e cantando, passa o dia cantando e dançando e vai dormir dançando e cantando.  Mantendo esse ritmo, num futuro próximo Stephanie poderá se tornar a mais nova Lady Gaga, pois peruca, ritmo e fôlego ela já tem.

Além da saudável, pululante e ritmada Stephanie, temos Sportacus, o "mocinho" da história.


Sportacus é  uma sugestiva junção do nome Spartacus  e Sport, que significa esporte. Isso já diz bastante a seu respeito, não?

Sportacus vive numa aeronave em forma de dirigível, cujo ambiente é praticamente todo branco -  um sutil convite a um ataque de pânico.  Sportacus não anda colocando os pés um ante o outro, ele dá cambalhotas para se locomover.  Sportacus não descansa, vive fazendo alongamentos, flexões e abdominais, a qualquer hora do dia, em qualquer lugar. Sportacus é saudável, muito saudável. Nas horas vagas, atende ao chamado de Stephanie ou de outros moradores de LazyTown para ajudá-los a sair das ciladas de Robbie Rotten.

Sportacus não come doces, nem massas, nem sorvetes, nem refrigerantes, só consome "coisas saudáveis". Sportacus é praticamente um vegetariano ou, talvez, um vegan, o que me faz acreditar que ele seja um tremendo chato. Imagino Sportacus se deliciando com uma suculenta salada de chuchu feito na água e sal com cobertura de molho de jiló.  Após as refeições, é provável que Sportacus destaque um de seus bigodinhos a la.... Dick Vigarista (!) e comece a palitar os dentes antes de escová-los. Deve ser incalculável a quantidade de água que essa criatura bebe durante o dia.

Creio que Sportacus sofra de Hiperatividade, pois só isso explica viver daquela forma frenética, ao ritmo de uma aeróbica de altíssimo impacto. Talvez algumas doses cavalares de milk shake de chocolate com Ovomaltine possam ajudá-lo a  aprender a andar com um pé ante outro pé. Imagino também que Sportacus deva ter sérios problemas de relacionamento, visto que usa praticamente todo o tempo de sua vida fazendo alongamentos, abdominais e flexões, o que deve levá-lo a consumir uma quantidade estratosférica de barrinhas de cereais.  Convidado para um barzinho, é provável que vá pedir um  chopp sem álcool ou uma capirinha com adoçante acompanhada de uma generosa porção de rodelas de tomate, o que torna sua situação ainda mais complicada.

Temos ainda a presença de Ziggy. Esse menino vive com uma capa vermelha amarrada no pescoço e as mãos cheias de pirulitos, alguns do tamanho de sua cabeça. Ziggy não bate bem.  Ziggy é meio dã.  Ziggy  tem uma risada estranhamente dã. Talvez seja o excesso de pirulitos.

Há também o prefeito, a esposa do prefeito, o menino que vive em frente ao computador, o outro que usa uma gravatinha borboleta e a menina que anda de skate.




Opinião Pessoal e Intransferível:


1. Acho a proposta deste programa muito boa, porém, penso que essa postura politicamente correta de alimentação e vida saudável às vezes beira ao fanatismo religioso. É claro que eu acredito que incentivar as crianças a praticarem esportes e a consumirem coisas nutritivas tem seu valor, mas uma panelada de brigadeiro ou um Mac Lanche Feliz não mata ninguém. Uma infância com IMC próximo a 0%, além de sem graça, deve ser de uma chatice sem tamanho.

2. LazyTown ainda me assusta. Sportacus me cansa.

Impressão Pessoal e Investigativa:

1. Acredito que Robbie Rotten tenha alguma atração platônica por Sportacus. Talvez, até, algum caso mal resolvido.

2. Estou tentando fazer uma conexão entre a calça bailarina de Robbie Rotten e o bigodinho de Sportacus.  Tudo me leva a crer que sejam filhos bastardos de Dick Vigarista. Já perguntei para Mutley, porém, ele sempre me responde com aquela risadinha sarcástica e enigmática.