Uma Neurose para Chamar de Sua

Não sei se é impressão minha, mas me parece que a maternidade - esse presente tão lindo dados às mulheres - vem com algumas gotinhas de neurose. Quer dizer, no meu caso, parece que veio com algumas doses bem cavalares.

Me lembro da época em que estava grávida e participava de um fórum de gestantes onde se abordavam os mais variados assuntos relacionados à gravidez. Dos sintomas clássicos (enjôos, sonolência, vômitos) até o derradeiro dia do parto, discutia-se sobre as coisas em comum que as grávidas passavam ou sentiam: sexo do bebê, ultrassonografias, enxoval, maternidade, obstetra, remédios, tratamentos, alimentação. Até a mudança da lua era título de tópicos.  Em quase todas essas discussões havia uma dose bem generosa de ansiedade.  Nada mais natural, visto que o momento é mesmo de muitas expectativas, não somente para as iniciantes, mas também para as veteranas, afinal, todo mundo sabe que cada gravidez é única.

Depois que a criança chega há um outro espaço para discussão sobre os cuidados do bebê e o impacto de sua chegada na vida de todo mundo. Amamentação, relacionamento com os irmãos, doencinhas, os mais variados assuntos relacionados a esses primeiros meses de convivência entre a criança, a mãe e a família. Apesar de menor nessa etapa, o nível de ansiedade ainda é respeitável, além de algumas neuroses básicas, como aquela sobre a maneira de se colocar o bebê para dormir (de lado ou de barriga para cima)!

Até que chega um momento que as coisas começam a entrar numa certa normalidade.  Bastante imunizadas, as crianças geralmente manifestam doenças de fácil administração: uma febre aqui, uma tosse ali, a consulta pediátrica passa a ser bimestral, trimestral. E assim vamos acompanhando seu desenvolvimento psicomotor e  suas descobertas de mundo. Nessa etapa, o nível de ansiedade já está um pouco ou bem menor, e algumas neuroses nem existem mais.

E depois que eu abri mão de ficar me preocupando com o peso do Davi, eis que nova neura emergiu à minha frente: sua estatura.  Não que ele esteja abaixo da altura para a idade.  Pelo contrário, de acordo com o gráfico da Caderneta de Vacinação, Davi encontra-se bem próximo ao percentil que indica a altura "média" da criança com quase 2 anos.  Porém, ele deveria (?) estar um pouco acima se não tivesse ficado doente algumas vezes, e se também não tivesse se submetido às cirurgias.  Explico.

Quer dizer, quem explicou foi a pediatra, dizendo que o nosso organismo desacelera quando está doente ou se recuperando de alguma intervenção cirúrgica. Sábia que é, a natureza faz com que todas as energias do nosso corpo se voltem para a nossa breve e saudável recuperação, ocupando-se com o que é realmente necessário e vital. Unhas e cabelos, por exemplo, têm seu crescimento desacelerado, pois o organismo tem mais o que fazer ao invés de perder tempo com.... hum... perfumaria! Portanto, em se tratando de uma criança que está em pleno desenvolvimento mas que vez em quando é operada ou fica doente, nada mais "normal" do que  sua estatura ficar um pouquinho, só-um-pou-qui-nho abaixo da altura para a idade. Coisa de uns 4, 5 centrímetros. Meio óbvio? Pois é, mas eu não sabia desse detalhe.

Por outro lado, e ela também comentou, há estudos que apontam que essa geração será mais alta que as gerações passadas.  Em matéria de 2002 e 2003, a revista Veja aborda esse assunto. O Ministério da Saúde, por sua vez, também mostrou o aumento da estatura dos brasileiros para as próximas décadas, aqui.

A natureza é sábia. Nosso organismo é eficiente. Os gráficos da Caderneta de Vacinação servem como orientadores do desenvolvimento da criança e alguns dos seus resultados (negativos) podem ser reflexos de vários fatores, como doenças, por exemplo, e não alguma anormalidade.  Os estudos mostram o aumento na estatura das gerações futuras.  E aí alguém irá me perguntar? Então por que agora estás preocupada e implicando com a altura de Davi, Luciana?

Porque eu sou neurótica, ué! Precisa mais que isso?