H.I.

A cirurgia das hérnias do Davi foi um sucesso.  Chegamos na Pronto Baby em torno das 12 horas e ele foi internado às 14.  Às 16 horas, Dr. Martinelli, juntamente com o anestesista, Dr. Flavio, nos chamou numa ante-sala do centro cirúrgico e nos passou as últimas instruções.  Em determinado momento, Dr. Flavio começou a brincar com o Davi, o pegou no colo e o levou. De dentro de uma sala, creio que o centro cirúrgico, ouço um UAAAAuaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa..... e depois um silêncio total.  Talvez tenha sido a hora da anestesia.

Geralmente, quem é portador de Hipospadia tem também Hérnia Inguinal ou H.I. – que é outra sigla inventada por mim, afinal, esse é um blog Ultra Top, Mega Hipe, Super Fashion.

Quando a gente adentra determinado universo, acaba absorvendo alguns conhecimentos que até se fazem necessários para entender todo um processo  ou situação.  Porém, para ser mais precisa, vou colocar uma explicação do que seja H.I. que encontrei no deus Google:

2 - O que causa esta Hérnia inguinal ?
 
Vou explicar primeiro o que ocorre nos meninos porque é mais freqüente, e mais fácil de entender!
Durante a gravidez, na formação intra-uterina dos genitais masculinos os testículos são formadas dentro do abdome ("barriga") da criança, e eles vão descendo até que no 7º ou 8º mês forma-se um "túnel", um "canal" na musculatura inguinal ("virilha"), pelo qual os testículos descem até a bolsa escrotal. Este canal deve cicatrizar e desaparecer até o nascimento, e se isto não ocorrer permanece aberto um canal, um túnel por onde podem sair de dentro do abdome os intestinos em direção ao escroto.

Nas meninas este "túnel" se forma para permitir a passagem do ligamento redondo (um dos mecanismos de fixação do útero) em direção aos grandes lábios.

3 - Porque a hérnia inguinal precisa ser operada ?
 
A cirurgia é necessária porque :
- Não existe a possibilidade de fechamento espontâneo deste túnel. 
- A permanência do intestino dentro deste canal causa desconforto, impede a prática de esporte nas crianças maiores, e prejudica a longo prazo o desenvolvimento do testículo. - Principalmente pelo risco de encarceramento e estrangulamento da hérnia!

Em momento algum Davi apresentou qualquer abaulamento, nem quando chorava, ou tossia, ou fazia algum esforço, porém, a suspeita da presença das hérnias surgiu numa consulta ao primeiro cirurgião pediatra que iria tratar da Hipospadia.  Para se certificar, ele pediu uma ultrassonografia, que acusou o não fechamento do canal inguinal, o que determinou a necessidade de cirurgia.  Como o resultado do hemograma pré-operatório mostrou que os hematócritos estavam abaixo do normal, ou seja, anemia, a cirurgia foi suspensa e Davi só foi operado depois de quase 2 meses.

Em consulta ao Dr. Martinelli, e como havia alguns outros “consertos” a serem feitos, o médico sinalizou a possibilidade de operar tudo de uma vez, fazer uma espécie de barba-cabelo-e-bigode de 5 procedimentos. Ótimo, pois quanto menos anestesia, centro cirúrgico e internação, melhor, não é?  Portanto, Davi operou as 2 hérnias – direita e esquerda, o primeiro tempo da hipospadia, o freio lingual (ele nasceu com a língua plesa, ia ficar falando igual ao Cebolinha) e a Orquidopexia, que é a colocação do testículo esquerdo no saquinho pois, apesar de ter sido mãe bem tarde, eu ainda quero ter netos!

A cirurgia durou em torno de 1 hora e meia, bem rápida, não? Nesse meio tempo, sabe o que eu fiz?  Palavras cruzadas, meu mais novo-velho vício. Eu ia fazer o que? Começar a espernear? Tentar invadir o centro cirúrgico gritando "me deixa ir junto, me deixa ir junto", "me larga, me larga" igual a enterro de pobre? Não, né. Segurei a onda numa boa, tanto que, quando o Dr. Flavio trouxe o Davi para o quarto e me perguntou: "Mãe, você está nervosa?", dei uma de Scarlett Ohara e respondi: "Depois eu penso nisso". E realmente não fiquei nervosa, aflita, sim, mas  não naquele momento, só depois, beeeeeem depois.

A alta foi à noite e Davi passou 1 semana tomando quatro banhos por dia, sendo dois de “assento” - coisa antiga, heim?  No dia seguinte à cirurgia, parecia que ele nem havia passado por tudo aquilo. Rolava de um lado para o outro, só mostrava sentir dor quando eu fazia os curativos.  As duas incisões laterais pareciam duas linhas fininhas, como se ele tivesse sido arranhado.  Na medida em que ele cresce, essas cicatrizes irão diminuir e ficar imperceptíveis.  Crédito dele, que tem uma saúde de ferro, e do Dr. Martinelli, que tem  mãos de pluma.