Bagagens


Assim como muitas mulheres, eu também sou louquinha por bolsas. Dos mais variados tipos, cores e tamanhos, não consigo deixar de paquerar uma ou outra em alguma vitrine à minha frente. Se bem que o que mais me chama a atenção mesmo são sapatos e sandálias, já que também sofro de Síndrome de Centopéia, doença de difícil cura, e que  atinge uma grande parcela do sexo feminino em todo o planeta.

Apesar de não ter muitas bolsas, o que tenho é o suficiente para não fazer feio. Tento, dentro dos meus limites, comprar bolsas de couro, não por uma questão de luxo, de ostentação ou de esnobação, mas por considerar que seja mais um investimento a longo prazo. Se bem cuidadas, elas duram muitos anos, e se não padecerem de tal ou qual "tendência", se adaptam a qualquer viés fashionista.

E como muita mulher sabe, quanto maior a bolsa, maior a quantidade de coisas que carrregamos. Se na bolsa pequena é preciso apenas uma necessaire com 2 batons e um espelhinho, por exemplo, quando o tamanho aumenta, aumenta também a quantidade de itens-supra-necessários, que muitas vezes são indelicadamente chamados de bugigangas. Não somente a necessaire,  a carteira e uma agenda, tem também o lenço de papel, o celular, o MP3 (4,5,6....),  os óculos de sol e de grau, o guarda-chuva, a lixa de unha, o creme para as mãos, só para citar os básicos. E quando vamos trocar de bolsa, depois de um período de 1 ou 2 semanas, sempre nos propomos a uma rápida faxina para a redução das tais bugigangas.  Até parece.... depois da troca, nos damos conta de que tudo continua lá, só que  temporariamente arrumadinho. Oh, mundo feminino....

Houve um tempo em que eu andava com bolsas relativamente pequenas, algumas, até, que se fechavam apenas com dois ou três botões, pois eu conseguia "controlá-las" no meio da multidão, de forma a não ser atacada por alguma mão leve. Além disso, ficava a impressão de que, apesar de ser mulher, eu não sofria com a mania de carregar meio mundo comigo.

Bom, é aquilo: o tempo passa, o tempo voa, e se um dia a bolsa foi grande, pelo menos havia só ela. Depois de um tempo, passamos, quer dizer, eu passei a utilizar a bolsa principal com os itens básicos, mas também outra, uma espécie de sacola!  Pois a minha preocupação já não é mais com o kit de maquiagem ou o fio dental, o que eu preciso é chegar, com a maior rapidez possível:

- na creche;
- no trabalho;
- em casa;
- na consulta pediátrica;
- no mercado.

No mínimo!

Então, qual foi a minha ideia luminosa? Colocar um par de chinelos dentro da sacola! E lá vou eu, toda linda e trabalhada na escova, no terninho, no rímel e com um belo par chinelos nos pés, parada num ponto de ônibus ou mesmo dentro da condução. Porque, pelo chão que eu gasto andando para um lado e para o outro, não há a menor condição de usar salto o tempo todo, nem os mais baixinhos! Claro que, tanto o par de chinelos quanto a tal sacola são, no mínimo, estilosos, porque uma coisa é descer do salto, outra é cair de cima dele! Admiro quem consegue, nessa fase da vida e sem ter carro, ficar no salto o dia inteirinho, nessa correria doida para atender a tantos compromissos em lugares tão distintos.

Fica a dica: se você também vive às voltas com o relógio, tendo que chegar aqui ou ali no menor tempo possível, não se reprima: tasque um par de chinelos dentro de uma sacola e não fique avexada em utilizá-los. Seus pés te serão eternamente gratos. Mas, pleeeeeeeeease, tudo com estilo, com charme. Desça do salto, só não caia de cima dele! Oh, mundo materno...