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O nó no cadarço


 
Por indicação do Dr. Martinelli, levamos Davi esta semana à consulta com a endocrinologista.  Na verdade, eu não havia entendido direito qual seria a relação entre a hipospadia x estreitamento do canal da uretra x endocrilonogia/hormônios.  Na verdade, no caso específico do Davi, e de acordo com a médica, não há exatamente nenhuma relação entre uma coisa e outra.
 
Meu "medo" era que, caso fosse indicado o uso de hormônios, Davi ficasse com o piu-piu muito "calibroso", ou seja, mais grosso do que deveria.  O problema do xixi estreito é que na ponta do piu-piu começa a se formar uma película que dificulta a saída normal do líquido, o que faz com que ele faça muita força ao urinar - e que me dá uma angústia danada.    A médica, então, informou que, na medida em que ele crescer, tudo vai crescer (!) e o canal da uretra, crescendo, irá aumentar seu espaço e impedirá que a tal película se forme e aí ele irá urinar normalmente. Assim também tenho aguardado esse dia até agora.
 
Ainda assim, ela indicou exame de sangue para testosterona e hormônios de tireóide, além de radiografia de mãos e punhos para verificar a idade óssea.  Davi está na altura certíssima, exatamente na altura que deve ter na idade em que está: 1,11 mt. 
 
Mas quem disse que eu me conformo com isso?
 
 
 
Momento dramalhão-de-mãe
 
E outro dia, chegando em casa, Davi me aborda dizendo que já sabe dar nó no cadarço do tênis.  Pegou o tênis e fez o nó dos cadarços bem certinho.   Oi?  Como assim, ele consegue fazer algo com esse nível de complexidade sem a participação especial de seus pais?  De sua mãe?  Sim, porque aprender a dar nó nos cadarços é um aprendizado para toda a vida, assim como aprender a andar de bicicletas.  E nesse momento tão histórico, cadê seus pais?  Cadê sua mãe?  Sua pobre mãe?
 
Perguntei quem o havia ensinado, ele disse que foi uma "tia" da escola...  hum...e aí, quando ele estiver sendo entrevistado como o melhor-qualquer-coisa-do-momento-no-mundo e perguntarem quem o ensinou a dar nó nos cadarços, ele não vai dizer que fui eu???
 
O preço de ser mãe moderna está ficando muito alto, não está?
 
Humf!
 
 
Vem muita craftice por aí, mas, como já é de praxe, falta tempo na minha agenda. 
 
 
 

Viver no Rio de Janeiro


Fonte
Eu não sou muito de postar notícias ou assuntos desagradáveis por aqui.  Não que eu seja aquele tipo de pessoa que nega a realidade, mas eu acho que, com tantas coisas ruins que nos acontecem no dia a dia, além da quantidade de fontes que jorram notas sobre tragédias e violência mundo afora, não seria este blog mais um difusor de mensagens negativas.

Infelizmente, porém, tem horas que a gente meio que cansa de viver numa cidade tão linda como o Rio de Janeiro que é, ao mesmo tempo, uma dessas fontes que jorram acontecimentos e notícias sobre a violência urbana.   E eu usei o verbo "viver", ao invés de "morar" porque a sensação de ser mais um próximo alvo de bala perdida é constante.

O Rio de Janeiro é um Estado e uma Cidade singulares.  Não sei se existe outro lugar tão cantado quanto este aqui.  Conhecido internacionalmente, é a Cidade Maravilhosa, de encantos mil e isso realmente não há como se negar.  Nós, os "cariocas", temos fama de tudo: amigos, superficiais, legais, vagabundos, festivos, pornográficos, cordiais, mentirosos, "malandros", hospedeiros, enfim, um caldeirão de características boas e ruins que talvez seja a essência da própria cidade.

É muito bom morar no Rio de Janeiro.  Temos a natureza ao alcance das mãos, com praia e montanha ao nosso redor.  Sendo um lugar turístico, sempre há um cantinho a ser descoberto, uma floresta, uma praia, uma cidadezinha no interior.  Os maiores e mais importantes eventos mundiais acontecem por aqui: Copa do Mundo, Olimpíada, chegada do Papa Francisco, shows de artistas internacionais.  Aqui, tudo é grande: do maior carnaval da Terra, ao (ex) maior estádio de futebol do mundo, maior nível de temperatura no verão, passando pelo preço dos serviços, também maior que a maioria dos lugares.

Mas nos últimos tempos as coisas estão meio que desandadas.  Nada que seja novo por aqui, pois vivemos com a violência batendo à porta diariamente.  Porém, quando a maternidade chega, parece que alguns acontecimentos tomam uma outra dimensão.

Em apenas 1 fim de semana, tivemos o caso de 2 crianças atingidas por balas perdidas.  Bala perdida é uma expressão que não faz muito sentido, afinal, o projétil não sai da arma sozinho.  Seja por uma troca de tiros entre traficantes e policiais, ou durante um assalto ou até mesmo, um tiro para o alto - que foi o caso da menina Larissa -, não existe bala que seja perdida, pelo contrário, ela tem um destino que muitas vezes, infelizmente, é algum inocente.  Já tivemos o caso do menino João Hélio, arrastado pelo carro no momento em que seus pais foram assaltados.  Um caso horrível, que entrou para a história da cidade e do país e que até hoje ainda choca muita gente.  Além dele, outros vários casos de... bala perdida que atingiu crianças, matando algumas.

O problema desse tipo de violência é que a tal bala perdida é invisível e isso é provado pelo fato de pessoas serem atingidas fora de alguma zona de conflito.  No caso da Larissa, ela e seus familiares estavam em local onde não havia nenhuma manifestação de violência, troca de tiros, assaltos, nada.  Apenas um infeliz que decidiu pegar sua arma, apontar para cima e atirar, ato que deve ter-lhe trazido um prazer imensurável, afinal, como dizia a música, "você com revólver na mão é um bicho feroz."

Na última sexta-feira, tivemos mais um caso de bala perdida, dessa vez no Parque Madureira, lugar frequentemente visitado por nós.  Um rapaz, que estava assistindo ao Campeonato Mundial de Skate, foi atingido no queixo e no joelho por um projétil que veio sei lá de onde.  Felizmente, não lhe aconteceu nada de mais grave, porém, o susto fica.

E assim também, outros casos de bala perdida se repetem pela cidade, alguns fatais.  É claro que tudo isso é uma mistura do descaso dos governos que vem de décadas, em que a presença de bandidos foi se dando cada vez mais no meio onde vivemos, além, também, de uma falta de planejamento da área de segurança e envolvimento de policiais com o crime.  Isso não vem de agora, e o que me preocupa é ter que conviver com essa situação, como se normal fosse, como se morássemos numa zona de guerra (o que, de certa forma, é verdade).

Se como cidadã eu já fico preocupada, como mãe eu tento não entrar numa neura, porém, por casos assim, já reduzimos, e muito, a vida social noturna.  Quando existe alguma situação em que temos que sair à noite, um certo desespero paira sobre mim.  Seja para ir a alguma festa ou mesmo para levar o Davi ao hospital, sair à noite não me é tranquilo.  

A sensação de impotência é grande e temos apenas que contar com a misericórdia de Deus, mas estamos à mercê de algumas fatalidades.  Os últimos casos de bala perdida que mataram essas duas crianças mexeram muito comigo, porque não há critério para ser atingido por um projétil.  É a qualquer hora, em qualquer lugar, o que nos torna um alvo em potencial.

