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Octógono é lugar para crianças?

De olho no mercado milionário do MMA, americanos colocam filhos para participar de competições nos EUA. Especialistas alertam para os prejuízos físicos e emocionais da luta

Wilson Aquino
 
A partir dos cinco anos, crianças americanas têm sido levadas por seus pais para participar de torneios infantis de MMA – ou melhor, Pankration, técnica grega semelhante, mas na qual são proibidas joelhadas e cotoveladas. Estima-se que cerca de três milhões de meninos e meninas pratiquem o esporte nos Estados Unidos. No Brasil, começam a despontar academias de artes marciais mistas (ou MMA) para os pequenos, porém sem combates oficiais. Mas, com a popularização dos marmanjos fortões do Ultimate Fighting Championship (UFC), que enriquecem em shows de brutalidades, não será surpresa o surgimento de torneios infantis aqui, até porque não há legislação que proíba. Nos EUA, os eventos para crianças não envolvem dinheiro, mas os minúsculos gladiadores são condecorados com medalhas e troféus, além do aplauso dos pais, que sonham com os bilhões de dólares que a indústria pode oferecer aos pimpolhos no futuro. Entretanto, apesar de serem fortes e disputarem ferozmente com os adversários no octógono, eles não deixam de ser crianças e, não raro, saem de cena chorando. Alguns fazem pirraça e se negam a cumprimentar o rival, como é obrigatório.
 
MINIGLADIADORES
Torneio infantil nos EUA: os campeões têm apelidos como "A Besta"
A questão chamou a atenção recentemente, depois que o fotógrafo peruano radicado em Nova York Sebastian Montalvo, 24 anos, viajou por vários Estados americanos registrando as lutas entre crianças. O conjunto das fotos é um impressionante documento sobre roubo de infância até para feras do octógono, como o ex-lutador de MMA Royler Gracie, 48 anos, que mora e tem academia nos Estados Unidos desde 2008. “Sou totalmente contra esse tipo de competições para crianças porque elas não têm maturidade para isso”, afirma. Montalvo resume o que viu: “Como é um dos esportes que mais crescem no mundo, uma nova geração tem feito de tudo para participar dos eventos da Liga Americana de Luta.”

Um dos campeões de MMA infantil tem 7 anos, nasceu no Arizona, e atende pelo apelido de “The Arm Collector” (O colecionador de braços), por causa de sua habilidade de vencer pela imobilização dos membros superiores dos adversários. Outro, da Califórnia, da mesma idade, é conhecido como “The Beast” (A Besta). Como será o crescimento de uma criança que se acostumou a ser chamada por esses apelidos e elogiada pela brutalidade? “Quem passa a infância e a adolescência batendo nos coleguinhas vai se transformar em um adulto que não consegue negociar, não tem empatia nem pena do outro”, alerta a psicanalista Ana Maria Iencarelli, que há 40 anos trabalha com crianças e adolescentes. “Qual é a filosofia desse esporte?”, pergunta ela, para responder em seguida: “Acabar com o outro.” Ou seja, o ensinamento básico não pode proporcionar um crescimento saudável.

CONTROLE
Academia em Brasília: crianças aprendem técnicas de MMA, mas só lutam jiu-jítsu

“É um esporte muito contundente. Uma criança não está preparada em nenhum aspecto para suportar esse tipo de competição”, adverte o professor paulista Danilo Dourado, que treinou campeões do UFC, como Maurício Milani Rua, o Maurício Shogun, e ensina MMA para crianças, mas não admite luta entre elas. É seguido, no raciocínio, pelo diretor e médico da Confederação Atlética Brasileira de MMA, Márcio Tannure: “Sou a favor de a criança treinar MMA porque, além de ser saudável para o corpo, a filosofia milenar das artes marciais educa a mente. Mas sou contra colocar para lutar.” Ortopedistas alertam para os riscos de lesões que podem ocorrer na placa de crescimento (leia quadro).


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Gente...

Feia - Livro



Entreguei a minha fotografia tirada na escola, para a minha mãe.  Ela olhava da fotografia para mim.  De mim para a fotografia.  Então disse: "Meu Deus, como ela pode ser tão feia. Feia. Feia."


Achou muito pesado?  Isso foi pouco diante do que Constance "Claire" Briscoe ouviu de sua mãe na sua infância.

Esse é o tipo de livro que você começa a ler e não para enquanto não acaba. Fui capturada pela capa, claro, e assim que li o prefácio, não tive como não levá-lo e quero indicá-lo como leitura.  Não é uma leitura agradável, fácil, no sentido de ser palatável, porque a história verdadeira de Constance "Claire" Briscoe é crua demais, mas nem por isso não recomendável, pelo contrário.

Não sei exatamente o que levava sua mãe a agir como agia, da forma mais sádica possível, ao violentar física, verbal e moralmente sua filha, porque nada justifica suas atitudes, que são inadequadas até para um animal, quiçá para uma criança, filha ou não, o que só prova que nem todas as mulheres nasceram para a maternidade.

Porém, ao contrário do que se pensa, Constance Briscoe não se vitimou e se autopiedou.  Ela "cresceu e apareceu", tornou-se juíza e uma das primeiras mulheres negras a presidir a sessão de um tribunal no Reino Unido.

Encontrei também uma entrevista que a autora deu à Istoé, algum tempo passado, abaixo.  Interessante é que ela define sua mãe também, como "tóxica", assunto abordado neste livro.



Constance Briscoe

"Acredito que sou ótima mãe"
Juíza inglesa conta em entrevista à ISTOÉ os motivos que a levaram a escrever o livro em que narra as agressões físicas e psicológicas que sofreu da própria mãe
 Suzane G. Frutuoso

Confira abaixo a entrevista com a inglesa Constance Briscoe, de 52 anos, autora de "Feia - a história real de uma infância sem amor” (Ed. Bertrand). Após o lançamento do livro, a mãe da escritora, Carmen, tentou processá-la por causa da obra. Perdeu. 

Istoé - Por que a senhora resolveu falar abertamente  sobre os abusos sofridos na sua infância?
Constance Briscoe - Sempre pensei em escrever sobre minha história.  A primeira vez que fiz isso foi quando meu filho mais velho nasceu, em 1987.   Mas nunca passei do primeiro capítulo. Na época, resolvi apenas tocar a vida. Depois, escrevi porque gostaria que meus filhos conhecessem mais sobre minha luta e que eu não tinha vergonha do meu passado. Ao mesmo tempo, não desejava criá-los sob o estigma de uma mãe que sofreu abusos. Eles nunca poderão dizer que falharam na vida porque a mãe deles teve uma vida difícil.

