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Notícias Daqui e Dali e a Hora do Sono

Esta semana levamos Davi à consulta semestral com a pediatra.  Apesar da minha continuada cisma com a  sua altura, tudo está na mais perfeita ordem.  Altura e peso estão dentro da normalidade e, mais uma vez, foi apenas indicada a continuidade de uso de hidratante, já que sua pele está bastante seca ainda.

As coisas comigo são assim: se houver algum trauma, por mais que seja superado, ele vai me deixar algum resquício.  Digo isso porque até hoje as consultas pediátricas ainda me assustam, pois no tempo em que elas eram mensais - o que significa primeiro ano de vida do Davi - havia sempre alguma coisinha para esquentar a minha cabeça.  Um dos problemas que mais me marcaram foi a questão do peso dele, já que houve grandes oscilações (o gráfico da caderneta de vacinação chega a parecer uma cardiografia, de tanto sobe e desce).  Então, acredito que daqui a seis meses irei ficar um pouco em pânico por causa da próxima consulta.

Davi tem evoluído muito bem e se expressa cada vez melhor e claramente.  Na próxima semana iremos levá-lo, mais-uma-vez-novamente-de-novo and again, para uma cirurgia breve, pois como eu já comentei anteriormente, seu jato de xixi voltou a ficar fino e esta interverção será para abrir um pouquinho mais a cabeça do seu piu-piu, pois o estreitamento está exatamente lá.  É desesperador ver Davi fazer xixi, pois a força que ele imprime é bem grande, como se ele estivesse com prisão de ventre. Ainda tem também a curvatura, que teremos que esperar para ver como ficará daqui a uns 3 anos mais ou menos.

E nessas idas e vindas, já se passaram uns 3 anos.  Parece pouco, porém, sendo um tratamento, parece uma eternidade. E parece que tudo foi outro dia.  Muitas vezes eu me vejo me perdendo em datas e situações.  Não sei se é bloqueio da minha cabeça, mas alguns episódios se misturam, não em si, mas no tempo.  Alguns, claro, ficaram bem vívidos, como a madrugada que terminou na UTI pediátrica da Prontobaby, com Davi com pneumonia, atelectasia e bronquiolite.  Mas aí eu começo a me embaralhar toda quando me lembro das vezes em que tive que entrar no centro cirúrgico.  Com exceção das 2 primeiras cirurgias, as outras me confundem um pouco e aí às vezes eu não sei qual veio antes de qual. 

Não sei se isso é um mecanismo mental para não me deixar doida, o certo é que determinados detalhes se embolam na minha cabeça.  Sei e tento me convencer de que não se trata de negligência ou falta de atenção da minha parte, talvez porque, ao final de cada episódio, o que eu sempre quero é ter o Davi inteiro e bem.  Tem horas, sim, que me dá vontade de chorar muito, principalmente quando ele faz xixi.  Me dá um desesepro e aquela clássica culpa pelo fato de ele ter nascido com hipospadia.  

Mas tudo poderia ser pior, bem pior, e é aí que eu olho para Deus e agradeço porque Ele me deu a carga que eu posso suportar.  Pelo menos até agora, porque a gente só descobre a força que tem quando está dentro do problema.

O que tenho a dizer é: ser mãe é assustador.  Mas é uma bênção e uma satisfação sem tamanho.






Quando o Papa Francisco nos brindou com um feriadão, resolvemos levar Davi, pela primeira vez, ao cinema.  O filme em questão seria "Meu Malvado Favorito 2".  Não, não assisti ao primeiro filme, então, não sabia do que se tratava, mas li o resumo e vi que era "livre" e achei que seria adequado para a sua idade.  Os primeiros dias do feriado foram regados a muito frio e chuva, e o sol resolveu aparecer apenas no último dia, uma segunda-feira, tirando todo mundo da toca (carioca detesta frio e chuva) e levando multidões aos shoppings e cinemas.

Chegamos no shopping e a fila para a sessão das 16h00, que seria a ideal, estava imensa.  Enquanto aguardávamos a vez de comprar os bilhetes... Davi dormiu. Voltamos para a casa e fim.

No fim de semana passado levamos Davi ao Anima Mundi, o festival de animação que aconteceu aqui no Rio de Janeiro e que já foi para São Paulo.  Abre parêntese: apesar de saber muito bem da importância do eixo Rio x São Paulo em termos de projeção nacional e questões econômicas e sociais, não entendo porque um festival como esse (e tantos outros) não contempla os demais Estados da Federação. Será que os patrocinadores, organizadores e que tais desconsideram que existem muito mais pessoas interessadas em cinema e animação FORA da Ponte Aérea?  Para mim isso é, no mínimo, um tremendo absurdo. Fecha parêntese.

Enfim, como eu não entendi direito a programação, já que constavam vários filmes infantis no Cine Odeon em vários horários, chegamos quase na hora em que eu achava que iria começar o filme que eu achei que iria começar.  Era o penúltimo dia do festival, o tempo estava virando e acabamos descobrindo que a única sessão adequada para a idade do Davi era a das 12h00, um horário bem estranho, não somente porque o festival aconteceu em 2 lugares distintos - Cine Odeon e Fundição Progresso, ambos no Centro -, o que significava várias salas disponíveis, como também... que horário esquisito, logo no meio do dia!!!  Enfim, partimos, então, para a Fundição Progresso, que fica de frente para os Arcos da Lapa.



As distâncias entre os lugares são bem curtas, então, fomos a pé, quer dizer, Davi estava com o pé doendo um pouco por causa de uma leve lesão que teve no dia anterior, na escola.  Então, um pouquinho de dor somado com uma montanha de dengo deixaram o guri mancando um pouco e abusando um muito da boa e santa vontade do pai.  Foi no colo.




Assim como no episódio do shopping, acima, eu geralmente subestimo algumas coisas, achando que é só chegar um pouco antes do horário, comprar a entrada e tudo está certo.  Não.  Chegamos na Fundição Progresso um pouco antes das 14h00 e havia uma sessão 30 minutos depois que era própria para o Davi, mas que já estava esgotada. Hum... então vamos ver quais são as outras alternativas até a hora da próxima sessão, às 16h00:  as oficinas. Uma sala de massinhas.  Entrada a partir dos 8 anos.  Sala de areia.  Entrada a partir dos 8 anos.  Sala de desenho para fazer um filminho.  Entrada a partir dos 8 anos. Então, o que restou? Ah, sim, a sala 2, onde havia a projeção de alguns curtas infantis que eram adequados à idade do Davi, porém....estava com a entrada esgotada.



Mas haveria a próxima sessão na sala 2.  Teríamos, porém, que entrar na fila de distribuição das senhas - já que a entrada era di grátis - que começaria em torno das 14h30  para a sessão de 15h30.  Acabamos decidindo, então, a assistir a um filme - acho que era o último para a idade do Davi - que iria começar às 16h00.  Nesse meio tempo, entramos numa sala onde estavam projetando curtas beeem curtos, sem limite de idades (se bem que, depois do curta que assistimos, começou um outro que eu não achei adequado para o Davi).