Minhas orações são que Deus nos permita viver o suficiente para vermos Davi crescer e se tornar um adulto saudável, uma pessoa de bem, educada, responsável, bem orientado para enfrentar as dificuldades que a vida nos traz e isso, às vezes, parece como pedir um milagre diário, quando se vive numa cidade como esta aqui.  Não que não haja violência em cidades pequenas, mas, como disse, a sensação de ser um alvo em potencial é algo bem alarmante.

Tenho muita vontade de me mudar para um lugar menor, com menos barulho, menos pessoas, menos agitação, menos fama, menos tumulto.  Morar no Rio de Janeiro é maravilhoso, mas viver aqui é para os fortes.



Na última semana levamos Davi à consulta pediátrica.  Está com peso e altura adequados para a idade e foi-lhe indicado apenas um remédio para vermes.  Ainda precisa fazer dilatações do canal da uretra, e já marcamos uma endocrinologista e um urologista pediátricos, para verificar o calibre do seu piu-piu.  Ou seja, este anos teremos ainda bastante mais de trabalho com sua hipospadia, mas graças a Deus que tudo tem dado certo.

O coletivo e o individual

   "Melhor é serem dois do que um, porque têm melhor paga do seu trabalho. Porque se caírem, um levanta o companheiro; ai, porém, do que estiver só; pois, caindo, não haverá quem o levante.  Também, se dois dormirem juntos, eles se aquentarão; mas um só como se aquentará?  Se alguém quiser prevalecer contra um, os dois lhe resistirão; o cordão de três dobras não se rebenta com facilidade." (Eclesiastes 4:9-12)
É sabido que o ser humano não nasce para viver isolado.  Sociabilidade, a meu ver, é uma característica quase que nata da nossa raça. Viver em grupo não deixa de ser uma forma de sobrevivência.   Existem, claro, pessoas que não conseguem viver entre seus iguais e que a melhor das situações é o isolamento.  Mas isso é exceção.

Numa determinada cena do filme Eu, Robô, o personagem interpretado por Will Smith chega num depósito onde existem vários containers que acondicionam os robôs obsoletos.  Ele nota um comportamento "humano": esses robôs, obsoletos, fora de linha, se aglomeraram de forma a não ficarem isolados, ou seja, se sociabilizaram.  Na verdade, o robô principal tem esse objetivo: ser o mais sociabilizado e humanizado possível.  Até as máquinas frias precisam uma das outras para não enferrujarem sozinhas.

A internação hospitalar em quartos individuais é uma espécie de sonho de consumo: ter a privacidade garantida, de forma que fiquemos à vontade para recebermos desde a equipe de limpeza até os visitantes.  Podemos colocar o ar condicionado no nível que nos agrada, além de termos o controle remoto da TV ao alcance do nosso gosto. O banheiro também é território único, quase um feudo, sem falar no frigobar, onde podemos estocar guloseimas que não são servidas no hospital.

No quarto coletivo, como o próprio nome diz, a movimentação, por óbvio, é bem maior, tanto da equipe médica quanto de quem visita ou acompanha.  Temos que dividir o ar condicionado,os armários, o banheiro, a TV, tudo.  Privacidade se limita à divisão entre as macas, que é feita por cortinas plásticas.  Uma conversa, uma soneca com ronco, um chulé, nada disso acontece sem que o vizinho paciente e seus acompanhantes não saibam ou não sintam.

Quando Davi, com exatos 4 meses de idade, foi internado com pneumonia, atalectasia e bronquiolite, ficamos, após a saída da UTI, num quarto coletivo com mais uma mãe e uma criança.  Naquela ocasião, nosso plano de saúde cobria hospedagem em quartos individuais, porém, não havia vagas disponíveis.  Foi apenas 1 dia dividindo o mesmo quarto e apesar de atravessar a noite sem dormir direito por conta do choro da criança, quando eles foram embora eu me senti só.  Nesse mesmo dia surgiu um quarto vago e fomos realocados para lá. 

E aí se passaram quase 2 semanas de isolamento.  Tínhamos um quarto com tudo dentro, mas as visitas eram poucas, afinal, quanto menos pessoas, principalmente em se tratando de criança internada, melhor.  Então, o que sobravam eram as aparições das enfermeiras e médicos. A sensação de solidão e isolamento não se dava apenas por estar num quarto individual, mas sim porque o mesmo não possuía janelas, o que fazia com que eu me sentisse dentro de uma jaula.  O que era para ser um luxo começava a se transformar numa agonia.

Um dia, o nosso plano de saúde mudou e não nos permitiu fazermos um upgrade para quartos individuais e desde então temos nos internado em quartos coletivos.  A perda da privacidade é sentida com muita força, mas parece que quando dividimos a situação com o outro os problemas e a estadia se tornam menos pesados e até a aflição de um quarto sem janelas fica menor.   Assim como os robôs obsoletos do filme, nos aglomeramos e nos socializamos, não somente por uma questão de educação, mas talvez por necessidade de não nos sentirmos tão só.

Não significa que dividir quarto coletivo seja o melhor dos mundos, mas também não é a pior das situações, porque dividir UTI é bem pior, e imagino que dividir um corredor deve ser pior ainda.  Apesar da falta de privacidade mas não reclamo de nada, pois tenho atendimento adequado às minhas necessidades. Vejo relatos de pessoas que aguardam atendimento médico em condições precárias e muitas vezes não são atendidas, então, me sinto privilegiada por ter essa oportunidade.

Só gostaria de ter o controle remoto nas mãos...


No último fim de semana, Davi foi submetido a mais uma dilatação do canal da uretra, pois a estenose na ponta do piu-piu tem estreitado o seu jato de xixi.  Deu tudo certo, como sempre, graças a Deus, mas acredito que esse procedimento irá se estender por um longo tempo.

Minha tendinite se foi, da mesma forma que veio: sem causa aparente, mas agora a mão direita está começando a arder.

Estou há quase 1 mês presa no nível 70 do Candy Crush Saga e no nível 80 do Farm Heroes e Davi agora está viciado em Angry Birds.  Ah, a tecnologia...


Uma garrafa ao mar e a espera


Quando, às vezes, me bate uma vontade monstro de fechar esse blog, vejo que ele funciona como uma mensagem dentro de uma garrafa lançada ao mar.   Porque fazer blog sem ser blogueira não é fácil.  Eu não sou blogueira, daquelas que têm uma quantidade razoável de pessoas que seguem, lêem e trocam contatos, mas creio que não falo para o vácuo. 

Meu objetivo, já comentei várias vezes, é  falar principalmente sobre a Hipospadia, um defeito congênito no órgão sexual do menino e que tem tratamento longo, a depender do seu grau, e que é o caso do meu filho Davi.  Contudo, como a vida é um círculo e em cada volta muita coisa muda, vou incluíndo outros assuntos, geralmente relacionados à infância e à maternidade, além de artesanato, que foi uma redescoberta na minha vida.

Tento não fazer uma geléia geral aqui, mas não me prendo ao assunto "hipospadia", até porque não sou médica ou especialista em nada, apenas quero dividir o que já experimentei nesses 4 anos convivendo com a hipospadia do Davi.  Nesse sentido, já conheci algumas mães cujos filhos nasceram com hipospadia e creio que através desse espaço tenho ajudado, de alguma forma, essas mulheres com suas dúvidas e angústias. 

