O Dia e as Mães

Ser mãe é muito bom. Bom mesmo, e não há uma explicação razoável para essa sensação que é também meio esquisita.  Porque eu acho que ser mãe é ter muita coragem.  Coragem para se colocar no mundo um pedaço de você mesma e abrir mão desse pedaço para o mundo, porque, na verdade e no futuro, esse pedaço, apesar de ser seu, não te pertencerá mais.  

Não é confuso, isso?  Porque eu acredito que lá no fundo, no fundo mesmo, na grande maioria do fundo das mães o que se quer é ter esse naco de carne por perto.  Para sempre.  Mas nem sempre é possível.  Quase nunca é possível.   E ter a coragem de fazer um filho e expô-lo ao mundo é uma coisa bem esquisita. É como se expor duas vezes porque, afinal, não é um pedaço da gente?

O filho da gente é unico.  Não importa se seja esteticamente feio ou deslubrantemente belo.  É a nossa cria, aquela pessoa que saiu das nossas entranhas e agora tira a gente do sério, rouba as nossas noites de sono, a nossa atenção, a nossa vez, as nossas vontades e o nosso amor, incondicional. 

Claro que a gente sabe que colocar filho no mundo nem sempre significa se tornar mãe, porque nem todas as mulheres nasceram para a maternidade, apenas procriaram, às vezes por um acidente de percurso.  Mas se tornar mãe e entrar na maternidade é uma experiência maravilhosa e, repito, bem esquisita.

A figura materna é, no geral, bem parecida.  Tanto aqui como do outro lado do mundo, os comportamentos não são muito diferentes.  Mas as mães latinas são um caso à parte.  A força da imagem materna na  nossa cultura beira à santidade, talvez por causa da influência religiosa impregnada na nossa história.  Tanto é que o xingamento à mãe de alguém muitas vezes é até motivo para se cometer um crime - menor, claro, do que o crime de se xingar a mãe de alguém.  Numa discussão, qualquer insulto é válido, desde que não se jogue a mãe no meio, porque aí já é covardia.  Sacrilégio. Pecado.  Não sei se por causa dessa devoção quase fanática às mães, muitas delas - as veneradas - incrementam mais o uso das chantagens emocionais com seus filhos.  E não adianta, depois que a gente entra na maternidade também faz muita chantagem emocional-maternal.

Depois do Natal o Dia das Mães é a data mais comemorada que temos por aqui.  Neste ano, os ovos de Páscoa que restaram ainda não haviam sido retirados das gôndolas e já havia anúncios sobre o Dia das Mães.  Uma variedade de kits de perfumes, maquiagens, celulares, flores e corações de pelúcias inundaram as lojas de todos os lugares.  Como acontece no 2º domingo do mês de Maio, quem não fez reserva  encara filas imensas nas portas dos restaurantes, não sem antes ter se rasgado todo para comprar alguma coisa, nem que seja uma "lembrancinha", afinal, todo o sacrifício é válido, não é?

É assim todos os anos e assim será, afinal, Dia das Mães é praticamente um feriado santo porque toda essa movimentação fica bem parecida com alguma festa religiosa, não é mesmo?  E mesmo que seja uma besteirinha, não adianta, se a gente não se lembrar ou não for lembrada nesse dia é como se fosse xingada.  E xingar a mãe não vale, é covardia, sacrilégio e pecado.  E tenho dito!




Passamos o Dia das Mães em casa, porque:

1. Choveu muito.

2. Aprendi que sair para almoçar no Dia das Mães é quase o mesmo que ir para a final de um jogo de futebol: multidão e correria, porque não há um lugar, um sequer, que não tenha uma montanha de gente enfileirada esperando vaga para sentar ou estacionar.  Tô fora!