Eu Chorei!


Eu sei que eu sou bem esquisita.....mas não tinha como não registrar essa experiência. Desculpe-me o tamanho do post.

Nunca simpatizei com a ideia de ver bichos presos. Não gosto, sequer, de passarinho engaiolado, pois acredito que não foi à toa que Deus tenha criado animais domesticáveis e selvagens.

Por conta basicamente disso, nunca havia visitado um zoológico na minha vida. Tudo o que eu conhecia em termos de animais selvagens era através de livros e documentários de tv, porém, não poderia furtar meu filho dessa experiência. Até que respirei fundo e resolvi levá-lo ao zoológico da cidade, a fim também de aproveitar os últimos dias do meu amado Outono, que se comportou muito mal este ano, cheio de dias chuvosos e massas polares.

O zoológico do Rio de Janeiro fica na Quinta da Boa Vista, antiga residência oficial da Família Imperial Brasileira, que se transformou no Museu Nacional.  É um parque enorme, arborizado, com espaço para correr, andar de bicicleta, apreciar a natureza e reunir a família para um piquenique.

Não há como não se maravilhar com a quantidade de espécies - muitas raríssimas - que habitam nosso país. Araras azuis, corujas, periquitos, águias, entre sabiás, lobos, macacos, e tantas outras que não me lembro dos nomes. Foi talvez nesse dia que eu me dei conta da dimensão da importância da nossa fauna e da ganância que ela desperta em tantos traficantes de animais. Apesar de não perder nem um segundo no local reservado aos répteis que, se dependerem da minha vontade ficarão, TODOS, enclausurados para sempre e sempre, tivemos que passar por um caminho onde havia alguns jacarés, tartarugas e jibóias, que para mim é tudo a mesma coisa.

Adentramos a ala dos pássaros e outras aves e, ao mesmo tempo em que me maravilhava, pois amo essa espécie, também comecei a não me sentir muito bem, sabe.  Cada cubículo comportava de 2 a 3 exemplares, empoleirados em algum galho ou borocoxados em algum canto.  Aliás, a maioria dos bichos estava borocoxada, quase não emitia som ou reação.  

Logo após essa ala veio o corredor dos primatas, desde os pequeninos sagüis - que aparecem de vez em quando lá em casa -, até os chipanzés e similares.  Em seguida, descemos para o lado destinado aos animais de grande porte e conseguimos ver uma girafa, lindíssima com seu pescoção malhado, comendo placidamente as folhas que sua língua preta alcançava nos galhos bem altos de uma árvore à sua frente. Mais adiante, avistamos também o elefante, que se movimentava tal qual aqueles bonecos de papai noel, que ficam rebolando nas vitrines. Esquisitíssimo. 

Até que, então, entramos na ala dos felinos.  E quando avistei a cauda do tigre, não consegui me conter e meus olhos se encheram de lágrimas!  Sim, meu povo, eu chorei! Me aproximei daquela jaula e encontrei um animal lindo, imenso, de tirar o fôlego, mas também borocoxado, triste, caído. Não foi diferente com os outros felinos, que também estavam "mansos demais". Por último, quando na maior aglomeração de pessoas, avistei o leão. Sentado, uma pata virada para fora, o olhar perdido no infinito, o tal rei da selva mais parecia um boneco de cera e por um momento achei que nem de verdade fosse. Entre chocada e triste, não fiz outra coisa a não ser sair daquele lugar o mais rápido possível, em prantos. 

Alguém pode pensar: mas Luciana, quando seu filho nasceu e quando ele foi operado, você não chorou! Não, não chorei, como já havia comentado aqui. Foram momentos preocupantes, de grande expectativa, e nessas horas eu não consigo chorar.  Mas, como também disse, eu chorei muito depois.

Meus "instintos" não me enganaram. Detestei ir ao zoológico e espero não precisar voltar àquele lugar, talvez nunca mais na minha vida. Enquanto muitos adultos e crianças se embeveciam, pipocando flashes e gravando seus vídeos, eu pagava meu mico chorando por ver - e depois saber - que os animais ficam dopados quando há um movimento maior de visitantes, a fim de não assustarem as pessoas.

Entendo que são apenas alguns exemplares daqueles que vivem livres em savanas, florestas e reservas pelo mundo, mas ainda assim, não deixaram de ser selvagens. Entendo que muitos daqueles animais são mais bem tratados que muitas crianças e idosos jogados pelos orfanatos e clínicas de recuperação que existem por aí. Percebi o asseio e o cuidado dos funcionários do zoológico, que prezam por aquele lugar e tentam, da melhor forma possível, dar algum conforto àqueles bichos.  Mas nada disso me convence a gostar de um zoológico.

Sei não, nesse assunto acho que vou tentar influenciar o Davi, tipo, fazer a cabeça dele, sabe. Não vejo o menor sentido em alguém gostar de bicho preso, ainda mais se ele - o bicho - for selvagem. Se bem que, nessas circunstâncias, parece que o bicho - homem - é bem mais selvagem.

Ah, sim [1]: Parece que o Davi gostou do zoológico, mas não deu muita atenção para a bicharada, afinal, ele estava tão empolgado com o tamanho do espaço a explorar que se ocupou em afinar mais ainda aquelas canelas, de tanto andar e cair.

Ah, sim [2]: Não gosto de gatos. Mas amo seus familiares selvagens.

Ah, sim [3]: A cirurgia de hipospadia do Davi foi marcada para 13/07/11.

Ah, sim [4]: Eu estarei DENTRO do centro cirúrgico, acompanhando tudo de pertinho.