Aproveitamos, então, os momentos que antecederam o início da sessão que iríamos assisistir para dar uma olhada em volta da Fundição Progresso.  A minha máquina está, a cada dia, pedindo para se aposentar, então, as fotos não estão boas e, além disso, é aquele negócio: tirar fotos do/com o Davi é osso!

Chegou, então, o grande momento em que Davi iria debutar a 7ª Arte.  O filme em questão se chamava Zambézia, a história de uma águia adolescente que sai do seu ninho e vai conhecer a cidade que dá o nome ao filme, e que é conhecida como a cidade dos pássaros.

Silêncio. Celulares desligados, olhos bem abertos, ar condicionado bem frio.  Eis que começa o filme.  Tela grande, som stéreo.

Após vinte minutos de filme... Davi dormiu.



Fim.


A Vida da Bailarina

Acredito que quase todas as meninas tiveram o sonho de um dia ser bailarinas.  Das clássicas, claro, se bem que, hoje em dia, muitas sonham mesmo é em se tornar top models ou, nos piores dos casos, mulheres-frutas.  Mas ainda há aquelas que sonham e outras que conseguem realizar essse sonho.

E como é lindo ver uma bailarina dançando, não é?  Sua leveza ao dar piruetas e saltos mais parece uma pluma de tão delicada.  E não basta apenas saber dançar, a bailarina também tem que interpretar um papel.

Vida de bailarina não é fácil e o seu nome é disciplina.  Da hora em que acorda até voltar ao seu quarto, a bailarina tem que rodopiar e suar muito sua malha.  São anos e mais anos em busca da perfeição, do gesto que será o diferencial que irá destacá-la das demais para que, ao final, ela seja a primeira bailarina do corpo de baile.  E não devemos nos esquecer da dieta alimentar, que é constante.  Muito pouca comida, muita água, quase nada de chocolates e sorvetes. Dedicação 24 horas por dia, em ensaios, aulas, repetições de passos, estudos sobre os ícones do balé, dos personagens de tais ou quais peças.

Uma das coisas que mais impressiona e chama a atenção em uma bailarina é suas sapatilhas de ponta, geralmente cor de rosa e com fitas de seda da mesma cor.  Até chegar a esse nível de desenvolvimento, a bailarina já dançou muito na sapatilha de meia ponta, porque seu sonho é ir para a sapatilha de ponta, pois esta passagem de nível significa que ela é, enfim, uma verdadeira bailarina.  E apesar de bonito, como é difícil se equilibrar na ponta dos pés. E aí vêm mais e mais anos de treinos e exercícios puxadíssimos.

Por trás de toda essa beleza escondem-se os pés da bailarina,  que geralmente são uma tragédia. Calos em todos os dedos, unhas encravadas, bolhas e joanetes que enfeiam seus pisantes.  São neles que se sente a maior dor e pressão do peso do corpo, por mais magra que ela seja.  São eles quem mais sofrem durante toda a vida da bailarina, afinal, é sobre eles que pousa toda a sua leveza e delicadeza de pluma.  Eles sofrem e levam a linda bailarina às lágrimas.  Não importa se ela é a primeira ou a última bailarina do corpo de baile, se os pés estão sangrando no meio da peça, ela tem que se manter linda e fazer sua apresentação de forma arrebatadora.  Mas os pés... um horror.

Ao final, as dores passam, os calos e as unhas encravadas ficam, mas a sensação é de realização.  A bailarina lembra de todas as privações, do suor, dos exercícios repetitivos, da fome, olha para seus pés feios e maltratados pela linda sapatilha rosa com fitas de seda mas se sente feliz.  

Esse é o preço da sua escolha.  Ter os pés feios e maltratados não é motivo de vergonha para a bailarina e sim, de orgulho, porque eles estão dizendo ao mundo o quanto ela é esforçada e dedicada e se submete à dor para realizar seu sonho.

A gente não precisa ser exatamente uma bailarina de verdade para ter os pés feios e maltratados.  Mesmo não sendo nossa escolha, às vezes a vida se encarrega de fazer isso, nos proporcionando caminhadas tão longas que chegam a sangrar nossos pés.  Mas a gente tem que continuar dançando bonito, rodopiando e saltando para continuar essa caminhada.

Esse ano foi meio assim novamente.  Mais uma longa caminhada com a hipospadia do Davi, e vejo meus pés sangrando, cansados, com bolhas e calos.  Vejo Davi cheio de vida, saudável, mas ainda faltam ajustes a fazer.  Seu jato de xixi continua fino e a cirurgia plástica não ficou como eu imaginei e agora teremos que esperar, e esperar, e esperar o tempo fazer a parte dele, que eu não sei muito bem qual é.

Eu tenho que continuar dançando, ainda que meus pés continuem sangrando, porque eu quero acreditar que vai chegar o dia em que essa caminhada vai terminar e, assim como a bailarina, vou me orgulhar dos meus pés feios e maltratados.

Mas como dói....


Acabou, mas ainda Tem!

Então que eu pensei que havia acabado.  Eu sabia que esse processo de hipospadia iria levar tempo, mas não sabia que seria tanto tempo assim.

Depois de 8 horas de jejum e quase 1 hora de cirurgia, a retirada do excesso de pele foi boa, porém, não resolveu totalmente o curvamento e a orientação foi a de que teremos que esperar ele completar 7 anos para ver como as coisas vão ficar, pois nesse período muita coisa pode acontecer.  Ou seja, nada disso do que foi dito significa grandes coisas. O negócio é, mais uma vez, esperar e esperar.  Assim também, parece que teremos que continuar com as dilatações, já que a natureza insiste em recuperar o que era seu, no caso, o canal da uretra fechado.

No geral, eu daria uns 90% de caminho andado.  Não ficou como eu imaginei, talvez porque eu tenha imaginado demais, pois se há um "conserto" a ser feito é pouco provável que o resultado final fique 100%.  Não fica, pelo menos no caso da hipospadia do Davi, que é das brabas.  Não sei se é porque o piu-piu do Davi continua um pouco inchado ou porque o curvamento não foi completamente resolvido, mas o fato é que ainda há um longo caminho para trilhar.

Davi continua lá, cheio de pontos e de energia e disposição para fazer malcriações e bagunça.  É um menino forte, saudável, inteligente e a cada dia nos surpreende com uma nova tirada.  Nos últimos dias vive reclamando de que está com o pilú dodói.  Aí, a gente pergunta quem foi que machucou o pilú dele e ele responde: foi o "Matinelis."

O nome correto do médico é ClodOaldo.


Não se iluda.  Essa cara de santinho é capaz de tocar fogo na casa!


