Craftices: Cômoda com Cereja de Bolo e...mais um Abajour!


Quando consegui vender o berço (caro) do Davi, via Internet, fui fuçar um criado mudo para colocar ao lado da minha cama e acabei encontrando essa "cômoda de madeira maciça".  Contatei a vendedora e solicitei "caradepaumente" um desconto, e ela acabou me saindo por R$ 80,00.  Isso já tem uns 3 meses.



De acordo com as medidas informadas no anúncio, a cômoda iria caber perfeitamente ao lado da minha cama, quer dizer, somente no único lado onde há espaço para colocar algum móvel, já que meu quarto é quadrado e a outra parede é tomada praticamente pela porta de vidro que dá acesso à varanda.  Porém, ao chegar no local, constatei que ela era bem maior do que o anunciado e que não caberia no espaço que eu tinha.  Mesmo assim, ao constatar o bom estado em que ela se encontrava, não duvidei e a levei para casa.  Ela não coube no quarto, mas ficou ótima na sala.

Encarar essa cômoda na munheca pura e simples era pouquíssimo provável, então, tive que me render e comprar uma lixadeira, um sonho de consumo que há muito tempo embalava as minhas noites. A partir de então, coloquei todo o meu coração nela a fim de reformá-la da melhor maneira possível, atentando aos detalhes e sem afobação.  Levei uns 3 fins de semana para terminá-la, não fosse um pequeno acidente que fez com que uma boa parte de trás descascasse e eu tivesse que lixar o tampo novamente.  Coisas da vida...



Depois que terminei todo o tampo, uma pequena lasca puxou toda a folha de madeira que o cobria.  Resolvi retirar tudo, até porque, como o móvel já é bem idoso, a madeira estava seca e quebradiça.  Essa folha de madeira fazia toda a diferença, porque quando eu fui pintar o tampo, a tinta não igualava e a pintura ficou com várias falhas.  Ao final, decidi, então, colocar um pedaço de vidro, não somente para proteger o tampo mas também para dar um melhor acabamento.


Depois que retirei todo o verniz ela ficou com esse aspecto de móvel de demolição.  Eu e marido achamos que assim havia ficado muito bonito também, porém, resolvi ir adiante e tascar um vermelhão, mas eu queria um tom mais escuro e então pinguei umas gotas de corante preto para fechar mais a cor.  Utilizei a tinta esmalte à base de água.  Passei 2 generosas demãos nela toda.  Antes, claro, passei o fundo preparador - a tinta P.V.A., para igualar a tinta.




Comecei de baixo para cima e para a pintura do interior eu usei primeiro a tinta spray por causa da praticidade, mas depois passei uma demão bem generosa também com a tinta esmalte.  Antes de virá-la para pintar o tampo, que ficou por último, colei pedaços de feltro nos pezinhos, para que ela deslizasse fácil, não arranhasse e não incomodasse meu vizinho.



Aqui, já no momento em que o tampo e a tinta me pregaram uma peça e eu tive que repintar uma boa parte da cômoda.


Eu só iria pintar a frente das gavetas, mas aí me empolguei e pintei dos lados e nos fundos.  A ideia era colar papel de presente na parte interna, mas o que eu havia comprado era fino demais e não iria ficar lisinho.  Me lembrei, então, da chita que eu usei para cobrir o tampo do primeiro baú de palha. Para finalizar os cantinhos, colei sianinha com cola quente. 


A cereja do bolo

Como ela veio com 2 puxadores quebrados - eles eram de madeira - resolvi trocá-los por outros, mas eu queria algo diferente, que não a deixasse com aquele ar de cômoda clássica - porque isso ela já tem -, mas que fosse algo mais despojado e aí, quem entrou em ação?


Vero Kraemer!!!

Sim, os puxadores são dela, que os fez com o maior carinho e cuidado.  Mandei algumas fotos do processo de pintura e nem me preocupei muito com o que ela iria fazer, porque eu tinha plena certeza de que o resultado seria absurdo de ótimo.

E aí ela me manda não somente os lindos puxadores, mas uma velinha e um bilhete tão carinhoso.  Aí, eu, durona e machona.... chorei!  Olha isso...


Para arrematar, fiz novamente-mais-um abajour, dessa vez com um garrafão de vinho que eu já tinha há muito tempo (não, não é sobra de Natal).  Cobri a cúpula com esse tecido estampado azul-garrafão e fiz o acabamento com grelots azul-garrafão também.  Achei que ficou tudo tão bonito...



E aí, a cômoda ficou assim:











Eu gostei muito deste trabalho, mas eu acho que a cereja desse bolo são os puxadores da Vero. Eles fizeram toda a diferença no móvel. E não somente isso, trabalhar com ela é muito bom, porque a Vero abraça o projeto também e esse é que é o seu diferencial.  Seria muito fácil e impessoal se ela somente mostrasse um portfolio e ficasse encastelada no seu atelier aguardando encomendas.  Mas o bom é isso: quando a gente encontra quem adota também o nosso trabalho e se joga junto.

Aí eu viciei nesse negócio de catar móvel antigo, bom e barato e já comprei outros 2 que em breve irei postar.  Um deles foi, enfim, o criado mudo que coube certinho ao lado da minha cama e que irá receber seu tratamento de beleza.  O outro estava tão bom, mas tão bom que a única coisa que eu fiz foi passar um verniz por dentro dele e nada mais.

Tudo isso e muito mais no Globo Repórter, não, nos próximos capítulos.

Quero deixar aqui, mais uma vez, meus agradecimentos pelo trabalho e principalmente pelo carinho da Vero.  Eu enfatizei "principalmente o carinho" porque não faltam profissionais excelentes por aí, mas nem todos são tão educados, gentis e carinhos e que ficam mimando a gente, não é mesmo?  A Vero é assim.

Beijos, sua linda!