Istoé - Quantos anos a senhora ficou sem falar com sua mãe?
Constance -Quando ingressei na universidade foi a última vez que falei com minha mãe, em 1979. Sem contar nosso encontro no tribunal, a vi em três ocasiões. Uma delas era o funeral do meu pai. Em nenhuma das vezes falei com ela.

Istoé - Qual foi o maior trauma para a senhora?
Constance - Eu não diria que ainda carrego traumas. Acredito que minha mãe é algo tão distante do meu passado que dificilmente me lembro do impacto que ela causou na minha vida. Mas minha maior dor era nunca ter vivido num lar decente. E saber que eu poderia ser uma péssima mãe no futuro como ela foi. Na verdade, não acredito que possa existir alguém pior do que minha mãe.


Istoé - A senhora se submeteu a algumas cirurgias plásticas. Por quê?
Constance - Tive algumas dificuldades para aceitar minha aparência, provavelmente por causa dos  problemas com minha mãe. Eu mudei o nariz, a boca, os olhos e os pés.


Istoé - A senhora definiria sua mãe como tóxica?
Constance -Se isso significa ser incapaz de educar os filhos e fazer do lar um ambiente destrutivo, transformando a infância num período de medo, com certeza minha mãe é tóxica.


Istoé - Acredita que cortar relações com pais abusivos é a melhor solução?
Constance - Uma das razões pelas quais me tornei bem-sucedida é justamente ter saído daquele ambiente ruim bem cedo. Alguns de meus irmãos e irmãs, que permaneceram na casa da minha família, não se realizaram como poderiam. Há muitos casos de crianças que quando adultos venceram na vida porque foram retiradas de ambientes negativos o quanto antes. É um erro acreditar que o fato de uma mulher dar a luz faz dela naturalmente uma boa mãe.


Istoé - Como a senhora se sentiu quando soube que sua mãe estava a processando por causa do livro?
Constance -Assim que minha mãe descobriu que eu publicaria o livro sobre minha infância, ela tentou me impedir. Foi aos jornais dizendo que eu era uma mentirosa e que estava sendo vítima de uma maldade. Disse também que meu padrasto nunca havia encostado um dedo em mim, o que era mentira. Mas fiquei mesmo decepcionada foi com meus irmãos, que confirmaram o que minha mãe dizia. Isso porque uma das coisas que descobri, durante o julgamento, foi que ela abusou de outros filhos depois de mim. Arquivos do serviço social de Londres provam que minha mãe tentou colocar uma das minhas irmãs em um canil! Alegou que a menina era um cão! Como não conseguiu, botou minha irmã para fora de casa. No julgamento, ela negou. Mas os arquivos comprovaram.
 
Istoé - O que seus filhos dizem sobre sua história?

Constance  - Eles compreendem. Agora, eles sabem os detalhes e têm um enorme orgulho e respeito por mim. A mãe deles, que veio do nada, começou do zero e venceu, é uma inspiração.

Istoé  - Como é para a senhora ser mãe hoje?
Constance  - Acredito que sou ótima mãe. Nunca bati nos meus filhos. Eles cresceram com espaço e apoio para se tornarem as pessoas que desejam ser.


Istoé  - Por que escolheu ser juíza?
Constance  - Porque quero julgar as pessoas de maneira justa, sem preconceito.


Livro: Feia
Autora: Constance Briscoe
Editora: Bertrand Brasil
361 páginas

Crianças Pequenas e a Tecnologia

Compartilhando um texto do site Babycenter sobre como lidar com crianças e tablets, I-pads e outros recursos tecnológicos. 

Assim como acontece com a TV, há um jeito certo -- e um jeito menos certo -- de introduzir um computador ou tablet ao seu filho pequeno. Um detalhe importante para ajudar crianças a aproveitar bem o aparelho é limitar o tempo que podem passar na frente da tela, além de ter um adulto por perto para compartilhar a experiência com elas. Veja a seguir algumas dicas: 

Tem idade certa para brincar no computador?

Muitos especialistas recomendam que crianças menores que 2 anos não sejam expostas a televisão, computador ou tela de telefones ou tablets, porque estão em uma idade que devem ser o mais fisicamente ativas possível e também precisam de forte estímulo à socialização e a capacidade motora.

"Mas, nos dias atuais, fica muito difícil não expor a criança a esses aparelhos", afirma o pediatra Paulo Sérgio Barros Ferreira.

Por isso há um grupo de pesquisadores que acredita que a interação através de equipamentos eletrônicos possa servir de auxílio à comunicação entre você e seu filho enquanto brincam juntos.

Para que isso funcione mesmo, não adianta deixar crianças com menos de 2 anos sozinhas com um tablet na mão, por mais miraculosamente quietinhas que elas possam ficar. Você precisa realmente estar próxima para conversar, mostrar como faz, ensinar e brincar junto.

Lembre também que bebês com menos de 9 meses não têm habilidade física para interagir com equipamentos eletrônicos. Até os 6 meses, a visão ainda não está desenvolvida o suficiente para focar bem o monitor, e a capacidade para sentar normalmente só aparece entre os 6 e 8 meses de idade. 

Leia mais em:


E tem esta matéria/post  aqui também

Cuidados ao dar um tablet para seu filho

Daqui: http://veja.abril.com.br/multimidia/video/conheca-os-cuidados-para-dar-um-tablet-para-seu-filho

Obesidade Infantil

Um dos males do nosso século.  Matéria da Veja São Paulo, que trata deste assunto e que eu gostaria de compartilhar.  A matéria completa você lê aqui.


Os desafios das crianças para entrar em forma

Um problema cada vez mais comum em uma cidade onde quase metade da garotada está acima do peso 



5.jul.2013 por Mariana Barros 
 
O sonho de Alexandre Bitencourt, de 13 anos, é ser ator. Após aparecer em dezenas de comerciais publicitários e fazer curso de atuação, ele se prepara para uma oportunidade inédita: participar da novela juvenil Chiquititas, que o SBT exibirá a partir do dia 15. Além do talento, outra característica foi determinante para que Alexandre conquistasse o papel. Assim como seu personagem, o garoto adora comer e luta contra a balança para perder os quilos a mais. Até bem pouco tempo atrás, sua rotina era pontuada por copos de refrigerante, doces e porções exageradas. “Seu prato de almoço poderia alimentar duas pessoas”, conta a mãe, a enfermeira Kely Bitencourt. Além de Alexandre, ela tem outros dois pequenos glutões: Leonardo, 10, e Nicolas, 6. Para entrar na linha, a turma perdeu o livre acesso à despensa lotada de guloseimas e há um ano vem frequentando aulas de natação cinco vezes por semana.