Obs.: Peço desculpas por não indicar que o post anterior era programado.

Don't Stop Believing



Hoje iremos levar Davi para consulta com Dr. Clodoaldo e, espero, amanhã seja a cirurgia.

Apesar de essas pernas não serem nem minhas, nem do pai do Davi, a caminhada é um pouco assim: a pé, descalça, no asfalto quente, e longa, muito longa.


Fica aí a letra da música Don't Stop Believing, do Journey, que eu tenho em minha vida desde o dia em que a ouvi pela primeira vez.  Não sei porquê, mas foi a música que me veio à mente quando eu penso na jornada que é o tratamento da hipospadia. Achei o vídeo bem legal também.


Just a small town girl, livin' in a lonely world
She took the midnight train goin' anywhere
Just a city boy, born and raised in south Detroit
He took the midnight train goin' anywhere

A singer in a smokey room
A smell of wine and cheap perfume
For a smile they can share the night
It goes on and on and on and on

(Chorus)
Strangers waiting, up and down the boulevard
Their shadows searching in the night
Streetlights people, living just to find emotion
Hiding, somewhere in the night.

Working hard to get my fill,
Everybody wants a thrill
Payin' anything to roll the dice,
Just one more time
Some will win, some will lose
Some were born to sing the blues
Oh, the movie never ends
It goes on and on and on and on

(Chorus)

Don't stop believin'
Hold on to the feelin'
Streetlights people

Don't stop believin'
Hold on
Streetlight people

Don't stop believin'
Hold on to the feelin'
Streetlights people

Continuando...

Parece que Davi terá que continuar a ter que fazer dilatações, já que o canal da uretra continua muito apertado e o xixi sai muito fino.

Ainda se recuperando da pneumonia, na sexta-feira passada Davi foi diagnosticado com sinusite - porque apesar do meu amor venerado pelo outono, ele é cruel principalmente com as crianças.  Além do corticóide e do antibiótico, tivemos que ministrar um histamínico.  Ligamos para o Dr. Martinelli, que pediu para suspender os medicamentos na terça-feira, já que se havia passado tempo mais que suficiente para a retirada dos pontos.

Não vou dizer que voltamos ao marco zero mas parece que voltaremos à rotina de dilatações, outro sinônimo para anestesias e centros cirúrgicos.

É só vivendo dentro dessa situação para a gente aprender a não criar muitas expectativas, porque - como eu já falei diversas vezes aqui - o processo de hipospadia é longo, cansativo e um pouco frustrante, cheio de altos e baixos.  Claro que há outros tratamentos médicos que duram muitos anos, dificílimos e dolorosos, muito mais do que este.  Mas este também tem seu nível de estresse, de desgaste, porque quando a gente pensa que é a última-alguma-coisa, não é bem assim, porque depois dessa última tem outra última sei lá o que, que é seguida de alguma outra última.

E quando uma enfermeira viu Davi passando e falou: nossa, como ele está crescendo, eu me dei conta de que parece que já somos parte dos quadros da Prontobaby, porque... oi?


Momento Neuras & Confissões: Davi está há 2 semanas dentro de casa, o que significa manha no grau 1000.  Eu ando muito, muito & muito cansada, porque saio cada vez mais cedo de casa e volto cada vez mais tarde.  Por causa disso, diminui o tempo que dispenso com ele, brincando, lendo, fazendo alguma coisa.  Como ele está afastado da creche, na minha cabecinha ele está começado a ficar defasado no aprendizado.  Eu tento fazer alguma coisa, como contar até 10 e repetir o a,e,i,o,u.  Ele repete, sabe algumas cores também, mas me-sinto-culpada por não me dedicar mais, porque sempre acho que algumas outras crianças na idade dele sabem fazer muito mais coisas, como montar um quebra-cabeças, por exemplo.  Não sei se uma criança de 2 anos e meio que sabe montar um quebra cabeças é normal ou está acima da média, mas se for normal, então Davi está abaixo da média. Ai...

O que Davi tem são brinquedos de encaixe, mas nunca o vi brincar seriamente concentrado em encaixar as pecinhas.  Geralmente ele "distribui" as peças pela casa toda e o brinquedo acaba ficando incompleto e nunca é usado com o fim para o qual foi feito.  A professora da creche me disse que ele faz direitinho - encaixa os brinquedos - mas, em casa, além da bagunça padrão, o que ele mais faz é muita birra, muita manha e um pouco de malcriação também, e aí tem horas que eu tenho vontade de esganá-lo (ah, vai, quem nunca?).

Ah, sim, continuo implicando com a altura dele, mesmo constatando que algumas roupas - principalmente calças compridas - já estão "pescando".  A pediatra havia pedido, há algum tempo, um exame de idade óssea, mas cadê coragem para fazer?  Sim, fiquei com medo de fazer o exame e que o resultado não estivesse dentro da normalidade, porque aí eu iria pirar na batatinha.


Há algum tempo encontrei essas gavetas no lixo da esquina de casa e como eu fui picada pelo mosquitinho da craftice, peguei as três e levei para casa.  O marido - aquele santo - já lixou  e estou fazendo um negócio bem legalzinho que assim que ficar pronto vou postar, porque aquela varanda está super-ultra-hiper-mega abandonada e sem graça e está precisando levar um banho de loja cor e ânimo.  Quer dizer, ânimo na varanda e em mim também pois, como eu já falei, essa tem sido a maneira que eu encontrei para desanuviar minha cabecinha quente e cheia de preocupações e neuras.




Sábado passado aconteceu a festinha do Dia das Mães da creche.  Ano passado não teve e esse ano não pudemos ir, porque Davi ainda estava bem caidinho, então, terei que esperar que em 2013 - se o mundo não acabar - eu vá ver meu filho fazendo alguma coisinha para eu chorar. 

Esperar

Davi está com pneumonia. Apresentando febre desde o domingo, na terça-feira sua febre bateu os 39 graus, e aí resolvemos levá-lo ao hospital, porque 3 dias tentando lidar com a febre já era tempo suficiente.  Não sou do tipo de mãe que na primeira febre já sai correndo para o hospital, mas me senti culpada por não tê-lo levado no segundo dia, por exemplo.

Me senti péssima, como quase sempre.  Além do que, da última vez que Davi teve pneumonia, saímos da AMIU direto para a UTI da Prontobaby.  Trauma.  Só que dessa vez a coisa não foi tão feia assim, e agora ele está em casa, à base de antibióticos, corticóide e nebulização.  Mas está bem, nem parece, como em quase todas as vezes em que está doente, porque o moleque é forte!

A pneumonia impediu que Dr. Martinelli fizesse uma outra dilatação do canal da uretra, pois o Dr. Flávio e o Dr. Clodoaldo não concordaram em anestesiá-lo já que ele está usando corticóides.  Portanto, deveremos esperar mais umas 2 semanas para tirar os pontos e fazer a dilatação.

