O Primeiro Ano do Resto da Minha Vida - Parte 1


(Tá, eu sei, título bem clichê, mas é para resumir um pouquinho a história)

2010 – Um ano para se lembrar sempre, não se esquecer jamais.

2010 é o primeiro ano do resto da minha vida, pois é o marco do nascimento do meu filho Davi.

Davi nasceu em 22 de dezembro de 2009, às 5h23, numa maternidade 6 estrelas, ultra top, mega hipe, super fashion – Perinatal da Barra da Tijuca. Mas depois eu explico o motivo dessa esnobação....

No dia anterior, uma segunda-feira, fui a última consulta com a obstetra, que havia me colocado de molho em casa na quinta-feira da semana anterior, por conta da oscilação da pressão.  Se não houvesse alteração no quadro de então - pressão alta, ausência de dilatação e de encaixe do bebê, a médica iria marcar a cesariana para depois da última consulta, o que efetivamente aconteceu.

Eu estava muito, muito, mas muito inchada havia 1 mês, não conseguia andar direito, deitar direito, levantar direito, fazer nada direito.  Muito inchada e com uma barriga imensa.  E daquela imensidão de barriga imaginei que sairia um bebê muito grande, pesado e super saudável.

Porém - e essa palavra vai ser muito usada por aqui, entre outras - havia uma ultrassonografia de novembro que apontava uma placenta Grau II, aos 8 meses.  Deixei passar, e a médica – me parece – também não atentou para o fato.

Além disso, no exame cardíaco intrauterino, havia uma pequena ‘diferença’ entre os ventrículos, e a sugestão do médico foi de repetir o exame assim que o bebê nascesse. Claro que, neurótica que sou, fiquei muito preocupada.

Para ficar mais emocionante ainda, nesse mesmíssimo período, o bebê, que até então tinha sido identificado com MENINA, era um MENINO.  O Chá de Fraldas, uma semana antes, teve com lembrancinha, potinhos de brigadeiro com os dizeres ‘Um Beijo da Eloá’.  Mesmo fazendo 2 exames para constatar o sexo, achei melhor esperar o parto para me certificar.

Um choque. Dois choques. Mas não era nem o começo dos outros choques.

Voltando à tal da última consulta, verificou-se o quadro inalterado e a médica marcou a data para o grande dia da minha vida: the day after! Literalmente, o dia seguinte!E corre para fazer unha, e corre para arrumar as últimas coisas que faltavam. 

Cheguei à maternidade por volta das 21h30, fiz o check in e fui para o quarto mas, claro, não consegui dormir.  A expectativa era muito grande, em poucos minutos iria conhecer o meu bebê, que achei até que não iria mais chegar (mas isso já é outra história).

Por volta das 4 horas da manhã, chega a obstetra, juntamente com sua auxiliar, e me dá as pré instruções do parto. Às 5, chega o maqueiro e lá vou eu mergulhar nessa aventura meio esquisita.

Ao entrar no centro cirúrgico, sou recebida pela equipe da obstetra e pelo anestesista - um homem simplesmente maravilhoso - que vai me dizendo o que ele irá fazer e o que eu irei provavelmente sentir.  Confesso que a situação não me agradou, ficar ali, atada, sem chances de defesa me deixou um pouco incomodada.

Começam os procedimentos e, em dado momento, o anestesista se inclina por sobre minha barriga para fazer uma pressão e eis que escuto um choro pequenino: era Davi que acabava de nascer.