O trio de irmãos, que aparece na foto acima, representa o retrato de um problema que vem crescendo na cidade: a obesidade infantil. Segundo levantamento recente do programa Meu Pratinho Saudável, projeto de esclarecimento e prevenção feito em parceria do Instituto do Coração (Incor) com a editora LatinMed, um total de 45% das crianças da capital enfrenta dificuldades com a balança (contra 30% da média nacional). Dentro desse grupo, 19% apresentam excesso de peso (ou seja, possuem índice de massa corporal, IMC, entre 25 e 30). E 26% delas estão obesas (IMC acima de 30). A pesquisa em questão avaliou quase 500 paulistanos entre 2 e 9 anos de idade.

Os números ajudaram a quantificar um fenômeno para o qual os especialistas já vêm chamando atenção há algum tempo. Pouca atividade física, falta de tempo para brincar, alto consumo de produtos industrializados, como refrigerantes e sanduíches de fast food, e pais que trabalham fora e não acompanham a alimentação dos filhos são os grandes complicadores. “Nas últimas décadas, trocamos o medo da desnutrição pelo exagero e descontrole que resultaram na obesidade”, afirma Ieda Jatene, chefe do departamento de cardiologia pediátrica do Hospital do Coração (HCor).

Algumas das principais causas de morte por infarto, derrame, câncer e diabetes têm como base a (má) alimentação. De acordo com projeções da Organização Mundial de Saúde (OMS), o Brasil liderará até 2040 o ranking de países com o maior número de óbitos por problemas cardiovasculares, seguido por China e Índia. O excesso de peso na infância está relacionado a essa estatística sombria. “Se nada for feito, esses jovens viverão cerca de dez anos menos do que seus pais”, alerta o cardiologista Mauricio Wajngarten, do Incor.

A obesidade infantil pode ser desencadeada por vários fatores, incluindo questões psicológicas, como uma crise de ansiedade às vésperas de um evento importante, a exemplo de uma prova na escola. Aos poucos, porém, fica cada vez mais claro que o comportamento dos adultos representa um dos maiores problemas. “Os filhos refletem o que os pais fazem, para o bem e para o mal”, diz Eduardo Calliari, endocrinologista pediátrico da Santa Casa e do Hospital São Luiz. Para ele, o crescimento do número de mulheres com sobrepeso está diretamente relacionado ao aumento da taxa infantil, pois costumam ser elas as principais responsáveis pela alimentação dos rebentos. Segundo a médica Maria Edna de Melo, da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrone Metabólica (Abeso), a falta de sensibilidade dos familiares também prejudica os tratamentos de emagrecimento e reeducação alimentar. “Comer guloseimas na frente de quem está encarando restrições é uma forma de tortura”, exemplifica.


Na tentativa de virar esse jogo, a Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp) criou recentemente um fórum permanente de prevenção voltado a crianças e adolescentes e coordenado pelo cardiologista Wajngarten. O grupo, que fez sua primeira assembleia no congresso da Socesp no fim de maio, reúne representantes da indústria alimentícia, jovens, pedagogos, pesquisadores e médicos em busca de soluções para o que já é considerado uma pandemia.

Os erros começam ainda nos primeiros meses de vida. “Vemos farinhas ricas em açúcar e refrigerante na mamadeira”, relata a nutricionista Karine Durães. Já as crianças em idade escolar precisam driblar a tentação dos lanches da cantina. Nas escolas da cidade é possível encontrar da tradicional coxinha a quiosque de fast-food. Um estudo da Sociedade Brasileira de Cardiologia coordenado pelo médico Carlos Alberto Machado mapeará a partir de agosto os hábitos alimentares dos estudantes de 128 colégios estaduais em vários municípios paulistas. Com base no levantamento, os salgadinhos serão gradativamente substituídos por alimentos naturais e integrais. Para chegar a esse objetivo, que deve começar a ser posto em prática no ano que vem, uma equipe está por videoconferência treinando diretores, professores e merendeiras. Algumas instituições de ensino particulares têm seguido essa mesma linha. A Escola da Vila, com unidades no Morumbi e no Butantã, depois de ter banido recentemente da cantina frituras e hambúrgueres, planeja dar fim também à oferta de refrigerantes.

Outra frente de batalha envolve a publicidade direcionada aos jovens. Em 2011, o Procon multou o McDonald’s em 3 milhões de reais e, no ano passado, o Habib’s em 2 milhões de reais por fazerem propaganda de lanches com brinquedos. Neste ano, o governador Geraldo Alckmin vetou um projeto de lei que proibia a venda casada de alimentos pouco saudáveis, como fast-food, com brindes. Iniciativas semelhantes seguem em tramitação. A mais emblemática delas, que amplia a restrição das peças publicitárias para o público infantil, espera por aprovação desde 2001.

+ Saiba quais são os vilões da dieta infantil

A ampla presença de alimentos industrializados na rotina dos pequenos é o tema do documentário Muito Além do Peso, da cineasta pau listana Estela Renner. Ela foi estudante de nutrição e pilotou o fogão nos sete anos em que viveu com seus filhos — de 6, 9 e 11 anos — nos Estados Unidos. Após um mês em cartaz no fim de 2012, o longa segue no ar na internet (www.muitoalemdopeso.com.br), na qual já teve mais de 500 000 exibições. No começo do filme, as crianças são desafiadas a reconhecer frutas e leguminosas como mamão, manga, abacate, pimentão, beterraba e mandioquinha. Ninguém acerta. Quando a charada é identificar a marca por trás das tarjas colocadas em pacotes de salgadinhos e bolachas, todas sabem de cor o nome do produto.

Em outra cena, a bióloga Maluh Barciotte mostra um bolinho que foi servido a ela durante uma excursão escolar há um ano e meio. Passado todo esse tempo, o doce continua intacto, sem nenhum bolor. “Nem fungo se interessou por ele”, diz. A fabricante do doce é a mesma que fornece os bolinhos da merenda municipal, distribuída em 2.600 endereços, entre escolas, creches e entidades conveniadas — por dia, a prefeitura serve 1,8 milhão de refeições a crianças.

Quando soube da coincidência, Erika Fischer, diretora do Departamento de Merenda Escolar da prefeitura paulistana, solicitou à empresa fornecedora uma nova fórmula com menos açúcar e com ingredientes integrais. “Somos responsáveis pelo que está acontecendo agora e pelo que acontecerá no futuro”, justifica Erika, que comanda uma equipe de cinquenta nutricionistas.