Esperar.  Essa palavra é recorrente nesse processo de hipospadia.  Esperar porque nem sempre as coisas acontecem ou saem como planejadas - sim, eu já falei disso aqui. Esperar, porque o processo é longo e demorado. Esperar e esperar.

Es.pe.rar é também:

1. ter esperança; aguardar com desejo e uma certa confiança de que algo vá se realizar


Continuamos esperando e esperando, e esperar às vezes cansa, mas não temos outra alternativa, a não ser....

Esperar....

Enfim, mas....

Enfim, consegui ver Davi fazer xixi.  Mas não fiquei tão efusiva quanto esperava.  Talvez porque não esperasse que o jato estivesse tão fino (será mesmo que eu não esperava ou, lá no fundo, bem no fundo, achava que sim?).

Pelo menos o que se constata é que a fístula está fechada e não há nenhum outro buraquinho à vista, só o canal da uretra que, por não ter o custome do uso, está estreito, o que significa que teremos que fazer uma dilatação.  Ou algumas, não sei.  Iremos tirar os pontos na próxima quarta-feira e só nesse dia é que saberemos dessa necessidade.  Enfim, meu filho agora está urinando como deveria urinar desde sempre.  Mas tem esse... hum.... probleminha.  

Não sei dizer exatamente qual é o meu sentimento, se de alívio em saber que ele não será mais operado, pelo menos por enquanto, já que haverá a cirurgia estética, ou se tem uma pitada de frustração por ver que o jatão de xixi que eu esperava não veio.  O que eu sinto, ou pressinto, sei lá, é que talvez-quem-sabe teremos que voltar àquela rotina de fazer dilatações mensais, o que significa centros cirúrgicos e anestesias...



 Aproveitei este fim de semana aguado para terminar os vasinhos que repintei, em homenagem ao Dia do Índio - também.  Em breve, pouco em breve, dividirão espaço e atenção com as minhas "pretinhas", essas bonecas fofíssimas que eu tanto amo, e que vivem sob a ameaça de decapitação por parte de determinadas "pessoas" naquela casa.


Eu só sei fazer bolinhas, pontinhos, bolinhas e pontinhos...


Aproveitei também para dar um pulinho lá no meu (ui) pomar com Davi e colhemos algumas acerolas para um suco delicioso.  Não deu para tirar muitas, mas aos pouquinhos a gente vai enchendo o papo, né.


Como eu já disse, tirar fruta do pé é podre de chique, não é?




E segue minha homenagem ao meu time amado, Campeão da Taça Rio:


 Botafogo, seu lindo!


Quaaaaaaaase

Como eu vivo repetindo, esse processo de hipospadia é meio parecido com um jogo, onde a vitória nem sempre vem de uma vez só.  Em muitos casos, a criança tem que ser operada várias vezes, até que sua funcionalidade seja normalizada.  E nem sempre o fato de não abrir fístula significa que a criança está urinando normalmente, porque às vezes o canal da uretra - por ter ficado tanto tempo sem uso - fica estreito e o jato do xixi acaba saindo mais fino que o normal.  Viu como a estrada é longa?

E ontem levamos Davi para a revisão da cirurgia e o Dr. Martinelli ficou impressionado e muito contente porque os pontos estão muito bem fechados.  Aproveitou também para informar ao Dr. Clodoaldo - o "dono" do procedimento de fechamento de fístulas -, que reconheceu que meu "santo" realmente é forte e também ficou muito satisfeito.

Os pontos só serão retirados daqui a 2 semanas e na ocasião irá  eles irão fazer mais uma dilatação  - por causa do estreitamento do canal da uretra -, e que na hora de tirar os pontos pode-ser-que-talvez-quem-sabe abra-se uma fistulazinhainhainha....  Por enquanto, pediu para que eu deixe Davi andar um pouco pelado para que eu possa ver como está o jato do xixi,  e eu espero estar em TODOS os lugares em que ele vai urinar neste fim de semana!

Por ora, Davi ACHA que já sabe fazer xixi sozinho e eu não sei se ele está aprendendo isso na creche.  Tira a roupa toda, chega perto do vaso, que bate mais ou menos no meio da barriga dele, inclina a bacia e o piu-piu e solta um "xiiiiiiiiii" com a boca.  Pode isso?



Nada é 100%

A cirurgia foi muito boa.  Como já é de praxe, aconteceu lá no fim do dia, e Davi só não ficou mais tempo de jejum porque mamou antes das 10 horas da manhã.  No mais, é aquela agonia de sempre, porque a gente fica o dia inteiro esperando e esperando e querendo que chegue a vez e ela não chega.  Isso é muito desgastante.

Dr. Clodoaldo me vira e pergunta: seu santo é forte? Eu digo: Fortíssimo!  Por que?  Porque nada é 100% nessas situações de hipospadia, e pode ser que abra uma fístula, pequena, e que o xixi fique pingando. Aí vamos ter que esperar mais um tempo para fechar e se abrir outra, faremos a mesma coisa. Aí nessas horas a gente respira fundo e, claro, pede para que Deus não permita que isso aconteça, mas se acontecer... paciência.

Como eu comentei aqui, o processo de hipospadia é longo e ter paciência é um item fundamental, porque nem sempre as coisas saem como foram planejadas.  Mas me parece que tudo tem dado certo, apesar de ainda não ter tido a oportunidade de ver Davi urinar, já que ele vive de fraldas.  Até porque, mesmo que eu quisesse deixá-lo sem fraldas, seria preocupante porque ele quer ficar puxando os pontos, então, não sei dizer se ele realmente está urinando como deve urinar.

Estou me sentido como aquele maratonista que quando alcança a faixa de chegada se joga no chão de tão cansado.  Porque todo esse tempo - 2 anos corridos - foram basicamente dedicados a esse processo de tratamento da hipospadia do Davi e em todos eles eu não descansei, porque a tensão não me deixava descansar, mas quando a gente começa a ver a faixa de chegada parece que o cansaço acumulado começa a sair do corpo.  Foram tempos de tensão, de espera, de frustração, de expectativas e isso às vezes leva ao esgotamento, mesmo que a gente saiba que o final será bom.

Ainda faltam outros ajustes, como a retirada do capuxão, mas aí já é uma cirurgia estética.  O tão esperado dia da cirurgia não foi só um, foram alguns, e o que resta agora é ver Davi urinando normalmente e isso eu ainda não vi. Mas vou confessar uma coisa: depois de tantas idas e vindas, não é que dá um estranhamento essa "normalidade" toda?  Acho que acabei me acostumando a viver com menos de 100%.



E mais uma vez Davi foi contemplado com uma enorme bola.  Tudo bem que a Prontobaby está devendo mais 2, mas eu acho que a viagem a Disney não vai acontecer.