A hipospadia requer paciência, como já bem falei algumas vezes.  Talvez por isso não haja tantas novidades no transcorrer do crescimento da criança, principalmente depois da(s) primeira(s) cirurgia(s).  Chega o momento de apenas esperar.  No caso do Davi, por exemplo, esperar que ele cresça para ver se a curvatura do seu piu-piu - chamada também de chordee - vai ficar mais acentuada ou não.  Esperar para ver se o seu canal da uretra vai continuar estreitando e, enquanto isso, voltar às dilatações.  Esperar que ele chegue à adolescência e que o médico lhe dê alta e diga que ele, a partir de então, estará em plenas condições de ter sua vida sexual da melhor maneira possível.   Esperar, enfim.  E esperar não é apenas um estado de coisas, é uma lição de vida, porque lidar com o stand by é uma forma de modelarmos a ansiedade, até porque, durante esse tempo, não há muito mesmo o que fazer.  

Assim como a garrafa lançada ao mar, espero que este blog alcance, de alguma forma, uma praia deserta onde haja um náufrago, para levar para ele - ou ela - alguma mensagem que seja útil e que lhe venha a ajudar de alguma forma possível. 

E enquanto a garrafa continua boiando pelos oceanos, o que se tem a fazer nada mais é do que... esperar.

Fibrose e um Coração nas Mãos

"Mamãe, Davi está apresentando dificuldades em fazer xixi."

Esta foi a mensagem mais recente que a professora do Davi enviou pela agenda escolar e algo inédito, já que nunca recebi esse tipo de informação dada pela escola.  Não entrei em pânico, muito menos me espantei, porque isso não é informação nova para mim, porém, fiquei, sim, muito, muito aborrecida, chateada, triste, me sentindo um tanto fracassada e... fraca. Mas nada se compara quando o teu próprio filho chega e diz:

- Mamãe, meu xixi está apertado e o Dr. Martinelli tem que consertar meu piu-piu.

Tem como não chorar?

O canal da uretra do Davi voltou a ficar estreito.  Depois da última cirurgia, que era para abrir um pouquinho a saída do xixi, achamos que, enfim, esse tipo de problema estaria resolvido.  Porém, um comentário ligeiro - e não me lembro se foi o Dr. Clodualdo ou o Dr. Martinelli quem fez - acendeu uma luzinha bem pequena e amarela em mim, algo como "tomara que não haja fibrose".

Seu primeiro xixi pós-operatório foi "lindo", como vimos falando para ele a fim de que se distraia de algum incômodo, mas com o tempo tudo cicatriza.  Ver o filho fazer xixi normalmente, com aquele jato forte e que faz barulho é motivo de alegria e satisfação para nós.  Porém, com o tempo, começamos a perceber que 2 coisas voltaram: a força que ele faz ao urinar e a ausência do barulho do xixi.  E aí, pensamos: temos que voltar às dilatações novamente-e-mais-uma-vez-de-novo.

A fibrose é um mecanismo benéfico ao nosso organismo, nada mais do que a reconstituição de alguma parte afetada por algum tipo de interferência, como uma cirurgia por exemplo. É a famosa cicatrização.  No caso do Davi, porém, essa fibrose tem se tornado uma pedra no sapatinho dele, já que ela faz com que a ponta do canal da uretra volte a se estreitar, afinando o jato do xixi e fazendo com que Davi tenha que voltar às dilatações ou, talvez, a uma nova cirurgia.  E a toda essa situação de desgaste em que nos encontramos.


Algumas tentativas de se fazer dilatação em casa não deram certo.  É muito estressante para nós, os pais, e principalmente, claro, para o Davi.  Não faço a menor ideia do que seja colocar uma sonda no canal da uretra, mesmo que se utilizando de anestésico tópico, mas imagino que seja muito incômodo e até doloroso. 

Um desânimo bate todas as vezes em que penso que tenho que internar o Davi para as dilatações.  Dura um dia inteiro esse processo.  Ele está crescendo e já entende o que passa ao seu redor, sente fome e pede água e algo para comer.  Isso angustia, porque deixá-lo com fome, por exemplo, me corta o coração, até porque, num lugar cheio de crianças, o que não faltam são biscoitos, sucos e outras coisas que elas comem enquanto aguardam sua vez para serem atendidas.

Mas se há possibilidade de se fazer reparos, que sejam feitos.  E considerando que sua alta médica deverá ocorrer lá pelos 13, 14 ou 15 anos (é... só na adolescência, quando estiver produzindo espermatozóides), então, teremos tempo e oportunidade suficientes para nos desgastarmos, renovarmos as forças e usá-las novamente e novamente e novamente.

E aí no dia em que recebi a tal notificação da escola, ocorreu o seguinte diálogo:

- Meu filho, você está sentindo dor para fazer xixi?"

- Ah, não tem problema, mamãe, não está doendo, o Dr. Martinelli vai consertar.

Tem horas que eu acho que ele é bem mais forte do que eu...




Hipospadia



Não sei se eu já esperava ou não esperava que o tratamento da hipospádia do Davi iria ter tantos e tantos desdobramentos, fases, etapas, idas e vindas. Na última quarta-feira ele foi submetido a mais uma intervenção cirúrgica, desta vez, para abrir um pouco mais o buraquinho por onde sai o xixi, já que o canal da uretra está realmente bom, porém, a saída do xixi está apertada.  Anestesias, cortes, pontos, pomadinhas. 

Eu perguntei para o Dr. Flávio, anestesista, se era comum esse vai e vem de cirurgias de hipospadia.  Ele disse que não muito, mas a hipospadia do Davi (como eu já falei por aqui também) era bem "braba".  Isso eu já sabia desde a primeira consulta com o Dr. Martinelli, que repetiu essa mesma frase umas outras vezes.  Mas a distância entre o que a gente sabe e o que a gente vive nunca é calculável, muito menos previsível.

Correu tudo muito bem, como das outras vezes e Davi está ótimo.  Ainda sentindo um pouco de dor para urinar, já que está com um corte e um ponto, mas seu xixi está saindo forte e normal, como deveria ser desde sempre.

Como eu também já falei por aqui, eu não fico nem um pouco nervosa dentro do centro cirúrgico, mas o que me aflinge é quando Davi começa a sair da anestesia e começa a chorar e a bater com os braços.  E depois também, quando já está consciente mas fica com medo de fazer xixi porque sabe que vai doer.  Impotência é o mínimo que eu sinto, já que nessas situações eu não posso fazer absolutamente nada por ele.

Existem hipospadias leves, severas e outras muitíssimo severas e o grau delas se dá basicamente de acordo com o tamanho do canal da uretra (quanto menor, pior, claro).  A do Davi era severa e requereu umas 5 ou 6 intervenções cirúrgicas, sem falar nas dilatações mensais que foram mais de 10.  Não sei se é ou foi assim com outra criança, mas que é cansativo, é.  Mas acho que é cansativo porque a gente sabe que um dia isso termina, porque se fosse algo que tivesse de acontecer pelo resto da vida a gente teria que se conformar e adaptar à rotina do dia a dia.

"Meu xixi está lindo" é a frase que Davi diz - até porque eu o incentivei, para não ficar com medo de urinar.  E aí, é até numa coisa corriqueira como urinar que a gente vê o quanto não dá valor para essas coisas corriqueiras e se importa mais com outras que consideramos grandes e importantes.  No caso do Davi é o ato de urinar, mas na vida de tantas outras pessoas é respirar sem aparelhos, ficar de pé, voltar a ver, se alimentar normalmente, correr, dormir, enfim, utilizar o corpo da maneira como ele foi ou deveria ter sido feito.

Não vou dizer que o processo acabou, porque ele terminou várias vezes e teve que recomeçar, mas espero que durante algum tempo Davi não apresente nenhuma necessidade de voltar a ser submetido a algum tipo de intervenção cirúrgica, por menor que seja, por conta da sua hipospadia.  Ou por conta de qualquer outra coisa também, claro.