Cardápios infantis compostos de salsicha, macarrão e pedaços de frango empanado são comuns na cidade. Nos Estados Unidos, é igualmente facílimo encontrar um lugar que ofereça essas iguarias ao paladar infantil. No best-seller Crianças Francesas Não Fazem Manha (272 páginas; 29,90 reais; editora Fontanar), a americana radicada na França Pamela Druckerman questiona esse hábito. Surpresa com os bons modos à mesa dos pequenos franceses, ela investiga os pilares da maneira local de criar filhos. Descobre que a mesma refeição, em casa ou no restaurante, é oferecida tanto a adultos quanto a crianças. “Aceitei que é meu dever ensinar meus filhos a gostar de uma variedade de sabores e a fazer refeições equilibradas”, escreve a autora.

Os hábitos à mesa impactam até a formação da personalidade da garotada. Um estudo da Universidade Columbia, em Nova York, revela que fazer ao menos quatro refeições por semana com a criança reduz o índice de consumo de drogas na adolescência, a agressividade, a depressão e a obesidade. “Criança não deve fazer dieta temporária, e sim reeducação alimentar”, resume o endocrinologista pediátrico Eduardo Calliari. “Sem que os pais entrem na dança, essa tarefa se torna impossível.”

DE OLHO NO ESPELHO

Algumas regras que os pais devem seguir para garantir a saúde dos filhos 

1. Tire da rotina refrigerantes, sucos prontos, salgadinhos, fast-food, enlatados, embutidos e carboidratos em excesso. Nos fins de semana é possível abrir exceções, mas sem perder o controle.

2. Saiba ler o rótulo dos alimentos. O primeiro ingrediente da lista é o que existe em maior quantidade no produto. O açúcar pode aparecer descrito como carboidrato.

3. Para escapar das tentações das festinhas de aniversário, sirva um lanche antes de sair de casa. Combine com seu filho a quantidade máxima de docinhos, salgadinhos e refrigerantes a ser devorados.

4. Sempre que puder, inclua os pequenos na compra de alimentos e em seu preparo. Levá-los à feira e ao supermercado e fazer receitas junto com eles ajuda a despertar a consciência sobre a alimentação.

5. Ensine a seu filho o que faz bem e o que faz mal à saúde, para que ele possa fazer escolhas corretas quando você não estiver por perto, como na escola e no shopping com os amigos.

Crianças e Seus Brinquedos Prediletos

Amei essas fotos e quero compartilhar essa ideia bem legal.  Crianças de várias partes do mundo, ricas e pobres, posam com seus brinquedos prediletos. 

Arafa e Aisha, de Bububu, no Zanzibar

Niko, de Homer, no Alasca, EUA
Watcharapon, de Bangcoc, na Tailândia
Tyra, de Estocolmo, na Suécia
Tangawizi, de Keekorok, no Quênia
Talia, em Timimoun, Argélia
Taha, de Beirute, no Líbano
Stella, de Montecchio, na Itália
Shaira, de Mumbai, na Índia
Reanya, de Sepang, na Malásia
Ragnar, de Reykjavik, na Islândia
Pavel, de Kiev, na Ucrânia


Naya, de Manágua, na Nicarágua

Maudy, de Sibanda, na Zâmbia
Lucas, de Sydney, na Austrália

Li Yi Chen, de Shenyang, na China
Keynor, de Cahuita, na Costa Rica

Kalesi, de Viseisei, nas Ilhas Fiji
Julia, de Tirana, na Albânia
Chiwa, de Mchinji, no Malawi
Botlhe, de Maun, em Botsuana
Bethsaida, de Porto Príncipe, no Haiti
Allenah, de El Nido, nas Filipinas
Alessia, da Toscana, na Itália

Abel, de Nopaltepec, no México
Este é o fotógrafo, Gabriele Galimberti, e seus brinquedinhos preferidos

Após 18 meses de trabalho, Galimberti conclui que não importa que brinquedo é o preferido das crianças — bonecas, bolas, carrinhos, dinossauros –, o importante é brincar.

E confirmou um mito: “As crianças mais ricas são as mais possessivas. No início, eles não me deixaram tocar em seus brinquedos”, conta. “Nos países pobres, era muito mais fácil. Mesmo que eles só tivessem dois ou três brinquedos, eles realmente não se importavam em mostrar”.

Fonte


Obs.: Achei o Pavel, da Ucrânia, meio chegado numa batalha, heim.  A Maudy, da Zâmbia, já é estilosa e fashion e toda trabalhada na tendência dos óculos de sol. Ah, o Davi, de Campinho, Brasil, não quis ser fotografado, as usual...

Sobre Crianças, Tecnologias e Consumismo

Imagem
O texto e grande... sorry.

Vou confessar uma coisa que às vezes tenho até vergonha de dizer: eu nunca, nunquinha joguei videogame.  Nada, nem o tal do "come-come".  Não é questão de ser do tempo em que a TV era movida à válvula, mas é que realmente os jogos eletrônicos nunca me atraíram.  Também não me lembro de ter tido oportunidade de ser apresentada a algum, já que na minha adolescência eu passava boa parte do dia fora de casa, entre trabalho e estudos, e o tempo que restava era bem pouco. Creio que minhas condições financeiras também cooperaram para que os videogames ficassem sempre à margem das minhas possibilidades.  Também sou meio analfabeta digital e reconheço que muitos dos recursos tecnológicos existentes ainda sejam novidades para mim, o que faz com que qualquer criança hoje em dia tenha competência digital o suficiente para me ensinar sobre i-pads, i-pods, i-phones e outros "ais" que venham a existir, além dos diversos tipos de jogos eletrônicos, claro.

Acho que sou meio metódica ou, talvez, ultrapassada em algumas coisas.  Tenho a mesma linha telefônica desde que comprei o meu celular, há uns 15 anos.  Por mais que tente, não consigo ler e-books, tenho que imprimí-los.  E ainda gosto de comprar CD's e DVD's.  E livros, daqueles feitos de capa dura de papelão e papel, brochura, essas coisas, sabe.  Em casa existem 3 TV's: 1 de 29" e 1 em cada quarto, de 20".  Das antigas, quer dizer, ainda não são de LED, com full HD e widescreen, 3D, Progressive Scan,  Blue Ray, Internet conectada com a Nasa.  Como eu tenho outras prioridades, ainda não foram trocadas e ainda funcionam muito bem.  Há também 1 Lap-top e 1 máquina fotográfica digital - não chega a ser uma Tecpix, mas atende. 