No domingo de Páscoa Davi recebeu de sua avó uma cestinha de ovos, que foram pintados por mim e recheados com amendoim com açúcar e chocolate.  Na noite anterior, colocamos as tradicionais patinhas do coelho que levavam a 3 ninhos de ovinhos de chocolate. Tudo bem que a minha técnica ucraniana de pintar ovos de galinha é, no máximo, fazer pontinhos e que as patinhas do coelho ficaram mais parecidas com pés de nem sei o que, mas como é a primeira vez que faço isso na minha-vida-inteira, então vou me dar um pequeno desconto, afinal.... nem tudo é 100%!

Claro que quando Davi viu aquilo tudo, deu um chilique, empacou e não quis seguir as patinhas para encontrar os ninhos de jeito nenhum!  Aí me dei conta de que tenho que ter paciência não somente com o processo da hipospadia, mas também com a idade dele...








Mas depois de um tempo, ele começou a colher os ovinhos e saiu abrindo todos-de-uma-vez!

Acho que essa é a primeira foto de Davi por aqui...

Espero que a Páscoa de todos tenha sido maravilhosa e que a mensagem principal - a ressurreição de Jesus - esteja nas nossas mentes e corações diariamente.


Bom....


...novamente e mais uma vez, está marcada para amanhã a cirurgia do Davi. Como eu comentei aqui, a cirurgia foi transferida porque o canal da uretra que já estava feito estava muito apertado e se a fístula fosse fechada poderia fazer pressão e abrir novamente.

Espero voltar com novidades.

Há de se ter muita Paciência


Se existe um pré-requisito para quem tem filho com hipospadia é ter paciência.  Diferentemente da fimose, a hipospadia é uma anomalia que requer algumas - às vezes várias - intervenções cirúrgicas.  Se for proximal, que é o caso do Davi, existe a possibilidade de haver 3, 4, 5 cirurgias, porque hipospadia proximal significa que a saída do xixi está mais próxima do saco escrotal e mais longe da glande, o que significa que o canal da uretra é curto e o caminho até a normalização é longo.  Não é incomum, numa cirurgia de hipospadia, abrirem-se fístulas, que são rompimentos, buraquinhos que acabam atrasando o início da funcionalidade da criança.  E a gente - os pais principalmente - tem que adaptar nossa ansiedade ao relógio da natureza, porque as coisas não são tão rápidas e simples como parecem ser.

Depois da primeira cirurgia, que acabou abrindo uma fístula, Davi teve que esperar 8 meses para que a  natureza fizesse a parte dela e a fístula entrasse em processo de fibrose.  Como já relatado aqui, todo o mês Davi tinha que ser levado ao centro cirúrgico e anestesiado, para que fosse feita a dilatação do canal já construído, a fim de que ele não fechasse e tivéssemos que voltar à estaca zero.

Na quarta-feira, já dentro do centro cirúrgico, o Dr. Clodoaldo - o médico que iria aplicar sua própria técnica para fechamento da fístula -, achou por bem não realizar a cirurgia, pois como o canal estava muito estreito e seria bem provável que a fístula se abrisse novamente por causa da pressão da urina, o que tornaria a situação pior ainda.  Fizeram, então, mais uma dilatação e tivemos que voltar ontem, para ver a possibilidade de Davi ser operado.  E mais uma vez não foi possível, pelas mesmas razões, e a cirurgia foi transferida para a próxima quarta-feira.  Enquanto isso, foi colocada no Davi uma sonda que passa entre a fístula e o buraco da glande.  É como se fosse um enorme piercing, só que de silicone.

A paciência tem que ser exercida em todas as horas, mas é exatamente nesses momentos que a gente tem que respirar fundo, muito fundo, porque todas as nossas expectativas nem sempre são atendidas.  Porque Davi, sendo ainda muito pequeno, não faz a menor ideia da sua realidade, então, não cria expectativas se vai ser operado hoje, amanhã ou daqui a alguns meses.  O desgaste também é em ver sua criança chorando de fome porque está há mais de 10 horas sem comer, porque tem que estar em jejum.  No caso de quarta-feira, surgiu uma cirurgia muito grande e gravíssima que tomou uma grande parte do tempo do centro cirúrgico, atrasando todas as outras que estavam programadas.  Davi havia mamado em torno de 5h15 da manhã e  sua cirurgia estava marcada para às 14h, mas só entrou no centro cirúrgico às 18h30 aproximadamente.  Para aliviar um pouco, dei uns goles de mate e ele acabou dormindo bastante, talvez por conta da fome mesmo.  Nessas horas que eu vejo o quanto aquele moleque é forte!

Mas a gente tem que esperar, tem que controlar a ansiedade e tem que saber lidar com as frustrações e tentar tirar alguma coisa boa disso tudo.  Eu não tenho do que reclamar.  Olho ao meu redor e vejo o quanto Deus é bom e maravilhoso por ter colocado no nosso caminho médicos e profissionais de primeira linha, por morarmos numa cidade que, apesar de caótica, ainda é o centro de referência para muita coisa e nos oferece facilidades como hospitais e variedade de transportes.  São nessas pequenas coisas que eu sempre penso porque, imagina quem mora num lugar de difícil acesso, com escassez de médicos ou que tem que andar léguas e léguas até a primeira condução?

Não que a minha dor às vezes não seja grande, porque eu não gostaria que meu filho tivesse que passar por tudo isso. Nos dias e até nas horas que antecedem qualquer cirurgia ou procedimento eu fico muito nervosa, choro e tal.  Mas o fato de ser onde e com quem Davi é tratado só me faz levantar as mãos para os céus e agradecer a Deus, porque essas coisas me trazem tranquilidade e segurança, além do fato de eu ter um chefe que é simplesmente maravilhoso.  Até hoje não paguei 1 centavo pelas cirurgias, procedimentos ou anestesias e eu sei que esses serviços não são baratos.  Olha, não são m-e-s-m-o, eu garanto!  Se tivesse que pagar do próprio bolso eu não teria.  Se tivesse que depender de hospital público, então, acho que seria bem mais doloroso e demorado.  Aliás, o que mais dói é realmente a espera, o tamanho do caminho, as idas e vindas.  Mas a gente aprende a se adaptar a tudo e daqui a alguns anos essas coisas serão apenas histórias, experiências que espero poder dividir com outras pessoas.

Pois é, então que Davi ganhou outra bola, dessa vez azul, viu lá em cima? Ainda bem que a Prontobaby começou com essa farta distribuição de bolas só agora, porque senão eu já teria montado uma barraquinha.  Mas vou continuar esperando a viagem para Disney!


Fibrosar/fibrose: é a formação ou desenvolvimento em excesso de em um órgão ou tecido como processo reparativo ou reativo, com a formação de tecido fibroso como um constituinte normal de um órgão ou tecido.