Espero também que esses relatos sirvam para quem venha a ter filhos com hipospadia.  Que saiba que às vezes o processo demora mais do que a gente espera, mas que as coisas vão se resolvendo com o passar do tempo.  Acho que o importante de tudo isso é iniciar esse processo o quanto antes, assim que receber o diagnóstico.  Esperar apenas o tempo necessário, mas não postergar seu início porque quanto mais cedo, melhor para todos, principalmente para a criança.

No mais, como é bom ver Davi urinando sem fazer força.  Como é bom ouvir seu jato de xixi saindo forte!


Notícias Daqui e Dali e a Hora do Sono

Esta semana levamos Davi à consulta semestral com a pediatra.  Apesar da minha continuada cisma com a  sua altura, tudo está na mais perfeita ordem.  Altura e peso estão dentro da normalidade e, mais uma vez, foi apenas indicada a continuidade de uso de hidratante, já que sua pele está bastante seca ainda.

As coisas comigo são assim: se houver algum trauma, por mais que seja superado, ele vai me deixar algum resquício.  Digo isso porque até hoje as consultas pediátricas ainda me assustam, pois no tempo em que elas eram mensais - o que significa primeiro ano de vida do Davi - havia sempre alguma coisinha para esquentar a minha cabeça.  Um dos problemas que mais me marcaram foi a questão do peso dele, já que houve grandes oscilações (o gráfico da caderneta de vacinação chega a parecer uma cardiografia, de tanto sobe e desce).  Então, acredito que daqui a seis meses irei ficar um pouco em pânico por causa da próxima consulta.

Davi tem evoluído muito bem e se expressa cada vez melhor e claramente.  Na próxima semana iremos levá-lo, mais-uma-vez-novamente-de-novo and again, para uma cirurgia breve, pois como eu já comentei anteriormente, seu jato de xixi voltou a ficar fino e esta interverção será para abrir um pouquinho mais a cabeça do seu piu-piu, pois o estreitamento está exatamente lá.  É desesperador ver Davi fazer xixi, pois a força que ele imprime é bem grande, como se ele estivesse com prisão de ventre. Ainda tem também a curvatura, que teremos que esperar para ver como ficará daqui a uns 3 anos mais ou menos.

E nessas idas e vindas, já se passaram uns 3 anos.  Parece pouco, porém, sendo um tratamento, parece uma eternidade. E parece que tudo foi outro dia.  Muitas vezes eu me vejo me perdendo em datas e situações.  Não sei se é bloqueio da minha cabeça, mas alguns episódios se misturam, não em si, mas no tempo.  Alguns, claro, ficaram bem vívidos, como a madrugada que terminou na UTI pediátrica da Prontobaby, com Davi com pneumonia, atelectasia e bronquiolite.  Mas aí eu começo a me embaralhar toda quando me lembro das vezes em que tive que entrar no centro cirúrgico.  Com exceção das 2 primeiras cirurgias, as outras me confundem um pouco e aí às vezes eu não sei qual veio antes de qual. 

Não sei se isso é um mecanismo mental para não me deixar doida, o certo é que determinados detalhes se embolam na minha cabeça.  Sei e tento me convencer de que não se trata de negligência ou falta de atenção da minha parte, talvez porque, ao final de cada episódio, o que eu sempre quero é ter o Davi inteiro e bem.  Tem horas, sim, que me dá vontade de chorar muito, principalmente quando ele faz xixi.  Me dá um desesepro e aquela clássica culpa pelo fato de ele ter nascido com hipospadia.  

Mas tudo poderia ser pior, bem pior, e é aí que eu olho para Deus e agradeço porque Ele me deu a carga que eu posso suportar.  Pelo menos até agora, porque a gente só descobre a força que tem quando está dentro do problema.

O que tenho a dizer é: ser mãe é assustador.  Mas é uma bênção e uma satisfação sem tamanho.






Quando o Papa Francisco nos brindou com um feriadão, resolvemos levar Davi, pela primeira vez, ao cinema.  O filme em questão seria "Meu Malvado Favorito 2".  Não, não assisti ao primeiro filme, então, não sabia do que se tratava, mas li o resumo e vi que era "livre" e achei que seria adequado para a sua idade.  Os primeiros dias do feriado foram regados a muito frio e chuva, e o sol resolveu aparecer apenas no último dia, uma segunda-feira, tirando todo mundo da toca (carioca detesta frio e chuva) e levando multidões aos shoppings e cinemas.

Chegamos no shopping e a fila para a sessão das 16h00, que seria a ideal, estava imensa.  Enquanto aguardávamos a vez de comprar os bilhetes... Davi dormiu. Voltamos para a casa e fim.

No fim de semana passado levamos Davi ao Anima Mundi, o festival de animação que aconteceu aqui no Rio de Janeiro e que já foi para São Paulo.  Abre parêntese: apesar de saber muito bem da importância do eixo Rio x São Paulo em termos de projeção nacional e questões econômicas e sociais, não entendo porque um festival como esse (e tantos outros) não contempla os demais Estados da Federação. Será que os patrocinadores, organizadores e que tais desconsideram que existem muito mais pessoas interessadas em cinema e animação FORA da Ponte Aérea?  Para mim isso é, no mínimo, um tremendo absurdo. Fecha parêntese.

Enfim, como eu não entendi direito a programação, já que constavam vários filmes infantis no Cine Odeon em vários horários, chegamos quase na hora em que eu achava que iria começar o filme que eu achei que iria começar.  Era o penúltimo dia do festival, o tempo estava virando e acabamos descobrindo que a única sessão adequada para a idade do Davi era a das 12h00, um horário bem estranho, não somente porque o festival aconteceu em 2 lugares distintos - Cine Odeon e Fundição Progresso, ambos no Centro -, o que significava várias salas disponíveis, como também... que horário esquisito, logo no meio do dia!!!  Enfim, partimos, então, para a Fundição Progresso, que fica de frente para os Arcos da Lapa.



As distâncias entre os lugares são bem curtas, então, fomos a pé, quer dizer, Davi estava com o pé doendo um pouco por causa de uma leve lesão que teve no dia anterior, na escola.  Então, um pouquinho de dor somado com uma montanha de dengo deixaram o guri mancando um pouco e abusando um muito da boa e santa vontade do pai.  Foi no colo.




Assim como no episódio do shopping, acima, eu geralmente subestimo algumas coisas, achando que é só chegar um pouco antes do horário, comprar a entrada e tudo está certo.  Não.  Chegamos na Fundição Progresso um pouco antes das 14h00 e havia uma sessão 30 minutos depois que era própria para o Davi, mas que já estava esgotada. Hum... então vamos ver quais são as outras alternativas até a hora da próxima sessão, às 16h00:  as oficinas. Uma sala de massinhas.  Entrada a partir dos 8 anos.  Sala de areia.  Entrada a partir dos 8 anos.  Sala de desenho para fazer um filminho.  Entrada a partir dos 8 anos. Então, o que restou? Ah, sim, a sala 2, onde havia a projeção de alguns curtas infantis que eram adequados à idade do Davi, porém....estava com a entrada esgotada.



Mas haveria a próxima sessão na sala 2.  Teríamos, porém, que entrar na fila de distribuição das senhas - já que a entrada era di grátis - que começaria em torno das 14h30  para a sessão de 15h30.  Acabamos decidindo, então, a assistir a um filme - acho que era o último para a idade do Davi - que iria começar às 16h00.  Nesse meio tempo, entramos numa sala onde estavam projetando curtas beeem curtos, sem limite de idades (se bem que, depois do curta que assistimos, começou um outro que eu não achei adequado para o Davi).

