O Primeiro Ano do Resto da Minha Vida - Parte 2


E o choro do Davi não foi assim tão animado, não.  Chorou, parou. Alguns minutos depois, eis que o anestesista me traz aquela trouxinha pequenina, onde havia um bebê um pouco maior do que a mão dele!

Que bebê pequeno!  Por que nasceu tão pequeno assim? Miudinho mesmo. Sabe aquela sensação de expectativa meio frustrada?  Sim, porque, como eu havia imaginado, de acordo com o tamanho da barriga, esperava praticamente um bezerro! Davi nasceu com 45 cm e pesando 2.210kg.

Enfim, levaram o bebê para uma outra sala e começaram os procedimentos para fechar  a minha barriga.


Cheguei no quarto por volta das 7h30 e, mesmo sem poder falar, comecei a enviar mensagens para algumas pessoas informando sobre o nascimento do Davi.  Algumas iam respondendo, outras tentaram falar comigo, mas não conseguiram, claro.

Já haviam se passado umas 2 horas desde que eu havia chegado no quarto, e nada de trazerem o bebê.  Ok, eu ainda estava anestesiada, meio mais-ou-menos, e tentei cochilar um pouquinho, sem conseguir.

Quando o relógio marcou 13 horas, concluí que já havia passado tempo suficiente para as enfermeiras trazerem o bebê e comecei a perguntar para o pai o que estava acontecendo.  Pedi para que ele fosse ao berçário verificar se havia alguma coisa errada porque, a essa altura, muitos bebês já estão com suas mamães. Um pequeno sinal amarelo acendeu na minha cabeça.

Ao retornar do bercário, o pai disse que o médico responsável estava tentando contatar o pediatra que acompanhou o parto.  "Por que"?  "É para liberar o bebê" - acho que foi algo assim que ele respondeu.  Aguardei mais 2 horas e, enfim, decidi ir  ao berçário do jeito que estava. Sim, mesmo operada, ainda meio grogue, levantei (que dificuldade) e fui me arrastando até lá. O sinal amarelo começou a piscar.

Ao chegar, encontrei o chefe da Neonatologia e dos berçários, que me trouxe a tal trouxinha já devidamente paramentada e enrolada na manta amarela. Confesso que, ao pegar Davi no colo, tive um estranhamento. Era tudo muito novo e esquisito mesmo.  Aquela pessoinha estava nadando dentro da minha barriga havia alguns meses e naquele momento estávamos começando a nos conhecer.  

O médico começou a explicar o motivo da demora em levar o Davi para o quarto: ele havia nascido com hipoglicemia e foi sendo administrado com leite até então para verificarem se o nível da glicose subia.  Tomou uma chuquinha de 10ml e *nada.  Depois de 2 horas, mais outra chuquinha de 10ml e *nada. O médico de plantão tentava contatar o pediatra para se certificar da necessidade de levar o Davi para a UTI Neonatal, e havia conseguido essa orientação alguns minutos antes de eu chegar no berçário.  "Se não levarmos seu filho agora, ele poderá ter uma lesão cerebral por conta do baixo nível de glicose". 

Ouvir essas palavras assim, na lata, algumas horas depois de colocar um filho no mundo é muito estimulante.... "Então, vambora, ué!"




*nada (nesse momento, cada *nada significou uma agulhada no pezinho dele para tirar uma gotinha de sangue, a fim de verificar o nível da glicose, ok? Esse procedimento se repetiu durante os 5 dias de internação, duas vezes por dia)

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