Recall Modelo Davi, Ano 2009



Está marcada para amanhã a cirurgia para fechamento da fístula no piu-piu do Davi.  Como havia comentado aqui, na última cirurgia que construiu o canal da uretra acabou que abriu uma fístula no mesmo lugar onde o canal terminava e Davi continuou a urinar praticamente pelo mesmo lugar.

Desde então - julho de 2011 até semana retrasada - foram feitas dilatações mensais, a fim de que o canal já construído não fechasse, o que seria péssimo, pois teríamos que começar do zero novamente e  no caso de hipospadia quanto mais remendo, pior fica.  O ideal era fazer a dilatação a cada 15 dias, mas eu não iria aguentar levar meu filho para o centro cirúrgico e vê-lo anestesiado em intervalos tão curtos.  Apesar de todo o cuidado da equipe médica - Dr. Martinelli, Cristina (instrumentadora) e Dr. Flávio (anestesista), além das enfermeiras, o processo é desgastante para mim e muito doloroso para o Davi.   Além do Dr. Martinelli a cirurgia será feita também pelo Dr. Clodoaldo, que da primeira vez só participou observando.

Olha, se me lembro bem, da última vez eu acho que chorei muito, mas foi antes da cirurgia, porque quando eu entro naquele centro cirúrgico parece que o Dr. Spock toma conta de mim e congela minhas emoções.  Claro que assim que dou de cara com Davi lá, em cima da maca desacordado, eu tenho vontade de desabar, mas quando os procedimentos começam, aí eu desvio minhas atenções para aquilo que está sendo feito. E é assim que estou agora, mas sei que amanhã Dr. Spock vai me ajudar a controlar minhas lágrimas. Tudo bem que depois que passa parece que eu carreguei o mundo nas costas, porque eu fico muito desgastada.

Existe uma pequenina, pequena mesmo possibilidade de que fique uma fístula menor ainda, o que significaria outra cirurgia para que Davi pudesse fazer xixi normalmente, ou seja, pelo cabeça do piu-piu, como fazem os portadores dessa genitália (ui!).  Claro que eu espero que isso não aconteça, mas acho, ACHO, que estou preparada para esperar mais um pouco.  E como eu já mencionei anteriormente, se tudo der certo, será feita outra cirurgia para retirada do excesso de pele que acompanha o piu-piu do meu moleque.

No mais, é caminhando e cantando e seguindo a canção, porque quem sabe faz a hora, não espera acontecer.

E como dizia o saudoso Ibrahim Sued, ademã que eu vou em frente!

Um Brinde



Um brinde à 10ª anestesia geral.

Sei não, se depender das milhagens, o próximo brinde poderá ser uma viagem à Disney...


(Davi ganhou essa bola ontem lá na Prontobaby, quando foi fazer a última (?) dilatação do canal da uretra antes da próxima cirurgia. Está meio caída, mas ele adorou, até porque, como eu já disse, criança gosta de tudo, né)

Viu como a caminhada é longa?


Brinquedos e Crianças


O último dia 12 foi realmente o primeiro em que Davi curtiu o Dia da Criança.  Quer dizer, na verdade, ele não curtiu a data em si, já que não faz a menor ideia da diferença entre segunda e quinta-feira, janeiro ou outubro. Quer dizer, na verdade, quem curtiu bastante fui eu mesma.

Como moro na zona oeste, a Quinta da Boa Vista tem sido um local  frequentado constantemente e apesar de levar a (má) fama de "parque de suburbanos", nesse dia, como não poderia deixar de ser, estava empanturrado de crianças curtindo seus presentes, além das diversas atividades que ali aconteciam, como, por exemplo, a apresentação do Circo do Marcos Frota e distribuição de doces.

Davi ganhou de sua avó um carrinho, daqueles que têm pedais e um empurrador. Acho que esse foi o primeiro brinquedo que havia despertado um real interesse nele, porque todas as vezes que uma criança passava com um carrinho parecido, ele cismava em pular para dentro do mesmo, com ou sem a criança proprietária.

Não adianta. Criança gosta de ganhar brin-que-dos, e quando isso acontece no Dia da Criança tudo leva um toque de magia. Como o Davi ainda é muito pequeno, se distrai com qualquer coisa, e talvez por isso eu ainda não tenha sofrido com exigências na compra de brinquedos.  E sinceramente, confesso que até agora não gastei muito dinheiro com isso, visto que ele ganhou uma boa porção no aniversário (muitos parecidos, como aqueles que vêm com peças para encaixar), e também pelo fato de que, com sua mão de estivador, quebra quase tudo.

Portanto, não vejo razão para torrar uma grande fortuna em um brinquedo caríssimo que vai surtir o mesmo efeito que algum comprado pela metade - ou menos - do preço. Mesmo assim, eu sei muito bem que minha hora vai chegar, porque o preço de determinados brinquedos vai aumentando junto com o tamanho da criança.

No mais, tenho carregado algumas pedras, mas, como dizia aquele cantor, "faz parte do meu show".




Na última (e primeira) reunião da creche, o desfralde foi um dos assuntos abordados.  A partir do próximo ano, mais precisamente fevereiro, as crianças de 2 anos serão iniciadas nessa transição.

Como havia comentado aqui, a última cirurgia do Davi abriu uma fístula, e a cada mês ele tem sido sedado e levado ao centro cirúrgico para se submeter a uma dilatação, procedimento que se estenderá até após fevereiro. Ou seja, Davi não poderá ser "desfraldado" tão cedo.

E meu coração está do tamanho de um grão de mostarda.....


O Horário de Verão começará no próximo sábado, dia 15. O prenúncio do meu tormento porque, como muita gente sabe, eu odeio o horário de verão, o verão e tudo relacionado ao verão.


O Davi é, antes de tudo, um Forte!

A cirurgia do Davi foi, no geral, um sucesso. Durou em torno de 1 hora e meia, bem menos do que eu imaginei. E como eu havia comentado anteriormente, o Dr. Martinelli permite que os pais acompanhem a cirurgia de dentro do centro cirúrgico. Pode parecer um pouco estranho, mas ficar lá, olhando tudo de pertinho, me fez ficar mais calma do que se tivesse que esperar do lado de fora. 

A alta só se deu no dia seguinte, já que o médico preferiu que Davi ficasse sob observação, além de estar também no soro. E no dia seguinte, parecia que o moleque estava ligado numa tomada de 220V, de tão agitado! É impressionante como Davi consegue lidar com essas situações, mesmo estando sob efeito de remédios contra dor, com agulha na veia e com sonda! E em se falando de sonda, foram 13 dias com ela, 2 banhos 2 vezes por dia, muito antibiótico e muita dipirona. 