Aproveitamos, então, os momentos que antecederam o início da sessão que iríamos assisistir para dar uma olhada em volta da Fundição Progresso.  A minha máquina está, a cada dia, pedindo para se aposentar, então, as fotos não estão boas e, além disso, é aquele negócio: tirar fotos do/com o Davi é osso!

Chegou, então, o grande momento em que Davi iria debutar a 7ª Arte.  O filme em questão se chamava Zambézia, a história de uma águia adolescente que sai do seu ninho e vai conhecer a cidade que dá o nome ao filme, e que é conhecida como a cidade dos pássaros.

Silêncio. Celulares desligados, olhos bem abertos, ar condicionado bem frio.  Eis que começa o filme.  Tela grande, som stéreo.

Após vinte minutos de filme... Davi dormiu.



Fim.


O que se Aprende, o que se Ensina

Eu acho que algumas coisas se aprendem desde cedo e não adianta muito tentar depois de uma certa idade, pelo menos comigo é assim.

Me lembro que há alguns bons anos eu tentei aprender a fazer crochê.  Eu já estava há um bom tempo na casa dos 30 e por maior que fosse minha disposição e boa vontade, eu não consegui aprender a crochetar.  Minha amiga Carmem, por outro lado faz, aos meus olhos de leiga, um crochê maravilhoso, já que ela aprendeu lá na sua tenra infância, muito antes dos 10 anos de idade.

Alguns ensinamentos vêm de acordo com a idade, porém, em alguns casos, nunca é tarde para se aprender.  A fase da escolaridade ocorre cada vez mais cedo e a meta geral é que aos 8 anos a criança já saiba ler e escrever e, de preferência, entender o que lê e escreve.  Contudo, há pessoas que pela falta de oportunidade só são alfabetizadas depois de viverem uma boa parte da vida.  Nesse caso, e em outros também, nunca é tarde para (re) começar.  Às vezes até mesmo aprender a crochetar, o que não foi o meu caso.

Andar de bicicleta, por exemplo, é um daqueles aprendizados que mesmo que a gente não aplique com muita frequência, nunca esquece.  Podem se passar anos sem se andar de bicicleta, porém, um dia quando surge uma oportunidade, nós mesmos nos surpreendemos quando nos damos conta de que não nos esquecemos.  

E então, a vida vai nos fornecendo aprendizados, alguns que conseguimos absorver, outros nos quais não nos adaptamos de jeito nenhum.  Quando me conscientizei que jamais saberei crochetar, toquei o barco adiante e fui aprender outra coisa.

Outras coisas também aprendemos sozinhos e existem até os autodidatas, aquelas pessoas que não frequentaram cursos ou escolas e que aprenderam o que sabem sem nenhuma orientação externa, apenas com esforço e talentos próprio.

E quando falamos do amor?  Será que aprendemos a amar ou o amor é algo intrínsico a nós? Porque, se não me engano, existem as mais variadas escolas e cursos e técnicas de aprendizados dos mais simples aos mais complexos, porém, qual é a escola do amor?  Existe graduação, diploma, notas?

Minha reação ao pegar Davi no colo pela primeira vez foi de estranhamento.  Achei tudo o que estava acontecendo ao meu redor muito esquisito.  Não que eu não quisesse meu filho, mas era tudo muito novo e... bom, estranho, não tenho outra palavra.  Eu peguei aquela trouxinha de gente, bem pequena, e fiquei olhando e estranhando. Só fui realmente ter mais contato com Davi quando ele já estava na encubadoura, na UTI Neonatal.  Fui me aproximando aos pouquinhos, até porque ele era muito frágil e estando numa encubadoura tudo se tornava mais frágil ainda.  Me lembro que a primeira palavra que eu disse foi "Olá".  Sim, um breve olá.  Esse estranhamento, porém, durou muito pouco, porque de uma hora para outra o sentimento de que aquela criança era minha me tomou por completo e eu não queria arredar o pé dali de jeito nenhum.  Nos dias que se seguiram, eu passava todo o tempo com ele, no meu colo, dando-lhe o meu calor e o meu amor.  Não queria saber nem de comer, só de estar com ele o tempo todo.  

Durante os primeiros dias em casa eu não me lembro realmente de ter dito "Eu te amo" para Davi.  O que sei é que todos os dias eu falo e mostro isso para ele.  Até que um dia ele também me disse "Eu te amo" para mim e ainda fala (principalmente quando me acorda beeem cedo nos fins de semana).  Como ele sabe o que é o amor?  O que ele sabe a respeito?  Não sei, o que eu sei é que ele sabe que é amado e que está aprendendo a amar.  Não importa as malcriações, os castigos, as reclamações, ele sabe o que é amar e ser amado.

Assim como o crochê e o tricô que, a meu ver, se aprende muito mais e melhor já na tenra infância, eu tenho para mim que amar é um aprendizado que a gente tem quando é muito pequeno.  Se você notar alguém crochetando ou tricotando vai perceber que essa pessoa não está elaborando altos pensamentos a respeito do que faz.  Ela está fazendo até automaticamente, porque já está habituada, porque conhece os pontos e os macetes, pois já pratica há muitos anos.  Acho que o amor é assim mas, claro, não é algo automático como a frieza de uma máquina. É um hábito, uma aptidão que a gente ensina e aprende.  Também acho que o amor é uma escolha, porque se alguém não foi amado ainda assim pode escolher amar. Não fosse assim, acho que a humanidade já teria acabado, não?  E, claro, mesmo sendo um clichê, nunca é tarde para aprender a amar, basta disposição e vontade.

O que eu sei é que Davi tem plena consciência de que é amado e nos devolve esse amor também.  E em momento algum eu sentei com ele e disse: Davi, amar é assim, faça desse jeito.  Ele aprende com nossos gestos, com nossas palavras e com o sentimento que deixamos fluir da maneira mais natural do mundo.  E eu espero que tenhamos sempre capacidade de alimentar esse sentimento e essa escolha, na vida dele e na nossa também.


Este fim de semana fomos visitar a Galinha Pintadinha, que está dando expediente num shopping próximo.  Havia também uma roda gigante indoor, cuja "viagem" tem a duração de módicos 3 minutos, mas não cheguei a me arriscar, porque Davi poderia bem abrir seu clássico bocão de lá do alto.  Por um milagre divino, creio, Davi me permitiu fotografá-lo ao lado de alguns personagens da turma da Galinha Pintadinha.  Atentem para seu "espontâneo" sorriso...porque fotografar o Davi é um desafio à minha santa paciência.









De tanto buzinar nos meus ouvidos, acabei comprando alguma coisa do Ben 10 para Davi porque tento, com algum esforço, não influenciá-lo com marcas ou personagens.  Mas... os coleguinhas da escola estão aí para fazer esse serviço, não é?  Combinando pedido com oportunidade e necessidade, comprei-lhe um par de galochas, já que as chuvas vêm nos pegando sem hora e dia marcados e o tênis de ir para a escola começa a apertar seus dedinhos.


Mas quem disse que ele quer usá-las? Ameacei, então, doar as tais galochas para alguma criança.  Fui advertida de que se eu não o obedecesse ele iria embora para a casa do Nicolás (é assim que ele pronuncia o nome do seu coleguinha da escola).  Oi?

Aliás, quanta diferença, heim?  Quando experimentei esses sapatinhos pela primeira vez, qual não foi a decepção?  Pois eles simplesmente engoliram o pé do Davi e ele só conseguiu usá-los já com seus quase 6 meses de idade.