Talvez por causa dessa precariedade de recursos digitais, Davi ainda não saiba, sequer, usar o controle remoto para ligar a TV, ou colocar o DVD para tocar ou, ainda, usar o celular.  Nos últimos dias tenho até deixado que ele manipule um pouco a máquina digital, a fim de se familiarizar com alguma coisa desse tipo.  Ainda não havia me dado conta desse analfabetismo digital do meu filho.  Primeiro porque ele ainda está na fase da "mão destruidora", pois sua curiosidade faz com que ele fuce as coisas ao ponto de quebrá-las.  Depois, porque eu acho que como sou bem desligada nesses recursos tecnológicos eu acabo não passando essa curiosidade para ele.  Talvez alguém me diga: Luciana, você não sabe o que está perdendo.  Mas... será que não?

Como eu falei brevemente aqui, nos seus três anos de vida Davi não foi estimulado a fazer nada além daquilo que eu considero que esteja dentro da sua idade.  Sendo uma típica criança de "cidade grande" e morador de apartamento, ele passa o dia inteiro entre creche e casa, com poucas horas ao ar livre. Sempre que posso, tento oferecê-lo alguma atividade fora das quatro paredes da casa, para correr, de preferência descalço, pegar frutas no pomar, tentar andar de bicicleta ou ir atrás de uma bola ou empinar uma pipa em alguma pracinha próxima e cheia de poeira.  Ainda assim, há dias em que ele passa um bom tempo em frente à TV, o que às vezes me enche de sentimento de culpa e de incompetência.

As tecnologias estão aí, muitas para facilitar as nossas vidas, pois alguém imagina como conseguimos sobreviver sem o telefone celular, que pode ser adquirido em qualquer stand na esquina mais próxima?  Sim, pois houve um tempo em que só existia telefone fixo, e mesmo assim, era para poucos.  Computadores, então, eram basicamente para empresas.  Poucas empresas, claro.

E não demorou muito para que essa tecnologia também adentrasse às salas de aula.  Há, inclusive, algumas instituições em que o uso do caderno, livro e canetas e lápis já foram abolidos, assim como o quadro negro.  Alunos portando avançados tablets e lap tops com a última palavra em recursos digitais recebem aulas de professores que, no lugar do bucólico giz de cera, orquestram suas narrativas com a luz vermelha do laser-point, apontando para um grande telão que projeta cálculos, teoremas e definições elaboradas no Power Point.

Davi tem aulas de informática na escola, mas nada que ainda se reflita em casa, pelo menos nenhuma habilidade que eu tenha reparado quando ele está na frente do lap top.  Talvez o que ele tenha seja apenas uma leve introdução ao mundo digital, mas nada que tenha trazido algum impacto mais relevante no seu comportamento doméstico.  Talvez seja por causa do meu analfabetismo digital, juntamente com o fato de que eu priorize outras coisas que não sejam equipamentos de última geração, então, o guri, até hoje, como falei, não sabe usar, sequer, o controle remoto.

Não significa que eu não queira uma TV de LED widescreen, com full  HD, 3D, Progressive Scan,  Blue Ray, Internet conectada com a Nasa, de 68 polegadas ou que eu não venha a adquirir um "ai"-qualquer-coisa, não é esse o caso.  Eu quero, sim, mas não tenho, agora, necessidade.  Não sou diferente de ninguém que queira surfar na última palavra em recursos digitais, mas também não fico na dependência ou na necessidade de T-E-R só porque ... existe.   Ou porque o vizinho tem.  Ou porque o coleguinha da creche do Davi também tem.


A matéria de O Globo fala sobre crianças que, aos 6 meses de idade, já estão sendo apresentadas ao tablet.  Pergunto: para que?  Serão mais eficientes ou mais inteligentes do que outras?  Ou apenas terão sua necessidade transformada em fome consumista?  Por outro lado, já imagino o brilho no olhar dos pais que dizem que seu bebê, que às vezes nem dentes colocou ainda, já sabe lidar com informática.  Uau!  Vejo também o sorriso largo dos donos de creches e escolas que, para atrair um público cada vez mais ávido por novidades, oferece serviços sofisticados como esse. A eles poderíamos dizer que são os que riem por último e  melhor.  E bem alto.

É sabido por muitos que o excesso de tecnologia e principalmente a influência da TV e dos games  têm sido um dos  grandes males da infância desta geração.  Pois tudo o que é excesso por óbvio não é saudável, porém, ainda assim há quem se deixe levar pelo canto da sereia e expõe suas crianças à última palavra em videgames e outros recursos digitais e tecnológicos.

Não tenho a menor pretensão de criar Davi longe dessa realidade, afinal, eu sou bastante lúcida para saber e reconhecer que ele faz parte dessa geração que nunca saberá o que é viver sem um aparelho celular, muito menos um computador. É bem provável  também que eu nunca irei acompanhá-lo em algum jogo eletrônico, pois eu sequer sei usar um joystick.  O que eu acho que ainda posso fazer é retardar um pouco a sua iniciação ao consumismo tecnológico e digital, já que ele terá toda a sua vida para escolher os mais avançados aplicativos e equipamentos de última geração, desde uma TV de 173 polegadas até um "ai"-qualquer-coisa 958.


Os joguinhos virão, a tecnologia vai ficar cada vez mais refinada e avançada, mas nada disso pode substituir a vivência e experiência pessoal, do contato físico e real.  Do pé no chão, sabe.  O que vemos por aí são crianças crescendo dentro de uma bolha virtual, que não conseguem sequer se comunicar com outras crianças, nem com os próprios pais, pois passam grande parte de seu tempo teclando seus aparelhinhos sofisticados descontroladamente, na troca de mensagens vazias que alcançam milhões de outras pessoas, mas que não acrescentam nada a ninguém, nem a elas. 


Às vezes eu confundo a minha vergonha em não saber jogar um videogame com o fato de Davi sequer saber ligar um controle remoto.  Mas aí eu paro e penso que esse não pode ser meu objetivo maior e sim, que ele tem que viver a infância dele com a maior intensidade possível, pois ela passa muito rápido e não há momento da vida mais marcante do que esse.  E para eternizar isso, até uma câmera fotográfica de filme preto e branco resolve, não é?