Os primeiros 5 dias foram bem agitados, com o curativo apertando o piu-piu de tal forma que ficou uma bola enorme na ponta dele. Isso era necessário para que os pontos não se abrissem, afinal, o inchaço é normal em áreas operadas e não seria diferente nesse caso também. Isso incomodava bastante o Davi, que não conseguia dormir e comer direito. Porém, assim que o curativo foi retirado, percebi que o alívio dele, e o nosso também, né.
Os dias seguintes foram até mais "tranquilos", digamos assim, com curativos a cada troca de fraldas e todo o cuidado com a sonda: para não entupir, para não arrebentar, para não prender em algum lugar, para não estrangular.

Infelizmente, a fístula que eu tanto temia acabou se abrindo, praticamente no mesmo ponto onde antes era o início do canal da uretra dele. Por conta disso, o Dr. Martinelli disse que haverá outra cirurgia de correção, talvez no final do ano, antes da cirurgia para reparar o excesso de pele. Enquanto isso, haverá outra intervenção, mais branda, em que será colocada a sonda novamente, para que o canal seja dilatado a fim de não fechar.  Ou seja, é trabalho para mais de metro!

Costumo dizer que apenas entramos na estrada e ainda falta muito, mas muito chão ainda para ser traçado. Apesar desses percalços, estou mais calma, confiante e esperançosa de que todo esse processo está no caminho certo, mesmo sendo cansativo e um tanto frustrante, porque colocar filho em mesa de cirurgia de vez em quando não é bolinho, não! Mas como fica nítida a mão de Deus nessas horas!

Davi anda mais impossível do que nunca, o que significa que está cheio de saúde e preparado para a próxima etapa.

De volta à programação normal e de cara nova. E vamos que vamos!

Desculpem-nos o Transtorno


Estaremos trabalhando para melhor servi-lo(a), pois está marcada para amanhã a cirurgia de hipospadia do Davi. Esta será, realmente, a primeira cirurgia, visto que na época da cirurgia das hérnias inguinais, o Dr. Martinelli apenas cortou um "freio" externo e em baixo do piu-piu.

Estou esperando por esse momento há, pelo menos, 1 ano e 6 meses, e a sensação é de estar prestes a se casar, ou a estrear alguma coisa, ou a parir. Se bem que, no meu caso neurótico, estou mais para o condenado, no corredor da morte, esperando a derradeira hora (pausa mega dramática!). E, interessante, estou mais apreensiva que da primeira cirurgia, quando Davi estava com  apenas 7 meses (como se idade fizesse alguma diferença...). Sinto que estou mais agitada,  com algumas palpitações que até então não tive, querendo e não querendo que o momento chegue, mas que acabe logo.  Gente, levar filho para centro cirúrgico, por menor que seja o motivo, não é muito fácil, não. Ah, sim, já chorei um bocado até agora.

De acordo com o Dr. Martinelli, desta vez não vai ter molezinha, não. Parece que vai demorar, e bastante. É bem provável também que haja uma outra cirurgia, dessa vez reparadora, estética, a fim de suprimir o excesso de pele (quem tem filho com hipospadia sabe do que eu estou falando). Me parece também que não haverá necessidade de ficarmos internados, ou seja, mesmo que a cirurgia termine lá pelas tantas, acho que poderemos voltar para casa logo após a alta médica.

Como já disse aqui, estarei no centro cirúrgico, pois o Dr. Martinelli permite que as mães que quiserem, acompanhem sua criança. Acho bem provável que eu não vá ficar olhando o procedimento em si, mas sim, do lado do Davi, tal como fazem os pais que acompanham suas esposas no nascimento de seus filhos. Neste caso, porém, é a criança que estará na maca, não eu, infelizmente.
 
Estarei fora por uns 20 dias ou mais, sei lá, porque vou emendar a licença com as férias (insira aqui uma risada histérica - férias, até parece), porque o pós operatório, pelo que eu já ouvi falar e já li, é tão ou mais complicado que a própria cirurgia.

Eu sei que tudo dará certo e, utilizando as palavras proféticas daquele ex-presidente, digo: EU VOLTAREI, a menos que algum bueiro assassino me ataque, porque eu não sei se você sabe, mas aqui é a filial de Bagdá!

Pode ser que a cirurgia seja cancelada, caso Davi apresente alguma restrição respiratória, por exemplo, pois esteve com bronquite, amigdalite e um pouco de pneumonia umas 2 semanas passadas. Mas estou torcendo mesmo para que o momento seja esse de agora.

No mais, tchau, adeus, goodbye, arrivederci, adiós, sayonara, aufwidesen e até mais ver.

Para o alto e AVANTE!!!

Síndrome de Complexo do Alemão


Esse blog nasceu num dia em que eu estava bem chateadinha só que, para não ficar choramingando aqui - afinal, ninguém tem culpa das coisas que se passam na vida de ninguém - eu resolvi fazê-lo de uma forma um pouco diferenciada do que existe pelo mundo virtual. A intenção não era tornar este espaço um muro de lamentações e insatisfações, muito menos ficar detalhando a "primeira-qualquer-coisa" feita pelo Davi.

Muitas das coisas que foram postadas se relacionavam a momentos que eu, por óbvio, não esperava que fosse passar, durante a gravidez e após o nascimento do Davi.  Ou seja, muito do que foi relatado é sobre as surpresas bem desagradáveis que tive nesses últimos 12 meses.

Os últimos dias têm sido "estranhamente" normais, ou seja, este mês Davi não foi a nenhum médico que não fosse apenas a Pediatra! Nas últimas semanas, Davi ganhou corpo, deu uma boa esticada, está indo para o 8º dente, engatinha  por toda a casa, já fica em pé.  Come bem, dorme bem, nada de febres ou tosses mais sofisticadas....tudo bom. Estranhamente bom e normal. Não tenho a menor inclinação para psicanálise, mas talvez eu esteja passando por uma espécie de "Síndrome de Complexo do Alemão".  Explico.

Como todo mundo sabe, o conjunto de favelas no Rio de Janeiro chamado Complexo do Alemão, assim como a Vila Cruzeiro, foram retomados pelas forças civis e militares na última semana.  Até então, nenhum outro governo havia ousado tal façanha e muitos "especialistas" consideravam o lugar inexpugnável.  Seus moradores, que viviam sob o jugo dos fuzis e dos abusos dos líderes do tráfico daquela região, passaram décadas de sofrimentos e humilhações que só agora poderemos conhecer. A rotina dessa gente era a violência e a violação da sua liberdade de ir e vir. O anormal era normal. 

A partir da retomada do território, os moradores da Vila Cruzeiro e do Complexo do Alemão, assim como outras várias comunidades que eram dominadas pelo tráfico, têm uma nova realidade para enfrentar: a normalidade. Viver sem o som de tiros, sem o anúncio de drogas na porta de casa, poder sair e entrar a qualquer hora do dia ou da noite sem se deparar com homens e mulheres portando revólveres e fuzis.  Muitos, claro, vêem essa nova situação com certa desconfiança, pois já vivenciaram essa realidade em outros tempos, porém, com um fim que remetia ao começo, ou seja, o Estado, através da polícia, entrava mas não ficava, e pouco tempo depois, a situação voltava a ser como antes.