Agora eu já tenho que comprar calçados nº 25!




Quarta feira última levamos Davi para fazer mais-uma-dilatação, pois o jato do xixi dele voltou a ficar fino.  Dessa vez, o Dr. Martinelli decidiu que daqui a 1 mês e meio irá fazer uma pequena abertura na ponta do piu-piu, até porque o estreitamento nem está mais no canal e sim nessa ponta. 

O caminho da hipospadia é longo, mas temos sempre confiança de que chegaremos ao seu final.




As Coisas Passam...

Não é novidade para ninguém, pelo menos para quem lê esse blog com certa frequência (alguém?), que eu sou meio neura da silva.   Vira e mexe lá estou eu implicando com alguma coisa no Davi, seja uma manchinha ou uma febre ou uma tosse.  Como eu já sou naturalmente meio neura e somado o fato de ter passado pelas experiências que já passei desde a gravidez e seu nascimento, então, as neuras ficam  ainda mais incrementadas.

A tensão do exames de ultrassonografia durante a gravidez deram lugar às consultas pediátricas mensais.  Drª Andréia é uma baita médica, detalhista no úrtimo e talvez por causa dessa sua característica eu, que já sou assustada, ficava mais assustada ainda.  Nada passa despercebido ao seu olhar e se ela achar que alguma coisa está fora dos conformes, é investigação na certa, ou seja, manda logo fazer exames e consultas.  Houve alguns sustos bem cavernosos, que não me sinto à vontade para contar, e que foram devidamente investigados e que, ao final, não passaram de apenas suposições.  Como já falei por aqui, Drª Andréia, ao pedir tal ou qual exame, indica o melhor local e profissional a ser procurado.  Foi assim com a Drª Fátima, da Baby Cor, foi assim com o Dr. Martinelli  na Prontobaby.  Sendo assim, acabamos por formar um círculo de profissionais que se conhecem e que trocam experiências e impressões a respeito da mesma criança.  E eu acho isso ótimo.

Nos 2 primeiros anos de vida, não houve uma só consulta em que não tivéssemos saído sem uma recomendação médica ou clínica, até porque, essa primeira fase da vida da criança é recheada de doencinhas típicas que requerem uma maior atenção.  No caso do Davi, as vacinações no CRIE do Hospital Jesus, o acompanhamento cardíaco na Baby Cor e o tratamento da hipospadia na Prontobaby foram os compromissos que mais tomaram as nossas atenções. Contudo, a cada consulta, exame e cirurgia, testemunhamos sua superação e às vezes nem nos damos conta do quanto já percorremos para chegar ao ponto em que chegamos.

Esta semana fomos à primeira consulta pediátrica do ano, já que a peridicidade agora é de a cada 6 meses.  E depois de mais uma vez virar e desvirar o Davi para todos os lados, Drª Andréia receituou um sabonete e um creme hidratante, já que a pele do guri está seca.  Só.  Davi está pesando 14,200 kg e  "para nooooossa alegria" está com 98 cm de altura.  Pelos seus cálculos, Drª Andréia estima que ele deva medir em torno de 1,80 cm quando chegar à idade adulta, o que me deixa mais tranquila em relação à sua altura, já que essa era a minha implicância do momento.

Um sabonete e um creme hidratante.  E pensar que eu já saí de lá aos prantos, achando que Davi sempre tinha alguma coisa a mais para ser analisada e que alguma coisa estava sempre errada consigo.  Mas em momento algum eu pensei em trocar de profissional porque, apesar do trabalho que dá, ficamos tranquilos por fazermos toda e qualquer investigação que se mostre necessária.   Acho melhor assim, pois não vai ser por falta de exames que iremos sofrer.  

Tenho uma enorme gratidão pela pediatra do Davi, que já me assustou bastante mas que eu sei que tudo foi e é para o bem dele e nosso também e percebo que as algumas coisas que nos fizeram quase perder os cabelos começam a passar. 

Continuaremos com as dilatações do canal da uretra, porém, essa também será outra etapa que irá passar. mas que outras virão, até porque a vida é assim, porém, que possamos aprender que todas elas vêm... e vão.

Mas fico pensando:  e agora, qual será a minha próxima neura???? Aff...


A Vida da Bailarina

Acredito que quase todas as meninas tiveram o sonho de um dia ser bailarinas.  Das clássicas, claro, se bem que, hoje em dia, muitas sonham mesmo é em se tornar top models ou, nos piores dos casos, mulheres-frutas.  Mas ainda há aquelas que sonham e outras que conseguem realizar essse sonho.

E como é lindo ver uma bailarina dançando, não é?  Sua leveza ao dar piruetas e saltos mais parece uma pluma de tão delicada.  E não basta apenas saber dançar, a bailarina também tem que interpretar um papel.

Vida de bailarina não é fácil e o seu nome é disciplina.  Da hora em que acorda até voltar ao seu quarto, a bailarina tem que rodopiar e suar muito sua malha.  São anos e mais anos em busca da perfeição, do gesto que será o diferencial que irá destacá-la das demais para que, ao final, ela seja a primeira bailarina do corpo de baile.  E não devemos nos esquecer da dieta alimentar, que é constante.  Muito pouca comida, muita água, quase nada de chocolates e sorvetes. Dedicação 24 horas por dia, em ensaios, aulas, repetições de passos, estudos sobre os ícones do balé, dos personagens de tais ou quais peças.

Uma das coisas que mais impressiona e chama a atenção em uma bailarina é suas sapatilhas de ponta, geralmente cor de rosa e com fitas de seda da mesma cor.  Até chegar a esse nível de desenvolvimento, a bailarina já dançou muito na sapatilha de meia ponta, porque seu sonho é ir para a sapatilha de ponta, pois esta passagem de nível significa que ela é, enfim, uma verdadeira bailarina.  E apesar de bonito, como é difícil se equilibrar na ponta dos pés. E aí vêm mais e mais anos de treinos e exercícios puxadíssimos.

Por trás de toda essa beleza escondem-se os pés da bailarina,  que geralmente são uma tragédia. Calos em todos os dedos, unhas encravadas, bolhas e joanetes que enfeiam seus pisantes.  São neles que se sente a maior dor e pressão do peso do corpo, por mais magra que ela seja.  São eles quem mais sofrem durante toda a vida da bailarina, afinal, é sobre eles que pousa toda a sua leveza e delicadeza de pluma.  Eles sofrem e levam a linda bailarina às lágrimas.  Não importa se ela é a primeira ou a última bailarina do corpo de baile, se os pés estão sangrando no meio da peça, ela tem que se manter linda e fazer sua apresentação de forma arrebatadora.  Mas os pés... um horror.

Ao final, as dores passam, os calos e as unhas encravadas ficam, mas a sensação é de realização.  A bailarina lembra de todas as privações, do suor, dos exercícios repetitivos, da fome, olha para seus pés feios e maltratados pela linda sapatilha rosa com fitas de seda mas se sente feliz.  

Esse é o preço da sua escolha.  Ter os pés feios e maltratados não é motivo de vergonha para a bailarina e sim, de orgulho, porque eles estão dizendo ao mundo o quanto ela é esforçada e dedicada e se submete à dor para realizar seu sonho.

A gente não precisa ser exatamente uma bailarina de verdade para ter os pés feios e maltratados.  Mesmo não sendo nossa escolha, às vezes a vida se encarrega de fazer isso, nos proporcionando caminhadas tão longas que chegam a sangrar nossos pés.  Mas a gente tem que continuar dançando bonito, rodopiando e saltando para continuar essa caminhada.

