De Antes de Agora - I

Eu admiro muito quem usa agenda.  Sabe aquela pessoa que tem tudo anotadinho, seus compromissos, pagamentos, acontecimentos? Acho o máximo. Porque eu, definitivamente, não consigo usar agenda, de jeito nenhum. Não me lembro de ter tido problemas em adquirir agendas, porque todo ano eu ganho, mas não consigo usá-la.  Mas já tive diários e me odeio só de pensar de ter jogado fora as minhas primeiras anotações da época da adolescência, em que vivia muito atormentada, não somente por conta da própria ocasião - a tal adolescência - mas porque assim vivi até muito tempo depois.  Gostaria de ter, hoje, os registros das minhas aflições, das dúvidas, das descobertas, das decepções.  Não sei o motivo, mas um dia, lá no passado, joguei meus diários fora.  Alguns vários anos depois, voltei com um novo diário, que guardo ainda hoje, mas cuja última anotação deve ser de uns 6 ou 7 anos passados.  Mas ele está lá, guardadinho, e quem sabe daqui a uns outros anos eu vá lá visitá-lo e ler mais aflições, dúvidas, descobertas e decepções.

Como havia uma relutância besta da minha parte em ter um blog, que nada mais é do que um diário, só que eletrônico, tentei fazer um diário dos primeiros momentos da minha experiência materna, só que, mais uma vez, larguei o caderno no fundo do esquecimento, até que um dia resolvi colocar essas memórias aqui. Mas aí, dando uma arrumada nas coisas, encontrei meu "primeiro diário de mãe", digamos assim, e gostaria de deixar registradas aqui as memórias que estão lá. Ah, sim, me lembrei que também tive um caderninho durante a gravidez, e só fiz isso porque minha amiga Denise me presenteou.  Hoje eu vejo o quão importante foi anotar aqueles momentos de tanta surpresas, algumas boas, outras estranhas, que também vou colocar aqui.

Seguem, então, alguns registros de fatos e momentos que ocorreram antes de agora e que mostram  também o quanto eu já errei nessa curta estrada como mãe.



31/03/10 - 21h10

Davi está cada dia mais fofo. Anda soltando uns gritinhos que parece que quer falar. Reconhece muito bem a voz do pai, fica todo bobo.

Agora estamos no dilema da creche.  Eu vou levar; Paulo vai buscar.  Vai ser pedreira, mas não temos alternativa, pois não conhecemos ninguém de confiança para ficar com ele aqui em casa. Por outro lado, acho que creche ajuda a criança a se tornar mais sociável.

Meus dias de "do lar" estão começando a acabar, e por mais que Davi me dê uma surra nos horários de sono - ele não me deixa dormir de jeito nenhum - já estou começando a sentir falta desses momentos em casa.  APESAR do verão terrível que tivemos - afinal, só comecei mesmo a curtir a casa há pouco tempo - esses foram os melhores dias de TODA a minha vida.  Vou sentir muita falta do meu filho, por isso estou vivendo cada segundinho por completo.


* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *

18/04/10

Hoje Davi foi apresentado ao Senhor na Igreja. Foi o 2º momento mais importante da minha vida, pois o primeiro foi seu nascimento.

Mas antes disso, hoje, pela manhã, perdi minha paciência com meu filho de 3 meses e meio.  Depois de ficar praticamente a noite toda sem ser alimentado, pois havia mamado pela última vez à meia noite, só tomou uma mamada no peito em torno de 4 da manhã.  Às 6, não mamou.  eu fiquei muito aborrecida, frustrada, pois quero que meu filho se alimente bem e tenho percebido que Davi está com uma certa dificuldade na amamentação.  Eu sei que eu tinha que aprender que EU é quem tem que se adaptar ao ritmo dele e não ELE aos horários estabelecidos pela pediatra.

Já está com 5.430 kg e 60cm e muito fofo.  Mas ainda não está dentro do gráfico do Calendário de Vacinas.  Aliás, ele vai ser vacinado daqui a 2 semanas.

* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *
20/04/10

Hoje meu filho de apenas 3 meses me deu uma baita lição de vida e de mãe.  Confesso que ando bastante cansada, esgotada, pois não consigo descansar, pois há sempre várias coisas para fazer.

E aí que ele, de uns 2, 3 dias para cá, não vem mamando como EU ACHO que ele TEM QUE mamar.  E aí, depois de uma noite em que fui parar na emergência dentária com dor de dente (óbvio), estava, às 6 da manhã,  mais esgotada ainda, pois além de ter chegado em casa às 2 da manhã e ter acordado às 4 para dar o peito, ele não pegou a mamadeira!

Fiz uma coisa da qual me arrependo amargamente: enfiei a mamadeira praticamente pela goela abaixo dele, no desespero que ele fosse alimentado!  Depois, com muita irritação, joguei a mamadeira e o lencinho no chão, coloquei Davi no berço e me tranquei no quarto.  Quanta ignorância com um bebê de 4 meses! Eu me condeno e me odeio por isso.

Aí, fomos à cardiologista, que me deu u m "chega-prá-la" na choramingação e disse que ele está ótimo, cada mês melhor.

Depois, fomos à AMIU e Davi está com broncólite (?), pois está tossindo e espirrando muito.

Eu tenho que saber que o ritmo dele não é o meu.  O relógio dele não é o relógio que está pendurado na parede.

Eu amo meu filho profunda e loucamente, afinal, ele foi aguardado todo esse tempo.  Não gosto nem de pensar na *m* que fiz, na grosseria e ignorância num bebê inocente, puro e pequenino.

Foi um momento que eu quero tomar como lição, para nunca mais repetir aquele gesto.  Não posso mais, NUNCA MAIS fazer o que fiz.

Eu amo meu filho.

Amo meu filho.

Amo meu filho.

EU AMOR MEU FILHO MUITO MUITO, MUITO, SOU LOUCA POR ELE!

EU TE AMO, DAVI, MEU FILHO!


Nota:  Minha neurose com a alimentação do Davi havia chegado aos píncaros do desespero,  porque vivia preocupada com o seu peso, já que ele havia nascido com 2.210kg e com 45cm, muito pequeno, além de estar geralmente influenciada por algumas mães que mostravam seus bebês rechonchudos e fofinhos, enquanto que o meu era magrelo, como eu comentei aqui. Acrescente a isso meu amargo arrependimento por ter agido daquela forma, totalmente desesperadora.  Depois desse dia, Davi foi internado com bronquiolite, pneumonia e um pouco de  atelectasia pulmonar.

Depois tem mais algumas outras coisinhas...