Caudas de Pavão

Essa semana houve a primeiríssima reunião de pais, sob a nova direção da creche. Claro que eu cheguei atrasada, afinal, aquela obra infernal no meio do caminho tem transtornado a vida de todos os moradores do Campinho e arredores. 

Dentro de uma das salas já reformadas - pois toda a escola também está em obras -, encontrei os pais das crianças do Berçário I e II, com suas devidas caudas de pavão bem abertas. A apresentação já estava na parte das atividades do Berçário II, com fotos das crianças e comentários de todos.  Apesar de ter perdido a parte do Berçário I, atual classe do Davi, a diretora me repassou gentilmente a apresentação, e foi aí que também abri minha enorme cauda, que ocupou boa parte de uma indefesa cadeirinha onde me sentei.

Achei a iniciativa da reunião muito interessante, pois desde que coloquei Davi na creche eu não sabia o que ele realmente fazia durante o tempo que ali passava. Fiquei sabendo, por exemplo, que os bebês já recebem algum estímulo através de DVD's, historinhas e contato com objetos e texturas. Na medida em que se sentem mais seguros e começam a andar, começa também a transição para a classe seguinte - Berçário II. Ou seja, essa passagem não se dá por conta da idade e sim pelo desenvolvimento psicomotor pois, como muita gente também já sabe e como eu não me canso de colocar, cada criança tem um ritmo próprio de desenvolvimento. 

Davi se encontra exatamente nessa transição, um pouco lá, outro cá, e eu creio que ele ainda não está definitivamente no Berçário II porque gosta de uma molezinha, sabe. Do Berçário II ao Maternal I, aí sim, a transição se dá a partir dos 2 anos, o que significa que Davi ficará muito pouco tempo na nova classe.

Estava eu lá, com minha enorme cauda de pavão totalmente aberta, maravilhada com as técnicas e atividades exercidas pelas professoras e crianças, achando o máximo toda aquela novidade quando, de repente... peraí, que negócio é esse de Maternal I? E já tem que comprar uniforme? Lista de material escolar? Meu Deus, mas foi outro dia que eu matriculei o meu bebê! 

A cauda começou a murchar.

É interessante perceber que nós, pais, estamos sempre às voltas com o desenvolvimento da criança.  Corremos para que ela deixe logo as mamadeiras, as chupetas, as fraldas, ficamos orgulhosos quando ela começa a balbuciar as primeiras palavrinhas, montamos uma pasta com todos os primeiros trabalhinhos da escola. E um dia começamos a sentir saudades do nosso bebê, que dependia de nós para tudo. Aí, o que nos resta a fazer é: ter outra criança ou começar a nos adaptar a essa nova fase da vida, e às vezes parece que essa adaptação é mais difícil para nós do que para elas pois, no fundo, a gente quer que elas continuem a ser sempre aquele nosso bebê, não é verdade?

Ter filhos é um constante teste de sanidade, sabe....




Interessante é ver como algumas pessoas que sequer conhecemos deixam uma marca tão significativa na nossa época e memória.  Assim como tanta gente, lamentei profundamente a morte de Steve Jobs, considerado um gênio na área em que atuou e que morreu muito cedo, pois alguém com 56 anos nos dias atuais ainda é jovem - e os jovens deveriam ser proibidos de morrer. Talvez o que nos faz sentir muito essa perda seja o fato de que sua obra aproximou as pessoas mais simples das tecnologias mais sofisticadas. E isso é para poucos.

Fica uma homenagem, apesar de ser igual a tantas outras.