Esse ano foi meio assim novamente.  Mais uma longa caminhada com a hipospadia do Davi, e vejo meus pés sangrando, cansados, com bolhas e calos.  Vejo Davi cheio de vida, saudável, mas ainda faltam ajustes a fazer.  Seu jato de xixi continua fino e a cirurgia plástica não ficou como eu imaginei e agora teremos que esperar, e esperar, e esperar o tempo fazer a parte dele, que eu não sei muito bem qual é.

Eu tenho que continuar dançando, ainda que meus pés continuem sangrando, porque eu quero acreditar que vai chegar o dia em que essa caminhada vai terminar e, assim como a bailarina, vou me orgulhar dos meus pés feios e maltratados.

Mas como dói....


Acabou, mas ainda Tem!

Então que eu pensei que havia acabado.  Eu sabia que esse processo de hipospadia iria levar tempo, mas não sabia que seria tanto tempo assim.

Depois de 8 horas de jejum e quase 1 hora de cirurgia, a retirada do excesso de pele foi boa, porém, não resolveu totalmente o curvamento e a orientação foi a de que teremos que esperar ele completar 7 anos para ver como as coisas vão ficar, pois nesse período muita coisa pode acontecer.  Ou seja, nada disso do que foi dito significa grandes coisas. O negócio é, mais uma vez, esperar e esperar.  Assim também, parece que teremos que continuar com as dilatações, já que a natureza insiste em recuperar o que era seu, no caso, o canal da uretra fechado.

No geral, eu daria uns 90% de caminho andado.  Não ficou como eu imaginei, talvez porque eu tenha imaginado demais, pois se há um "conserto" a ser feito é pouco provável que o resultado final fique 100%.  Não fica, pelo menos no caso da hipospadia do Davi, que é das brabas.  Não sei se é porque o piu-piu do Davi continua um pouco inchado ou porque o curvamento não foi completamente resolvido, mas o fato é que ainda há um longo caminho para trilhar.

Davi continua lá, cheio de pontos e de energia e disposição para fazer malcriações e bagunça.  É um menino forte, saudável, inteligente e a cada dia nos surpreende com uma nova tirada.  Nos últimos dias vive reclamando de que está com o pilú dodói.  Aí, a gente pergunta quem foi que machucou o pilú dele e ele responde: foi o "Matinelis."

O nome correto do médico é ClodOaldo.


Não se iluda.  Essa cara de santinho é capaz de tocar fogo na casa!


Obs.: Peço desculpas por não indicar que o post anterior era programado.

Don't Stop Believing



Hoje iremos levar Davi para consulta com Dr. Clodoaldo e, espero, amanhã seja a cirurgia.

Apesar de essas pernas não serem nem minhas, nem do pai do Davi, a caminhada é um pouco assim: a pé, descalça, no asfalto quente, e longa, muito longa.


Fica aí a letra da música Don't Stop Believing, do Journey, que eu tenho em minha vida desde o dia em que a ouvi pela primeira vez.  Não sei porquê, mas foi a música que me veio à mente quando eu penso na jornada que é o tratamento da hipospadia. Achei o vídeo bem legal também.


Just a small town girl, livin' in a lonely world
She took the midnight train goin' anywhere
Just a city boy, born and raised in south Detroit
He took the midnight train goin' anywhere

A singer in a smokey room
A smell of wine and cheap perfume
For a smile they can share the night
It goes on and on and on and on

(Chorus)
Strangers waiting, up and down the boulevard
Their shadows searching in the night
Streetlights people, living just to find emotion
Hiding, somewhere in the night.

Working hard to get my fill,
Everybody wants a thrill
Payin' anything to roll the dice,
Just one more time
Some will win, some will lose
Some were born to sing the blues
Oh, the movie never ends
It goes on and on and on and on

(Chorus)

Don't stop believin'
Hold on to the feelin'
Streetlights people

Don't stop believin'
Hold on
Streetlight people

Don't stop believin'
Hold on to the feelin'
Streetlights people

A Maior Descoberta de Todos os Tempos:

O falo! Bom, falo é uma expressão muito bonita, educada e intelectual para o que conhecemos como pinto, piu-piu, pênis, peru, documento, enfim, aquilo-que-eles-têm-entre-as-pernas.  E então que de um tempo - já faz um bom tempo - para cá, o tal do Davi descobriu que também tem um e fica dividindo sua descoberta a toda hora ao exibir seu "documento" como se não houvesse amanhã.  

Não há uma razão específica para tal mas quando se menos espera lá vem ele dizendo: "ó o piú, ó, MEU piú".  E aí, eu pergunto: "de quem é o piú". Ele responde: "Piú é da mamãe!".  Bom, geralmente o "piú" é meu, mas no início era do pai e de uns tempos para cá agora é mais meu do que do pai, não se sabe exatamente a razão. 

E lançando um olhar de extrema desconfiança para o pai dele, me perguntei outro dia de onde que ele tirou isso, onde que ele aprendeu, já que não fui eu quem o mostrou o caminho da maior descoberta de todos os tempos para sempre.  Sim, porque é incrível como o órgão genital é o centro do universo masculino, já desde cedo!  É meio óbvio falar isso porque todo mundo já está cansado de saber, mas  não deixa de ser surpreendente quando você é testemunha ocular da história dessa descoberta na vida do filho.  A pergunta que a mente feminina faz é: por que, Senhor? 

Sim, porque, pelo que me parece, a descoberta do órgão genital por parte das meninas se dá um pouco mais adiante, o que talvez seja um dos poucos aspectos inversos da maturidade entre meninos e meninas, pois sabemos que os meninos demoram mais para amadurecer.  No caso do órgão sexual masculino, acredito que seja por ele ser externo, mais... hum... acessível do que o órgão sexual feminino, que vive escondido na escuridão.  

Já ouvi uma asneira que dizia que o menino, ao descobrir e estimular seu órgão genital já está sentindo prazer assim como um homem adulto. E aí, não é difícil encontrar mães que punem seus filhos porque acham que eles estão fazendo alguma coisa feia, indecorosa, erótica e até pecaminosa.  Pelo amor de Deus, né!  Além de ser de uma ignorância elevada ao último, acho que esse tipo de comportamento denota uma mente até doentia e não me surpreenderia se um pedófilo usasse essa "desculpa" para justificar seus atos.  Sim, porque o que não faltam são mentes inundadas por maldades e malícias e, apesar do movimento de erotização da nossa sociedade se dar principalmente em direção às meninas, os meninos que estão em fase de descoberta do órgão genital, e não da sua sexualidade, também acabam sendo vítimas desse tipo de mentalidade.  

Por outro lado, não é raro encontrar alguns pais que acham que esse comportamento do seu filho demonstra o potencial de "pegador" que ele terá no futuro e, ao invés de encarar esse fato como o mais normal do mundo, até o ajuda na estimulação.  Pois é, dá náusea, mas tem descompensado para tudo.  É como se diz: a maldade está nos olhos de quem vê, e achar que uma criança que ainda nem completou a primeira infância está se estimulando sexualmente é o extremo da maldade e da perversidade.

Portanto, não consigo ver razões para grandes alarmes e escândalos, pelo menos  enquanto essa descoberta esteja se dando por  causa da própria natureza.  Encaro essa nova fase do Davi numa boa e me divirto quando o vejo lá, na maior cara de pau, de pernas abertas, mexendo com seu "documento" ou correndo para mostrar seu "piú".  E o mais interessante, pelo menos para mim é como esse menino nem  se dá conta do tanto que já passou e o pouco que ainda irá passar para ter seu piu-piu consertado!  