A Ameaça

Eu não tenho o hábito de falar palavrões, nunca tive.  Não porque eu seja uma menina boazinha, mas sempre fui muito comportada, mais para agradar e ser aceita do que para mostrar minha educação.  Além disso, sou da época em que a criança que falasse um palavrão ou levava um tapa ou sofria com uma pimenta na boca. Isso não significa que de vez em quando eu não solte alguma "pérola", porém, no geral, eu não tenho mesmo esse hábito.

Na hora da ira eu solto uma coisa ou outra e em pensamento alguns vêm com muita força mas, no geral, não sou o que se costuma chamar de boca suja. Mas quando, num momento de cabeça quente eu falei "cacete" e Davi repetiu "catete", aí mesmo é que eu comecei a me policiar, porque senão o negócio ia ficar muito feio.

Acho feio usar palavrões para se comunicar, mesmo que a única expressão para um momento seja um "belo" palavrão que se encaixa perfeitamente nele e que expressa o sentimento na situação.   Trabalhei  com um rapaz que em 10 palavras que soltava, 11 eram palavrões, que saíam com tanta naturalidade que com o tempo me incomodavam menos.  E se eu acho feio gente adulta falando palavrão, quando ouço uma criança usando termos chulos eu tenho vontade de enfiar minha cabeça num buraco e morrer.

Uma pesquisa de 2010 mostrou que as crianças de hoje em dia falam muito mais palavrões do que as de outras épocas e a razão principal é a influência de seus pais boca suja.  E nos tempos atuais, não adianta mais aquela máxima que dizia "faça o que eu mando mas não faça o que eu faço", pois esse modelo autoritário mudou para um mais flexível, onde o diálogo vem em primeiro lugar.  Hoje, a criança continua a ser observadora de seu meio mas tem  muito mais liberdade para expressar seus sentimentos e percepções.  Acredito que sejam poucos os casos em que crianças que soltam um palavrão levam um tapa ou têm que mastigar uma pimenta como forma de limpar sua boca suja.

Às vezes o movimento não é de dentro para fora de casa e sim o contrário.  Quando um filho chega em casa e faz ou fala alguma coisa que a gente sabe que não foi em casa que ela aprendeu e sim com os coleguinhas, o sangue gela e temos que conversar e corrigir imediatamente.  Como Davi e seus coleguinhas de escola ainda são bem pequenos, percebo a ausência do uso de palavrões em sua fala, graças a Deus.  Se acaso aconteça, creio que seja mais uma questão de repetição do que de noção do que se está falando, já que ele, por óbvio,  não tem muita ideia daquilo que repete. Porém, nesse momento "esponja" em que ele se encontra, tudo é absorvido e fica guardadinho lá na memória, sendo formatado para um uso no futuro.

Quase todos os dias em que chega da creche, Davi reclama que levou um tapa ou um empurrão de algum coleguinha, e sabendo que ele não é nenhum santinho pergunto o que ele fez e ele responde: eu bati também.  Até aí, não vejo nada de anormal, já que crianças que convivem diariamente umas com as outras se estapeiam e voltam a brincar como se nada tivesse acontecido.  Não sou o tipo de mãe que fica na porta da creche preparada para fazer um "barraco" todas as vezes que meu filho reclama de algum coleguinha.  Além de ter mais o que fazer, eu dou liberdade para que a escola o discipline dentro daquilo que eu acho que é certo e justo.   Portanto, por mais neura que eu seja, eu encaro esse tipo de comportamento como o mais natural possível, a menos que um dia Davi chegue em casa com algum machucado sério causado por uma briga feia, coisa que ainda está um pouco fora da sua idade e da idade de seus coleguinhas.  Um dia, porém, ao chegar em casa, Davi me solta a seguinte "pérola":

- O Fulaninho me bateu. (Até aí, normal, já que ele também bate e depois todo mundo se ama no final).


- Eu vou MATAR o Fulaninho!
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- Oi?

Claro, não chegou a ser um palavrão, mas o uso do termo "matar" realmente me assutou um pouco (um pouco?).  Como minha cabeça começou a inchar e mesmo sabendo que isso nada mais era do que a repetição de alguma coisa que alguma criança falou - ou que Davi tenha ouvido em algum lugar, como um programa de TV, por exemplo- , não deixei de ir falar com a responsável pela creche, que me disse que, sim, isso é natural para a idade, pois as crianças repetem o que ouvem e etc, etc, etc, etc....


Ok, porém a expressão "vou matar" está, por ora, devidamente bloqueada em casa, porque não quero que Davi fique repetindo uma coisa que ele não sabe o real significado, mas que, para mim, é quase como um palavrão.  Claro também que não vou bater na boquinha dele, muito menos colocá-lo para mastigar pimenta, não somente porque eu sou neura mas não sou louca, mas também porque, como já coloquei, ele não tem a menor noção do que significa a expressão "vou matar".


Eu sei que vai chegar um momento em que eu não poderei evitar que ele aprenda ou fale algum palavrão, já que ele convive com crianças que refletem os mais diversos comportamentos familiares.  Não tenho a ilusão de achar que, assim como eu, Davi não será um boca suja.  Obviamente que irei me esforçar a ensiná-lo que usar palavrões não é a maneira mais educada e gentil para se comunicar, mas sei que ele não ficará imune a isso e a tantas outras (más) influências. 

Alguém pode até dizer que falar palavrão, diante de tantos outros valores, não é tão nocivo assim.  Eu não concordo, pois considero que a nossa linguagem é reflexo da educação que recebemos.  Não é uma questão de "falar bonito", mas sim de gentileza e de.... educação mesmo!  As palavras  e até mesmo os palavrões usados dentro de um determinado contexto carregam signifcados próprios, porém, na maioria das situações as expressões chulas são totalmente dispensáveis.

Por enquanto, o que me resta é tentar demover Davi da ideia de aniquilar seu amiguinho, um dos melhores que ele tem na escola (na verdade, é um trio: Davi e mais 2 malandrinhos que tocam fogo na creche).  Não precisam se beijar e abraçar o dia inteiro, podem até se estapear, o que acontece de fato todos os dias.   Mas sem derramamento de sangue, por favor!

Mães de Coração

Quantas mães a gente pode ter na vida?  Biológica, só uma.  De coração, muitas, dos mais variados tipos, idades, jeitos, tamanhos e cores.  No nosso caso, porém, só vale ser for humana, eu acho. 

E da mesma forma que temos também "mães de leite", no reino animal mãe é quem cuida, quem dá o peito e alimenta.  E é de onde a gente menos espera que vem esse amor que nenhuma ciência consegue explicar, porque é muito mais do que apenas instinto.


