Expectativas, Frustrações, Erros e Algumas Verdades

Frustração: Estado daquele que, pela ausência de um objeto ou por um obstáculo externo ou interno, é privado da satisfação dum desejo ou duma necessidade. 

Expectativa: Esperança fundada em supostos direitos, probabilidades ou promessas

Não me lembro de outro dia que eu tenha me sentido mais frustrada como mãe do que no fim de semana passado.  Eu estava naquele típico "dia do saco cheio", muito sem paciência, e atacada.  E como eu já comentei neste post, o Davi parece que sente minha alteração emocional, e aí fica mais malcriado e eu, mais irritada, e ele, mais alterado ainda e eu, mais sem paciência, e ele..... bom, ele é uma criança, e eu sou sua mãe, que deveria (quem disse isso?) ser emocionalmente equilibrada e não me deixar levar pelo cansaço e pela frustração e sair do controle da situação.

E acho que é aí que está o problema: quando a gente não consegue ter o controle sobre as coisas - como se realmente tivéssemos, né.  No meu caso, a sensação de que tudo está escorrendo pelas mãos me traz muita irritação.  

Mas, Luciana, do que você está falando especificamente?  

De como criar uma pessoa, de como ter sabedoria para lidar com uma pessoa - uma criança de 2 anos - que já enfrenta seus pais, que desafia nossa paciência e autocontrole.

Me sinto frustrada porque às vezes eu acho que não estou sendo eficiente em educar o Davi. Me sinto frustrada porque às vezes - muitas vezes - eu coloco as obrigações domésticas antes da atenção que tenho que dispensar para meu filho e quando ele vem reivindicar seu direito à minha atenção, me encontra sempre assoberbada de coisas a fazer.  E aí, eu paro tudo para dar-lhe a devida atenção, mas nunca é suficiente, pois o nosso ritmo diário não deixa muito espaço para a gente ficar juntos.  E nessas paradas, as coisas vão se acumulando, e o tempo vai passando e eu não consigo fazer o que tenho que fazer, inclusive dar mais atenção com qualidade a ele. E aí, começo a formigar de agonia.

Sim, é ansiedade, é querer ter o mesmo ritmo que tinha antes de Davi existir. Mas a realidade é outra, e lidar com ela às vezes é frustrante, porque às vezes também a gente tem que abrir mão dos próprios interesses para atender a uma pessoinha que quer nossa total atenção, e essa pessoinha não tem culpa de nada, faz parte das suas necessidades receber toda a atenção devida, afinal, como eu já falei, nosso tempo de convivência é curto.

E Davi vem dando trabalho também.  Acho que algumas coisas ele traz da creche e outras devem ser por conta dessa fase da vida dele. Quando contrariado, dá chiliques homéricos, muitas vezes não obedece, mesmo que eu aplique os "truques da Supernanny" - "abaixe até a altura da criança, faça contato visual e fale em tom sério e baixo".

Mas na prática a teoria é outra (eu já usei essa frase por aqui...).  Porque chega num ponto em que a gente não abaixa, não faz contato visual e não fala em tom sério. Nem baixo. E fica parecendo aquilo de que eu tanto detestei: uma casa de malucos, onde a gente grita com a criança que, por sua vez, reage a essa nossa postura e parece que o caos se instala.

Mas sabe qual é a verdade, de verdade? A gente acaba jogando sobre os filhos as nossas frustrações, como se eles tivessem culpa disso. E isso não pode acontecer, quer dizer, pode até acontecer vez ou outra, afinal, não somos perfeitas.  O que não pode é virar rotina, fazer parte da convivência.

Essa é a verdade, que eu prefiro admitir a ter que ficar floreando as coisas.

Nem sempre é possível controlar as coisas, e às vezes eu acho que o filho vem na nossa vida exatamente para mostrar os nossos limites e aquilo que somos capazes de fazer e não sabemos, ou até sabemos mas não admitimos porque achamos que estamos preparadas para tudo. Ou que somos muito boazinhas.

O problema também é que a frustração é fruto de uma expectativa muito alta que criamos a respeito dos nossos interesses.  É tão fácil criar os filhos dos outros, por exemplo.  É difícil acreditar ou aceitar que aquela doce criancinha é capaz de te tirar do sério e fazer você sentir raiva até. E parece que aquele quadro mental da "família doriana" que a gente cria até mesmo durante a gravidez começa a derreter suas tintas e fica tudo borrado pela realidade.

Acho que quase tudo que estou colocando já foi falado por aqui e que o texto está bem enrolado.  Mas esse enrolado é o reflexo do que está na minha cabeça e a minha frustração de achar que estou falhando como mãe. Mesmo sabendo que não é fácil criar uma pessoa, fico me cobrando e pensando que se eu tenho que tomar algumas atitudes mais rudes é porque alguma coisa não está funcionando.  E isso é bem frustrante, porque a gente acaba agindo e reagindo do jeito que sabe que não é o certo.

Muitas vezes o problema não está na criança e sim na gente, talvez porque a gente caia na ilusão de achar que vai ser supermãe, assim como aquelas que aparecem nas revistas, lindas, radiantes, trabalhadas na escova e no clareamento dental, com seus filhos bem comportados e arrumados.

Eu sei que essa é apenas uma das várias fases que irei experimentar, e em muitas delas o que vai restar é um gostinho de frustração.

Mas, fazer o que? Talvez seja assim só para a gente se certificar de que não é perfeita, nem tem superpoderes.  Somos mães. Mas antes disso, somos humanas, o que significa sermos também cheias de defeitos.  O que espero é ter sempre em mente que estou errando querendo acertar,  tentar tirar proveito até das frustrações e baixar um pouco o nível das expectativas.

Com ou sem clareamento dental.