A Pior Mãe do Mundo! E do Campinho Também

Se existe uma coisa que mais enlouquece as mães é quando a criança se recusa a comer, porque é nessas horas que eu acho que o instinto de sobrevivência maternal fica mais evidente, afinal, a gente não quer que a nossa criança morra de fome (coloque um tom bem dramático na frase morra-de-fome, ok?).  A menos que seja alguma coisa muito, super, hiper, mega, fantasticamente esquisita e séria, que leve a criança a não ingerir N-A-D-A, ela não vai morrer-de-fome, porque quando a fome bater com força a criança vai comer, muito ou pouco, seja um biscoito ou um prato de comida, mas ela vai comer e não vai morrer-de-fome. 

Davi está nessa fase: não come absolutamente nada, nem em casa nem na creche e isso me enlouquece. Vive à base de mamadeira, biscoito de maizena ou polvinho e alguns goles de suco ou água e a gente sabe que essa não é a melhor forma de viver, porque uma das coisas que mais deixam as mães felizes é quando sua criança bate um prato bem bonito de arroz com feijão, legumes, frutas, sucos, vitamina.  A gente até sente que a nossa barriga está cheia quando a barriguinha deles está forrada.

No domingo logo após o almoço a caipirada do Campinho encheu o automóvel e foi passear na praia de Copacabana,  já que os últimos fins de semana foram praticamente enfurnados em casa.  Apesar do sol, o tempo não estava lá essas coisas todas porque ventava muito frio.  Nem por isso deixamos de fazer um programa que gostamos muito, que é tomar sorvete no Alex, que é tudo o que resta em termos de sorveteria com sabores variados aqui nessa Cidade Maravilhosa (já falei da escassez de sorveterias nessa terra, aqui).  Davi, que até outro dia se esbaldava num sorvete, fez caras e bocas e não quis quase nada, apenas deu uma bicadinha no sorvete de damasco e eu acho que foi isso que provocou o desarranjo.

Durante a madrugada teve 2 diarréias bem feias, aguadas, grandes.  Tomou um pouco de Floralyte e comeu 2 biscoitos de cream cracker.  Pela manhã, como estava bem e não teve diarréia, resolvi levá-lo para a creche.  Só que assim que eu cheguei no portão, broooooooooounghgonghguonhg.  Foi o tempo para trocar a fralda lá dentro da creche mesmo e ir direto para o Pronto Socorro, AMIU, que era a menos longe de casa.  

Depois de 2 horas de espera, a médica o colocou no soro - 2 bolsinhas e mais 1 glicose.  Voltamos para casa 6 horas depois e foi quando comecei a notar que os olhos de Davi estavam inchados, como se ele tivesse chorado muito, mas como achei que não era nada demais, até porque a médica fez a revisão e não comentou nada, deixei passar.  E à noite fomos à pediatra, que já estava marcada, e assim que ela olhou o Davi, foi logo perguntando:  por que ele está com os olhos inchados?  Eu contei sobre o soro e ela: mas a médica não passou nenhum diurético?  Eu disse: Não! E ela: Mas ela sabia que ele tem cardiopatia congênita?  Eu respondi: É.... eu acabei não comentando isso...   Aí, pronto.  Ela me passou um belo sabão, porque disse que a médica entupiu Davi de soro e ele acabou retendo líquido e sendo cardiopata o ritmo cardíaco dele poderia ter se elevado por causa da quantidade de líquido no corpo, e ele deveria ter recebido um diurético assim que o soro acabou.

E como Maysa cantava, meu mundo também caiu!  Me senti a pior mãe do mundo. E da Freguesia, do Campinho e de Madureira.  E da praia de Copacabana e do Alex também.  Porque eu achei que não havia necessidade de dizer que Davi é cardiopata, coisa que o pai dele sempre faz quando o leva a algum Pronto Socorro, o que faz com que ele tenha prioridade no atendimento.  Portanto, não somente nós não teríamos mofado na AMIU por tanto tempo como ele poderia ter sido tratado com um diurético.

Depois de virá-lo e revirá-lo, Drª Andréia disse que estava tudo bem, mas que da próxima vez que ele fosse atendido como prioridade, porque não era uma questão de querer passar na frente das demais crianças ou de tirar proveito da situação, mas porque, não importa se a C.I.V. está fechada ou não - e além disso tem a estenose da veia pulmonar - ele tem que ser atendido no menor tempo possível e dentro das características de um cardiopata (se tomar soro tem que tomar diurético, por exemplo).

Só não me senti péssima porque Davi é uma fortaleza e já ontem mesmo começou a desinchar.  Seus olhinhos já estão quase normais e a fase aguda da diarréia passou.  Mas ainda continua sem querer comer direito.

Ah, sim, aproveitei também para perguntar à Drª Andréia sobre a estatura dele e após ser medido, ela mostrou no gráfico da caderneta que ele está na altura certa para a idade e que é bem provável que vá medir em torno de 1,75 m de altura quando adulto.  Coisa boa, não?

Mas... quem disse que eu estou satisfeita?



 Gente, como é difícil tirar fotos do Davi?


E ele não pode ver um cachorro que vai logo se atirando.  Ele não tem o menor medo e se o cachorro começa a latir, ele começa a gargalhar!  Eu, heim!




Meu futuro "jardim mexicano".  Já pintei as gavetas e alguns vasinhos, agora é só ter a maior-paciência-do-mundo e ver quais plantas poderão sobreviver àquela varanda sangrinolenta, onde todos os tufões resolvem se encontrar e ceifar toda a flora que ali estiver vivendo (tradução: as plantinhas das varandas vivem à beira da morte, ou por causa do vendaval que às vezes bate ali, ou por causa do sol inclemente, ou por falta de cuidados da dona. Ou por causa de tudo isso junto e misturado).