Filhotes de leão são amamentados por cadela no Safari Park, em Hefei, na província de Anhui. Os três animais foram adotados pela cadela depois de serem abandonados pela mãe biológica. Usar cachorros para criar animais selvagens recém-nascidos é uma prática comum nos zoológicos chineses. Fonte
A labradora Lisha lambe suas crias: dois filhotes de tigres brancos. Mesmo sem ter tido nenhuma ninhada, as cadelas podem produzir leite, como foi o caso de Lisha.
Ela tem dom para ser mãe. Além de adotar filhotes  de tigres brancos, a fêmea também cria dois filhotes de chita.

Cadela amamenta filhotes de panda em Taiyuan, na China.  Os bichinhos foram abandonados pela mãe após o nascimento.  A mãe adotiva cheira os filhotes de panda antes de amamentá-los.

Numa casa de Christchurch, na Nova Zelândia, a cadela Daisy e o gato Hector resolveram adotar os microporquinhos Chinook, Serge, Frenchie, Biscuit,  Nimrod e Manuka. Todos comem, dormem e brincam juntos,  diz a dona, Jane Croft. A inglesa garante que, apesar da crença popular, os suínos adoram andar limpinhos.

A tigresa Sai Mai, do Zoo Sriracha Tiger, na Tailândia, adotou três porquinhos que foram rejeitados pela mãe.
Mable, uma galinha de 1 ano, de Shrewsbury, Reino Unido, acha que é um cão e assume o papel de mãe de um grupo de cachorros. Para a surpresa dos proprietários e da mãe original (que brinca mais no quintal do que dá atenção aos filhotes), Mable assume o cesto sempre que tem essa possibilidade.




Eu realmente não sei se, depois que crescem alguns dos animais adotados serão devorados pelas suas mamães tão amáveis (ou irão devorá-las), afinal, não podemos dispensar o instinto selvagem de alguns deles, né (rs).

Mas como explicar essas adoções, senão como uma forma do amor que Deus coloca em todos nós, racionais ou não?

O Tráfico, a Condenação e a Mãe

O texto é longo, mas achei muito interessante e destaquei as partes que mais me chamaram a atenção.  Se pudermos, como mães, extrair alguma lição, a leitura já será válida.
Trata-se do caso de dois brasileiros presos na Indonésia por tráfico de drogas, cuja pena para esse crime naquele país é assim mesmo, radical.  Se serão, efetivamente, executados, só Deus sabe, mas que fique registrado um pouco da vida que tiveram, das escolhas que fizeram e - sei lá, pode ser - das orientações que receberam, ou não, da família.


Brasileiro condenado à morte na Indonésia por tráfico de drogas será executado agora em julho

(Publicado no Jornal Já, em 22 de junho de 2012, por Elmar Bones)

Marco Archer Cardoso Moreira, o brasileiro condenado à morte em Jacarta (Foto: Reuters)

A Indonésia anunciou que o brasileiro Marco Archer Cardoso Moreira, que foi condenado à morte no país em 2004 por tráfico de cocaína, será morto por fuzilamento, de acordo com o jornal local Jakarta Post. A execução deverá ser no começo de julho.

Em entrevista à publicação no último dia 20, o procurador Andi DJ Konggoasa anunciou que as execuções de três imigrantes condenados, entre elas a do brasileiro, acontecerão no começo de julho deste ano.

De acordo com a publicação, os três prisioneiros escolheram seus pedido finais: Marco quis uma garrafa de uísque.

Outro brasileiro

Além de Archer, outro brasileiro também está preso por tráfico de drogas na Indonésia. O surfista Rodrigo Gularte, 39, foi detido em 2004 portando 6 kg de cocaína e condenado à morte no país no ano seguinte.

Ele e Archer são os únicos brasileiros condenados à execução no mundo.

Gularte, que levava a droga em uma prancha de surf, perdeu todos os recursos possíveis na Justiça – o último, em 2011- e sua única chance de evitar ser fuzilado é obter o perdão do presidente indonésio.

NA BALADA DA MORTE

Em 2005, o enviado especial do  Jornal JÁ, Renan Antunes de Oliveira, esteve em Jacarta e mandou a seguinte matéria sobre o brasileiro condenado à morte:

Rodrigo Muxfeldt Gularte, outro brasileiro condenado por tráfico na Indonésia (Foto: AP)

Ainda não caiu a ficha do paranaense Rodrigo Muxfeldt Gularte, 32 anos, nem a do carioca Marco Archer Cardoso Moreira, 43, os dois brasileiros condenados à morte na Indonésia por tráfico de cocaína. No dia 17 de fevereiro de 2005, Marco perdeu o último apelo à Suprema Corte, dependendo agora de um improvável perdão presidencial para ser beneficiado com prisão perpétua. O presidente Lula pediu ao seu colega indonésio clemência em favor do condenado.

Durante quatro dias de entrevistas na cadeia de Tangerang, eles deram muitas gargalhadas relembrando suas aventuras. Os dois não estavam nem aí para a possibilidade de enfrentar o Criador, via pelotão de fuzilamento, ou passar o resto de suas vidas presos nos cafundós da Ásia. Se sentem como se tudo fosse apenas uma bad trip.

Eles confessaram ser traficantes tarimbados. E demonstraram, sim, algum arrependimento, mas só por ter embalado mal a droga que levavam em seus equipamentos esportivos, permitindo a descoberta pela polícia. Ela pegou Rodrigo com seis quilos escondidos em suas pranchas de surf, em 2004. E Marco com 15 na sua asa delta, em 2003.

Os dois homens que hoje dividem a mesma cadeia chegaram lá por trajetórias diferentes no mundo das drogas. Rodrigo foi mais usuário do que traficante, começou cheirando solvente aos 13 anos. Marco entrou no tráfico aos 17, já no topo da pirâmide, diretamente com os cartéis colombianos. Ambos fizeram várias viagens bem-sucedidas para muitos países, antes de se danarem no aeroporto da capital Jacarta, portão de entrada para se chegar na ilha de Bali, o paraíso dos pirados.

Os dois faziam parte de gangues diferentes. Na cadeia, formaram um laço instantâneo. Ficaram amigos ao ponto de dividir prato e colher. Suas afinidades: não terminaram os estudos, jamais trabalharam, sempre foram sustentados por outros, exploraram as famílias, viveram só pras baladas.

Proteção materna

As mães deles – mulheres sofridas, esperançosas e guerreiras – estão em campanha pela liberdade dos “garotos”, como elas e parte da imprensa tratam os dois barbados. Depois de gastarem os tubos com eles, estão raspando os cofres para resgatá-los. Na falta de uma boa causa além do incondicional amor de mãe, usam a bandeira do repúdio à pena de morte, de forte apelo na fatia esclarecida da humanidade.