E como eu já falei em outras ocasiões, fico mais feliz ainda em perceber que as fases normais do desenvolvimento do Davi estão se dando no tempo certo, em que as maiores correções cirúrgicas já foram feitas e agora iremos partir para a próxima etapa que, espero, nos leve ao fim desse ciclo. Creio que na próxima semana iremos fazer a - talvez - última cirurgia, de retirada do excesso de pele e da curvatura - o tal chordee.

Eu ainda não tive interesse em buscar fontes psicológicas para essa fase, simplesmente porque acho que ela é parte do processo de amadurecimento da criança.  Mas que, nesse momento, é divertido, isso é. E já fico imaginando Davi brincando com seu "piú" já consertado - sim porque, na verdade, não passa de uma brincadeira essa descoberta.  Aí, não vai ter para ninguém!


Medos, Ansiedade, Craftices e Algumas Considerações

Eu acho que sempre quis fazer alguma coisa de artesanato, só não sabia exatamente o quê, mas esse universo do "faça você mesmo", das coisas rústicas e manuais sempre me atraiu.  Me lembro de uma época em que fiquei muito assanhada para fazer bijouterias porque uma colega de curso de espanhol havia me ensinado a fazer uma pulseira trançada.  Saí enlouquecida pelas lojas de artigos de bijouteria Saara afora e comprei várias coisas que depois não conseguia usar, pois não tinha um objetivo claro, nem técnica, nem nada.  Aí o interesse passou e eu acabei me desfazendo de alicates, arames, fios de silicone e miçangas.

Bem antes disso, me lembrei também que houve um tempo em que me aventurei no ponto-cruz.  Não me lembro exatamente como começou meu interesse, só sei que comprei uma revista, algumas toalhas e o material necessário e comecei a fazer ponto-cruz.  Sem aulas, sem orientações, sem nada.  Como era de se esperar, os pontos iniciais ficaram cheios de erros mas, com o tempo, até que o trabalho saiu certinho, nada perfeito, porém melhor até do que eu esperava.


E aí, larguei para lá.  Cansei.


Outro tempo depois, fui fazer um cursinho de trançado com fitas na Caçula e lá fui eu comprar toalhas e material.  Como o curso é bem fácil, fiz algumas toalhas que ficaram muito bonitas.  Mas aí, não sei quando, meu interesse acabou novamente, inclusive, tenho uma que está pela metade.






Da mesma época, fiz também essa bolsa de fuxico, tudo na mão, inclusive o forro, que era de um vestido.  Isso já tem quase 10 anos...e pelo menos eu comecei e terminei, mas faz muito tempo que não a uso.  O meu desejo era fazer uma colcha de fuxicos, mas a expectativa de passar uns 3 ou 4 anos cortando rodelinhas de tecido e costurando um a um acabou esfriando meu interesse.





Fiz outro  cursinho de crochê, na mesma Caçula, numa das vezes em que Carmem esteve por aqui (Carmem mora em outro país e sempre que vem para cá a primeira coisa que faz é se jogar no Saara e na Caçula para fazer algum curso sobre qualquer coisa).  No caso do crochê, eu acredito que esse tipo de artesanato só funcionaria comigo se eu tivesse aprendido na infância, caso de Carmem,  porque eu não consegui de jeito nenhum e não foi por falta de tentativas. Admiro muito quem aprende crochê e tricô depois de uma certa idade, porque essas são coisas que se aprendem quando somos muito novas, mas não foi o meu caso, infelizmente, já que as mulheres da minha família nunca tiveram nenhuma queda para trabalhos manuais.

Faz tanto tempo que a linha, que era verde, está quase branca....





 E refletindo sobre essas coisas que eu começava e que ficavam pelo meio do caminho, me dei conta de que o que me movia àquela época nada mais era do que ansiedade.  E um pouco de medo também.  A ansiedade me levava a ter uma pressa desesperadora em fazer as coisas, como se eu tivesse um dia a menos para viver.  Aí, batia um interesse sobre determinada coisa, eu me jogava nela, às vezes virava a noite fazendo a tal coisa e, de repente, largava para lá.  O interesse era passageiro mas, no fundo, o que eu sentia era uma incapacidade de continuar, de me encontrar ou me aperfeiçoar no que fazia.  E aí, tinha medo de não conseguir ir adiante. E desanimava, até aparecer outra coisa interessante para começar a fazer. 

Aí a vida da gente dá uma guinada e chega marido, filho, casa nova, tudo isso somado com o trabalho.  O tempo, que era até mal aproveitado, fica escasso e, no meu caso, mais escasso ainda, visto que minha atenção ficou voltada exclusivamente para Davi, correndo para todos os lados em busca de médicos, tratamentos e cirurgias.

Até que, por uma questão de sanidade mental, comecei a re-despertar para aqueles interesses e desejos adormecidos ou largados pelo caminho, e fiquei com vontade de fazer alguma coisa que aliviasse minhas tensões e ansiedade.  Me lembro que sempre que passava em frente a uma loja eu paquerava as máquinas de costura, que me davam um medo enorme com seus trocentos botões e caminhos por onde passa a linha.  Queria muito aprender a costurar, mas além da falta de tempo, os cursos que encontrava só ofereciam moldes e o que eu queria era apenas saber como usar a máquina.  E agora que ela chegou, tenho percebido que, para os meus interesses, até que costurar não é nenhum bicho-papão, pelo menos até agora, pelo menos com essa máquina.  Meu sonho, por exemplo, é fazer uma coberta de patchwork, mas eu sei que ainda tenho que comer muito angu até lá.  E ter muito tempo também.

Enfim, o que quero dizer é puro clichê e lugar-comum, mas enquanto a gente vive sempre existe alguma possibilidade de realizar alguma coisa que ficou lá atrás, escondida ou esquecida pelo caminho, esperando a oportunidade para vir nos alegrar. E essa redescoberta veio exatamente nos momentos bem complicados, quando eu já estava exausta de tanto correr com Davi para lá e para cá, em que passei seus 2 primeiros anos de vida exclusivamente para os tratamentos dele.

Nada disso é reclamação, pelo contrário, é uma forma de externar minha alegria em saber que as coisas passam, sejam boas ou ruins, mas passam e que alguns desejos bons ficam, mesmo que adormecidos ou escondidos.  Não me arrependo da vida que tenho hoje, pelo contrário, sou agradecida a Deus por ter me dado a família que tenho, que também era um sonho de toda a minha vida.  Como somos pessoas normais, temos altos e baixos, crises, dificuldades, mas somos felizes, eu tenho certeza.  Davi veio no momento exato, na hora certa, encher a nossa casa e vida de alegria, de neuras, de preocupações, veio bagunçar e deixar tudo virado mas com muita felicidade e amor.

Eu não sei costurar, eu não tenho instrumentos, nem aviamentos, nem tecidos fofos, nem um cantinho para chamar de meu. Ainda.

Hoje eu tenho menos tempo, outras preocupações, outros interesses, mas estou menos ansiosa.... e um pouquinho mais objetiva. 




Jabuticabas, jabuticabas, jabuticabas.  Incrível como a natureza realmente nos surpreende.  Apesar da falta de chuva esse ano, a bicha se encheu de frutas e ficou lindíssima...






Apesar de estar fazendo xixi bem direitinho, Davi continua com o jato fino e isso tem me preoupado bastante.  Essa semana iremos levá-lo ao Dr. Clodoaldo, a fim de que, t-a-l-v-e-z seja marcada a próxima (e, espero) última cirurgia....