Um Dia de Chuva e de Nada

A gaúcha Adriana Calcanhoto captou muito bem o espírito carioca, quando cantava: Cariocas não gostam de dias nublados. É impressionante como o sol afeta o humor de quem mora nessa cidade, porque se o tempo fecha, nem que seja um pouquinho, a sensação é de que alguém estragou a festa imaginária, mesmo que não haja absolutamente n-a-d-a para fazer. E se esse estraga-prazer resolve aparecer no fim de semana, aí, já viu, o mal humor é certo.  

Não é por causa dos desabamentos ou alagamentos das ruas, principalmente da Praça da Bandeira, que para toda a cidade.  Na verdade, nem precisa chover, basta que o sol não apareça e pronto: além de todo o arsenal de vestimentas próprias para uma temporada na Islândia que sai do armário, o carioca fica indócil, porque esse negócio de andar pulando poça d'água não é legal, sabe, e carregar guarda-chuva é muito chato.  A saída mais rápida, fácil e prática é se enfiar no shopping mais próximo. Alguns que moram na zona sul (= perto da praia) não se intimidam em dar uma caminhada no calçadão e tem gente que sai de casa só para admirar o quebra mar nas pedras do Leblon, ocasião em que o mar mostra toda a sua fúria e beleza.  Os surfistas são um caso à parte, porque para essa turma a chuva até é bem vida, e uma frente fria que aumenta o tamanho das ondas é tudo o que eles precisam, aloha!

E quando aparece um feriado no meio da semana + a gente não mora perto da praia + não gosta de andar na chuva + não quer ir para shopping =, não há muito o que fazer a não ser ficar dentro de casa, óbvio!  A gente olha pela janela e vê aquele céu carregado, chuva com vento, não dá nem para colocar a cabeça para fora e pensa: que chatice!   Mas nem sempre é assim porque um dia chuvoso pode ser muito bem aproveitado quando a gente resolve fazer.... nada! 

E foi exatamente isso que aconteceu ontem, feriado de Corpus Christi.  Um dia em que não fizemos nada, além do necessário, claro.  Quer dizer, no meu caso, nada não é tããããooo nada assim, porque sempre tem alguma coisa para fazer dentro de casa.  Como eu sempre fui meio agitadinha, nunca fui de ficar muito tempo parada, e depois que (re)descobri meu gosto por craftices, então, não há dia de não se fazer nada 100%.  Mesmo assim, o dia foi gostoso, porque passei todo o tempo com minha turma, todos juntos, misturados e aninhados sob as cobertas.

Na quarta-feira levamos Davi para fazer mais uma dilatação do canal da uretra e o Dr. Martinelli disse que teremos que retornar só daqui a 2 meses.  Eu já estava planejando levar um bolo no mês que vem para comemorar 1 ano de dilatações, porque desde que Davi fez a primeira cirurgia, em Julho do ano passado, ele tem feito dilatações mensais, o que significam 11 meses nesse processo, com mais uma cirurgia no meio.  Mas tudo bem, deixemos o bolo para outra oportunidade.  

O importante é que as coisas estão evoluindo, e se tudo der certinho, creio que no final do ano haverá a cirurgia plástica para a retirada do excesso de pele do piu-piu do Davi, além da correção da curvatura - o chamado chordee.  E aí, nessa ocasião, vou fazer, sim, um belo bolo, para comemorarmos mais essa vitória.

Voltando aos dias de chuva, aqui no Rio a coisa está feia, porque chove há mais de 3 dias e isso já é mais que suficiente para a paciência do carioca.  Esse negócio de tempo nublado, céu fechado, chuva o tempo todo deixa o pessoal meio agitado, sabe.  O carioca fica igual a siri dentro da lata.  Tem quem adore isso, mas são exceções.  Tem quem também ame o calor e o verão e...bom, eu já falei que eu odeio  ambos.  Mas também não sei se conseguiria viver num lugar muito frio, gelado, cheio de chuvas ou dias nublados, tipo a Islândia porque... eu sou carioca, pô, e a gente sofre em depender do sol!

Um dia de chuva para fazer nada tem seu valor, porque a gente pode fazer algumas coisas gostosas mesmo não fazendo nada (se é que isso faz algum sentido).  Mas, ó, mais de 3 dias de chuva no Rio, as mina e os mano pira, meu!