É mais ou menos assim que ando me sentido ultimamente. Veja, isso não é uma reclamação, de jeito algum. Obviamente que, da mesma forma que os moradores daquelas comunidades não querem a volta da violência e daquela rotina anormal e torcem para que dessa vez  tudo mude para melhor e de forma definitiva, eu também não quero continuar a passar pelos sustos que passei com Davi. Por outro lado, assim como eles - os moradores - fica uma certa "desconfiança" dessa normalidade, visto que nós - eu e eles - estamos acostumados a uma rotina um tanto quanto atípica.

Talvez esse momento de calmaria sirva para compensar o próximo,  em que a cirurgia de hipospadia do Davi irá consumir bastante do emocional da família. Bem provável também que eu já esteja sofrendo por antecipação, não somente por ser uma característica minha, mas talvez também por ter me acostumado a viver nesse ritmo um pouco mais acelerado que a média.

Não sou do tipo que vê o copo meio cheio ou meio vazio. Para mim, o copo - no caso, o líquido - está no meio - do copo. Simples assim. Também não sou de ficar floreando as coisas, com a cabeça nas nuvens, o que não significa que eu viva sempre achando que tudo vai dar errado. Não é bem assim também. Só que, depois de ter passado todo esse primeiro ano do Davi correndo de um lado para o outro, com diagnósticos dos mais variados, desde a presença das hérnias até uma provável espinha bífida, confesso que ainda me causa estranhamento essa brisa toda.

Não sou - ou não quero ser - pessimista. Tenho tentado viver esse período da melhor forma possível, e talvez demore um pouco para eu me acostumar a lidar com a normalidade dos probleminhas típicos de criança em desenvolvimento.
 
Mas que ainda existe a impressão de que, a qualquer momento, haverá uma enorme troca de tiros, e tudo vai voltar a ser o que foi no início, ah, existe!

H.I.

A cirurgia das hérnias do Davi foi um sucesso.  Chegamos na Pronto Baby em torno das 12 horas e ele foi internado às 14.  Às 16 horas, Dr. Martinelli, juntamente com o anestesista, Dr. Flavio, nos chamou numa ante-sala do centro cirúrgico e nos passou as últimas instruções.  Em determinado momento, Dr. Flavio começou a brincar com o Davi, o pegou no colo e o levou. De dentro de uma sala, creio que o centro cirúrgico, ouço um UAAAAuaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa..... e depois um silêncio total.  Talvez tenha sido a hora da anestesia.

Geralmente, quem é portador de Hipospadia tem também Hérnia Inguinal ou H.I. – que é outra sigla inventada por mim, afinal, esse é um blog Ultra Top, Mega Hipe, Super Fashion.

Quando a gente adentra determinado universo, acaba absorvendo alguns conhecimentos que até se fazem necessários para entender todo um processo  ou situação.  Porém, para ser mais precisa, vou colocar uma explicação do que seja H.I. que encontrei no deus Google:

2 - O que causa esta Hérnia inguinal ?
 
Vou explicar primeiro o que ocorre nos meninos porque é mais freqüente, e mais fácil de entender!
Durante a gravidez, na formação intra-uterina dos genitais masculinos os testículos são formadas dentro do abdome ("barriga") da criança, e eles vão descendo até que no 7º ou 8º mês forma-se um "túnel", um "canal" na musculatura inguinal ("virilha"), pelo qual os testículos descem até a bolsa escrotal. Este canal deve cicatrizar e desaparecer até o nascimento, e se isto não ocorrer permanece aberto um canal, um túnel por onde podem sair de dentro do abdome os intestinos em direção ao escroto.

Nas meninas este "túnel" se forma para permitir a passagem do ligamento redondo (um dos mecanismos de fixação do útero) em direção aos grandes lábios.

3 - Porque a hérnia inguinal precisa ser operada ?
 
A cirurgia é necessária porque :
- Não existe a possibilidade de fechamento espontâneo deste túnel. 
- A permanência do intestino dentro deste canal causa desconforto, impede a prática de esporte nas crianças maiores, e prejudica a longo prazo o desenvolvimento do testículo. - Principalmente pelo risco de encarceramento e estrangulamento da hérnia!

Em momento algum Davi apresentou qualquer abaulamento, nem quando chorava, ou tossia, ou fazia algum esforço, porém, a suspeita da presença das hérnias surgiu numa consulta ao primeiro cirurgião pediatra que iria tratar da Hipospadia.  Para se certificar, ele pediu uma ultrassonografia, que acusou o não fechamento do canal inguinal, o que determinou a necessidade de cirurgia.  Como o resultado do hemograma pré-operatório mostrou que os hematócritos estavam abaixo do normal, ou seja, anemia, a cirurgia foi suspensa e Davi só foi operado depois de quase 2 meses.

Em consulta ao Dr. Martinelli, e como havia alguns outros “consertos” a serem feitos, o médico sinalizou a possibilidade de operar tudo de uma vez, fazer uma espécie de barba-cabelo-e-bigode de 5 procedimentos. Ótimo, pois quanto menos anestesia, centro cirúrgico e internação, melhor, não é?  Portanto, Davi operou as 2 hérnias – direita e esquerda, o primeiro tempo da hipospadia, o freio lingual (ele nasceu com a língua plesa, ia ficar falando igual ao Cebolinha) e a Orquidopexia, que é a colocação do testículo esquerdo no saquinho pois, apesar de ter sido mãe bem tarde, eu ainda quero ter netos!

A cirurgia durou em torno de 1 hora e meia, bem rápida, não? Nesse meio tempo, sabe o que eu fiz?  Palavras cruzadas, meu mais novo-velho vício. Eu ia fazer o que? Começar a espernear? Tentar invadir o centro cirúrgico gritando "me deixa ir junto, me deixa ir junto", "me larga, me larga" igual a enterro de pobre? Não, né. Segurei a onda numa boa, tanto que, quando o Dr. Flavio trouxe o Davi para o quarto e me perguntou: "Mãe, você está nervosa?", dei uma de Scarlett Ohara e respondi: "Depois eu penso nisso". E realmente não fiquei nervosa, aflita, sim, mas  não naquele momento, só depois, beeeeeem depois.

A alta foi à noite e Davi passou 1 semana tomando quatro banhos por dia, sendo dois de “assento” - coisa antiga, heim?  No dia seguinte à cirurgia, parecia que ele nem havia passado por tudo aquilo. Rolava de um lado para o outro, só mostrava sentir dor quando eu fazia os curativos.  As duas incisões laterais pareciam duas linhas fininhas, como se ele tivesse sido arranhado.  Na medida em que ele cresce, essas cicatrizes irão diminuir e ficar imperceptíveis.  Crédito dele, que tem uma saúde de ferro, e do Dr. Martinelli, que tem  mãos de pluma.