A Lei da Palmada

Como esperado, o Projeto de Lei nº 7.672/2010, também chamado de "Lei da Palmada", aprovado na semana passada pela Câmara dos Deputados, vem criando polêmica. Pela lei, os pais que utilizarem de palmadas na correção de seus filhos poderão ser punidos criminalmente.

A seu favor, além dos nobres parlamentares, há também - óbvio - a Secretaria Nacional de Defesa da Criança e do Adolescente e uma quantidade respeitável de psicólogos, sociólogos, antropólogos e outros ólogos de plantão. Na contramão, uma boa quantidade de pais, que alegam que o Estado não tem o direito de intervir na educação e correção de suas crianças.  Claro que estou incluída nesse último grupo.

Eu não sofri muita agressão física quando pequena.  Não que eu tenha sido uma santinha, mas fui uma criança muito retraída e obediente, mais por conta da necessidade de aceitação do que por bons modos. Mas era respondona.  E criança respondona é muito, mas muito irritante. Portanto, as sovas que recebi foram poucas e bem aplicadas.

É claro que não aprovo qualquer tipo de violência contra criança, seja ela física, verbal ou psicológica. Acredito que muitos conheçam relatos de pessoas que nunca apanharam fisicamente na infância, porém, as palavras ou a tortura psicológica que receberam deixaram estragos inimagináveis em suas vidas.  Por outro lado, me espanto em saber que existem pais que não chegam a bater, mas beliscam ou dão cascudos em suas crianças como forma de corretivo e não acham que isso seja violência!

Criar filhos nesses tempos é um desafio para os pais desta geração. Como dosar uma correção, de forma a não se cair nos extremos? Como impor limites com amor e sabedoria? Como criar filhos saudáveis, que irão se tornar cidadãos de bem e psicologicamente equilibrados?  Como ter autoridade sem ser autoritário?

Pois é, eu ainda não tenho resposta para nada disso, pois minha experiência com filho está apenas começando.  Mas o Davi, com apenas 2 anos, já tem me imposto alguns desafios.  E, confesso, eu dou umas palmadas nele, sim, como já comentei aqui.   Tenho aprendido a me controlar, de forma a não puní-lo de cabeça quente, o que fatalmente me causaria um sentimento de culpa monstruoso. Mas não abro mão de corrigir suas malcriações, mesmo que seja com um tapa no traseiro ou na palma das mãos (e aqui vai um alerta: NUNCA bata na parte superior das mãos, pois você pode causar uma tragédia rompendo veias ou vasos da criança!).

Não vou esperar que meu filho me bata ou me humilhe, porque se eu não o corrigir agora, a tendência é que ele tenha grandes chances de se tornar uma pessoa que não respeita ninguém, e o que mais se vê hoje em dia é crianças cheias de vontades, que se acham donas do próprio nariz e que não respeitam seus pais e, ainda pequenos, agridem seus professores e, quando crescem, ateiam fogo em mendigos e índios e batem em domésticas ou prostitutas. Estou exagerando? Pois vá aos links e veja o perfil desses agressores: meninos mimados que nunca souberam o significado da palavra LIMITE!

Como já afirmei várias vezes aqui, eu não sou especialista em nada, muito menos qualquer-coisa-óloga.  Mas não vou deixar de corrigir meu filho dentro daquilo que eu acho JUSTO! A gente sabe que as crianças desafiam e às vezes nos levam até ao máximo do nosso limite, e a vontade de dar uma boa sova não é tão incomum assim, não. Por outro lado, não posso aceitar que o Estado interfira na maneira como vou criar meu filho. Acredito, sim, que toda a agressão física deve ser severamente punida - e para isso já existem leis -, principalmente em se tratando de crianças e idosos, pois não têm condições de se defenderem.

Existe uma frase que diz que: quem ama educa, e eu creio que educar inclui corrigir, mesmo que com uma palmada, porque há momentos em que o diálogo simplesmente não funciona. Tudo, claro, com sabedoria, com equilíbrio e, sobretudo, com AMOR. É difícil? Ué, e quem disse que é fácil? Fácil é ignorar e deixar que a criança trace seus limites sozinha, o que já é uma tremenda covardia, afinal, a tarefa de educar não cabe a ela e sim aos pais.

Talvez os nobres parlamentares - na falta do que fazer de realmente útil e edificante-, não saibam distinguir agressão de correção.  Talvez eles nunca se deram conta de que pé de galinha nunca matou pinto!