Somos Todos Iguais esta Noite

Como muita gente sabe, eu odeio o verão, algo um pouco estranho para quem mora no Rio de Janeiro. Detesto tudo e sofro muito nessa época do ano. Sofro porque não suporto calor, suo de pingar, de ficar completamente molhada, o que me causa o constrangimento de parecer estar passando mal. O que não deixa de ser um fato.

Tudo começa com o início do Horário de Verão, que me rouba preciosos 60 minutos de sono, o que, no acumulado, dá umas 3 décadas sem dormir. Por verão! Como já comentei aqui, o verão é a época em que todos os lugares estão cheios, de gente e de calor, tudo é caro, tudo é quente, tudo é insuportável. Época também em que nós, brasileiros e principalmente cariocas somos brindados com a visita do Aedes Aegypti, aquele mosquitinho fofo com pintinhas brancas e que a cada ano nos surpreende com um nível a mais em sua evolução epidêmica. Este ano, por exemplo, já temos a dengue-tipo-4, seja lá o que isso signifique.

Portanto, assim que os dias começam a ficar mais longos e percebo o aumento da temperatura, começo a lamuriar e a contar dias e horas para que essa estação infernal seja rápida e que o meu tão amado e idolatrado Outono chegue, com seus dias e noites sequinhos e fresquinhos.  Porém, apesar de a-m-a-r essa estação, até outro dia não sabia, ou não tinha me dado conta, da quantidade de alérgicos que são vítimas dessa mudança de temperatura nessa adorável estação climática.

Davi teve 5 dias de febre e o raio X apontou catarro no pulmão. Assim como ele, ouvi relatos sobre outras crianças, filhos de colegas de trabalho e até de amigos, que sofrem um bocado nessa época. O coquetel geralmente é o mesmo: antibiótico + xarope + nebulização, muita nebulização.  Aliás, nebulizador é artigo de primeiríssima necessidade em qualquer casa que tenha uma criança hoje em dia.   Para mim é mais uma coisa nova, já que eu, por exemplo, não sofro com os mais famosos ITEs da estação: rinITE  e sinusITE, grandes motivadores da nebulização. Problemas pulmonares. Problemas respiratórios. Problemas no ouvido. Otorrinolaringologia. Não à toa o nome tem esse tamanho.  Enfim, a mudança do clima, que para mim é o céu, para muitos é o inferno.

Não importa se você tem plano de saúde ou não: todos os hospitais estão lotados, o que nivela todas as pessoas, visto que o atendimento leva, no mínimo, 3 horas, em qualquer lugar. O setor pediátrico fica mais parecido com uma creche desgovernada, com crianças de 0 a 12 anos, tossindo, com febre, na nebulização, chorando ou gritando por conta de alguma injeção no traseiro ou por causa do exame de sangue.  Dando uma olhada geral, os hospitais ficam parecendo um estacionamento rotativo, tamanha é a quantidade de pessoas que entram e saem do saguão. E quanto mais tarde, mais pessoas chegam, agitando a noite que  parece que dura mais que uma noite.

Este mês vai fazer 1 ano que Davi foi internado com pneumonia e bronquiolite. Foram 2 semanas em que a cada 2 horas uma enfermeira adentrava o quarto portando uma cestinha com remédios orais e para nebulização, muita nebulização. Enquanto isso, o saguão ficava coalhado de crianças, tossindo, com febre ou chorando. Ainda não havia me dado conta de que estávamos no Outono, meu adorável Outono, de dias e noites fresquinhos e sequinhos, mas que faz tanta gente penar com narizes entupidos e pulmões manchados.

Ainda assim, continuo amando essa estação do ano. Não fico pingando de suor, consigo usar meus perfumes, fico mais calminha e alegre, consigo dormir bem (na medida do possível, claro!). Porém, para uma multidão de pessoas, crianças principalmente, é época de sofrimento.

Mas, tudo bem, não há de ser nada. No inverno a gente tem gripe suína.