De Antes de Agora - II

22/04/10 - 19h32

Bronquiolite. Acho que é com "i" porque deve ter alguma coisa a ver com os brônquios, que eu esqueci para que servem, mas que fazem parte dos pulmões. Me parece que é a "virose" da moda, já que virose é qualquer-coisa-qualquer.

Davi foi diagnosticado com bronquiolite na 3ª feira, depois de voltarmos da consulta com a cardiologista.  Aliás, a C.I.V. dele está cada vez menor e a estenose mais larga (acho que já toquei nesse assunto por aqui, mas como minha cabeça está um  minguau...).

Dormiu "relativamente" bem, de 3ª para 4ª, com nebulização e os remédios prescritos.  Passou o dia "relativamente" bem, mas ao anoitecer começou uma tosse mais acentuada e uma respiração mais ofegante.  Fomos, então, para a AMIU, que estava super lotada de crianças.  A maioria com o mesmo problema: respiratório - dos mais variados.

Davi mamou às 22h30 e como não apresentava febre, decidimos voltar para casa sem a consulta, afinal, já eram mais de 23 horas e eu estava super cansada por conta das noites mal dormidas da dor de dente.  Davi dormiu, então, "relativamente" bem até às 3 da manhã.  Antes, porém, Paulo sugeriu que ele ficasse na nossa cama, pois seria melhor para nós dormirmos.

Depois que mal acabou de mamar no peito não dormiu mais.  Começou a chorar nervosamente e a tossir.  Não aguentei e resolvi que teríamos que voltar ao hospital.   Fomos, então, à Taquara - mais perto - porém o pediatra sugeriu que voltássemos para a AMIU, pois haveria a possibilidade e necessidade de internação.  Chegando na AMIU, desta vez não havia uma só criança - acho que eram umas 3h40.  Fomos prontamente atendidos pela pediatra de plantão, que solicitou um raio X e a internação, visto que o caso dele é sério por conta da C.I.V.

A chapa mostrou uma pequena pneumonia e realmente começou-se a procura por uma vaga em alguma UTI.  Aí, começou o "pica-pica" para encontrar uma veia no Davi.  Ele já estava há quase 3 horas chorando, cansado e com sono.  Totalmente irritado e esgotado.  Depois de várias tentativas, enfim, conseguiram achar uma veia.


Em torno de 8h30, Davi foi levado de ambulância para a Prontobaby, na Tijuca.  Com ele foi o pai e eu fui levando o carro.  Foi direto para a UTI pediátrica, onde se encontra agora.  Só fica calmo no colo e já passou por outra sssão "pica-pica", pois colheram sangue para exame (claro!).


Neste momento, dorme profundamente, pois está cansado.  A UTI está tomada de crianças, talvez haja apenas 1 leito - acho - que são uns 12.  Na recepção, outro mar de crianças, que estão até do lado de fora.


O quadro do Davi está muito bom, mas é tudo muito angustiante (acho que minha letra já mostra isso).  Estou muito cansada, por noites mal dormidas e por estar desde 3 horas da manhã acordada. Minha coluna está péssima e sei que a noite vai ser longa.


Eu sabia que, assim como tudo na minha vida, nada seria comum e fácil.  Davi ainda tem uma hérnia e uma hipospádia para serem resolvidas, além da C.I.V. e da estenose que, graças a Deus, estão se ajustando.  Mas, claro, só tenho que agradecer a Deus por ter me proporcionado um plano de saúde que me permite ter todo esse suporte de atendimento.  

Hoje Davi completa 4 meses de vida.

Feliz "mesversário", meu filhote Davi!


Nota: Não sei como eu consegui escrever tanta coisa de dentro da UTI, porque eu estava muito, muito cansada por causa do baile que havia tomado desde a madrugada daquele 22/04/10.  Nesse momento, estava sentada ao lado da cama onde Davi estava deitado e dormia.  Eu estava tranquila, por incrível que pareça, talvez porque não sabia da gravidade da situação, porque atelectasia em criança é muito sério.  Davi estava já na primeira cama da entrada da UTI, o que me poupava de ter que passar pelas crianças que estavam lá havia até meses, e em alguns casos, em estado vegetativo.

Como eu comente aqui, UTI é um mundo que não para. É um entra e sai de enfermeiros, médicos e pais que só se você estiver à beira da morte de sono é que consegue dormir, até porque aquele BI-BI-BI dos monitores ajuda a manter o ambiente bem barulhento.  Não chega a ser uma feira, pelo menos não no auge da feira, mas é um lugar bem agitado.

Davi chegou na Prontobaby um pouco antes das 9 da manhã e eu fiquei com ele na UTI até o dia seguinte.  Tomei um banho num banheiro mínimo que havia no andar e no dia seguinte fui para casa dormir e o pai ficou com ele.  Depois, voltei para lá e novamente fiquei com Davi durante toda a noite.  Além do frio polar, a cadeira da UTI era péssima, desconfortável, dura, horrível e havia horas em que eu não sabia se o pior era ficar de pé ou sentada naquilo.  E o bolo do "mesversário" acabou ficando para bem depois.

Me senti e às vezes ainda me sinto culpada por ter deixado Davi chegar àquele ponto, porque ele estava tossindo há algum tempo e mesmo indo ao hospital, acabei voltando para casa sem que ele tivesse sido examinado.  Muito disso por conta do cansaço de tantas noites mal dormidas e com a infernal dor de dente que eu tive naqueles dias.  Ainda bem que houve tempo hábil para se resolver a situação, porque senão eu não me perdoaria nunca.

Ainda bem que tudo passou, pelo menos aqueles dias nublados são memórias e histórias. Agora, vê se não dá para ficar neurótica com tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo?

A primeira parte desta "série" pode ser lida aqui.