Integridade é...

Compartilho com vocês o texto da blogueira pernambucana Téta Barbosa, que foi publicado no O Globo nessa semana com o título "Marchando para o Jardim da Infância".

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Já passou o 7 de Setembro, mas o povo continua marchando. Virou moda! Teve a marcha para legalizar a maconha, a marcha contra a violência, a da liberdade, a favor das rádios comunitárias e agora, como não poderia faltar num país como o nosso, a marcha contra a corrupção!


Acho bonito essa liberdade de expressão.

Acho, inclusive, que as marchas são o ponto alto da democracia.

Mas, confesso que a marcha contra a corrupção me dá bem pouca esperança de que as coisas mudem no país.

Isso porque, a honestidade é coisa que vem de berço.

Da família, da educação e dos valores.

O cara que aceita propina numa licitação é o mesmo cara que roubava o lanche do coleguinha no recreio. O mesmo que joga lixo pela janela do carro e o mesmo que estaciona na vaga de deficiente!

Se o pirraia foi pego filando (colando, em pernambuquês) na prova de matemática na terceira série e seu pai, no lugar de deixar o menino de castigo uma semana sem playstation, ficou orgulhoso, ele vai ser corrupto. Seja ele político ou não.

Porque corrupção, minha gente, não está só na política!

Temos o costume histórico de xingar os políticos, mas não nos revoltamos quando o vizinho do oitavo andar deixa seu cachorro (cuja criação no prédio não é permitida), utilizar o elevador social (duplamente errado) e aproveitar para fazer um xixizinho ali mesmo (triplamente não autorizado).

As pessoas desrespeitam regras, ignoram leis, furam filas, driblam o Imposto de Renda, e tem coragem de marchar contra corrupção?

Talvez tenha sido justamente por isso, que só 400 pessoas compareceram a tal marcha. Das mais de três milhões que moram da Região Metropolitana do Recife, só 400 fizeram a lição de casa! Porque, né, ou se é o honesto ou não.

Pense numa coisa que não tem meio termo: é a honestidade.

Não dá pra ser 75% honesto.

As coisas mais importantes da vida (em sociedade, pelo menos) a gente aprendeu no jardim de infância. Se lá, quando eles (nosso queridos representantes do povo) não entenderam que:

- Não se deve bater no amiguinho
- Não se deve pegar o que não é seu
- Se fizer bagunça tem que arrumar
- Se pegar emprestado TEM que devolver
- Se ofender alguém DEVE pedir desculpas
- Lavar as mãos antes de comer,
não vai ser agora que a gente, marchando ou não, vai conseguir enfiar isso na cabecinha oca dos nossos políticos ladrões.

E você, frequentou o jardim de infância?

Porque se frequentou, eu sugiro que façamos uma marcha pela HONESTIDADE.

Dentro e fora de Brasília!



Concordo com muita coisa que a blogueira escreveu, porém, acho meio radical dizer que "O cara que aceita propina numa licitação é o mesmo cara que roubava o lanche do coleguinha no recreio."  Só se esse cara não foi disciplinado a tempo e corretamente! Nem sempre é assim, senão, todos os que tiveram bom comportamento não teriam se tornado ladrões ou corruptos. Não posso afirmar que a criança que teve seu lanchinho roubado tenha se tornado um adulto acima do bem e do mal.


Outra parte que também não concordo no texto é:   

As pessoas desrespeitam regras, ignoram leis, furam filas, driblam o Imposto de Renda, e tem coragem de marchar contra corrupção?

Talvez tenha sido justamente por isso, que só 400 pessoas compareceram a tal marcha. Das mais de três milhões que moram da Região Metropolitana do Recife, só 400 fizeram a lição de casa! Porque, né, ou se é o honesto ou não.

Pense numa coisa que não tem meio termo: é a honestidade.

Não dá pra ser 75% honesto.

 Não participei - ainda - de alguma dessas marchas contra a corrupção, pelo simples fato de não ter tido oportunidade (tipo, tempo, por exemplo). Mas isso não me faz ser ou ter 75% de honestidade nas minhas veias!  E, vamos falar sério, tem muito cara de pau por aí que está, sim, participando dessas marchas, porque acha que não é desonesto. Quer um exemplo? Quem abre um pacote de biscoitos no mercado e, após consumí-lo joga o pacote num canto e diz que "já está pago" se considera desonesto? Não. Pelo contrário, acha até que está praticando uma espécie de "justiça social", porque justifica seu ato a partir do comportamento reprovável de alguma autoridade.  É aquele tipo de pessoa que pensa: se "eles" fazem, por que eu não vou fazer?

Como eu já havia comentado aqui, as crianças copiam tudo que vêem em nós, pois somos espelho e nosso comportamento se reflete por toda a vida deles. A cena do biscoito tem sido constante nos mercados por aí,  então, se isso acontece às claras, num lugar público e apinhado de gente, o que a criança acha que pode fazer às escondidas? Como diz a frase da imagem acima, integridade (e honestidade) é fazer a coisa certa quando ninguém está olhando. 


Eu já me preocupo com isso, e olha que o Davi não tem nem 2 anos de idade. Por que? Você acha que ainda é cedo? Eu, não!

Mas sem neura, tá, porque o que há em nós emerge naturalmente, apesar de que nosso bom comportamento não é garantia de que tudo vai sair como planejamos. O que nos resta é esperar que nosso exemplo, aplicado, funcione.

É o preço de ter filhos, né...