Dona Clarisse, de Rodrigo, mobiliza o Itamaraty para proteger o seu. Dona Carolina, de Marco, obteve da Câmara de Deputados o envio de um apelo de clemência ao parlamento indonésio. A proposta, do deputado Fernando Gabeira, foi aprovada em plenário com apenas um voto contra, do deputado Jair Bolsonaro, um ex-militar linha-dura que há décadas luta pela adoção da pena de morte no Brasil.

Os diplomatas brasileiros em Jacarta trabalham nos bastidores para reverter as sentenças. Estão confiantes que vai dar certo. Notam a moleza do sistema porque só um traficante foi executado até hoje, dos 30 condenados sob as duras leis antidrogas indonésias de 2000. Era um indiano pobretão.

Pela expectativa otimista deles será possível reduzir a pena de Rodrigo para prisão perpétua, em segunda instância, negociando em dinheiro uma redução maior ainda na terceira, para 20 anos, com soltura em sete, talvez 10 – é sabido que o Judiciário indonésio adota uma regra não escrita de trocar tempo de encarceramento por uma pena pecuniária.

Eles admitem que no caso de Marco, já sentenciado em última instância, vai ser mais difícil. Será preciso om perdão presidencial apenas para reduzir de pena de morte para prisão perpétua, e depois negociar a saída. É que ele se tornou uma causa célebre porque fugiu do aeroporto quando foi descoberto com a droga, protagonizando uma caçada policial acompanhada em rede nacional de tevê.

Os custos para dar jeitinho nas sentenças e as despesas para manter os dois em celas cinco estrelas podem chegar a quase 200 mil dólares por cabeça. Dona Clarisse tem até mais para salvar Rodrigo; dona Carolina anda passando o chapéu. O desenrosco deve ser demorado: na melhor das hipóteses seus garotos voltariam pra casa entrados em anos, um quarentão, outro cinquentão.

Agora o quadro sinistro: o fuzilamento do indiano pobretão, ocorrido em fevereiro, sinaliza uma mudança perigosa para os sonhos de liberdade dos brasileiros – a de que só dinheiro já não adianta mais.

É que a execução saiu por insistência do general durão, chefe da agência antidrogas deles. O homem está ‘‘hukuman berta bagi pembana narkotik’’. É isso mesmo: punindo severamente o narcotráfico.

General durão Togar Sianipar, chefe da agência antidrogas da Indonésia: prometeu acabar com as drogas no país até 2015
“Morte aos cristãos”

O povão muçulmano o apoia. No tribunal, durante o primeiro julgamento de Rodrigo, em fevereiro, a plateia pedia ‘‘morte aos traficantes ocidentais cristãos’’, descrição na qual se encaixam os dois brasucas. O pedido da massa deixa o governo firme para rejeitar as campanhas internacionais por direitos humanos, livre de dúvidas existenciais sobre a pena de morte.

O modelo prende e mata já deu certo na política, em 1965, quando o país se dividia entre esquerda e direita. Em quatro meses, o presidente-general Suharto implantou o capitalismo fuzilando quase um milhão de comunistas.

Esta tradição não parece assustar os brasileiros sentenciados ao fuzilamento. Nos momentos de maior delírio eles já se enxergam, Marco em Ipanema e Rodrigo nas praias de Floripa, contando aos amigos como se livraram da fria.

Rodrigo sonha que políticos influentes amigos da mãe vão pressionar Lula para que ele interceda oficialmente a seu favor, pedindo clemência ao presidente indonésio. Marco anda tão avoado que até já encomendou de Casemiro, um amigo no Rio, o último modelo de asa-delta.

Paradoxalmente, a prisão é o momento de glória de suas vidas: “Somos os únicos entre 180 milhões de brasileiros”, diz Rodrigo, deslumbrado com a notoriedade obtida com o narcotráfico – cujo pico de audiência é entre jovens ricos praticantes de esportes radicais.

Eles acreditam nas chances de transformar o limão numa limonada. Estão com tudo pronto para botar um diário na internet. Planejam contratar videomakers para acompanhar seus dias. Negociam exclusividade na cobertura jornalística, começaram a escrever livros com a experiência.

Uma benção para os planos de libertação foi o tsunami que arrasou uma zona pobre da Indonésia: familiares e diplomatas contabilizam cada avião brasileiro de ajuda humanitária como um ponto para a futura negociação. O Itamaraty espera que os indonésios considerem isso na hora de analisar o pedido de clemência feito por Lula.

Mordomia na prisão

Enquanto esperam, os dois compram privilégios para viver como marajás na cadeia – ambos estão com o cordão umbilical ligado nas contas bancárias das mães: “Aqui é como numa pousada, muito legal, só que jogaram a chave fora”, diz Rodrigo, satisfeito, mesmo sendo acostumado ao conforto de sua suíte com sauna, na casa da família, em Curitiba. Marco também não resmunga, mas sente saudades dos apês na Holanda, EUA e Bali.

Enquanto os 1300 presos muçulmanos estão amontoados em 10 por jaula, cada um dos brasileiros tem sua cela. E elas estão equipadas com TV, ventilador, geladeira, forno elétrico, som pauleira. No jardim privativo criam pássaros, podam bonsais, alimentam os peixes do laguinho, cuidam da gata Tigrinha.

Rodrigo e Tigrinha: mordomia de uma pousada, mas que jogaram a chave fora (Foto: Renan Antunes de Oliveira)

O serviço é excelente: presos pobres fazem a faxina, lavam as roupas deles, são garçons nas festas, cabeleireiros, pedicures. Os dois podem receber gente sem formalidades, todos os dias. Rodrigo já foi visitado pela família, pela namorada, a empresária carioca Adriana Andrade, e pelo parceirão Dimitri “Dimi” Papageorgiou.

Dimi é outro garotão com mais de 30, carioca de pais gregos, acusado de ser líder da quadrilha contratante do malfadado transporte das pranchas recheadas de coca. Apareceu na cadeia para ver seu mula Rodrigo, deu 2 milhões de rúpias para ele se virar, dinheirama que vale só 500 pilas. Mas agora Dimi não vai mais poder ajudar: ele foi preso, em fevereiro, pela Polícia Federal, no Brasil – aquelas rúpias dadas a Rodrigo poderão lhe fazer falta.

Marco recebeu a visita de amigos de Bali e de uma senhorita conhecida apenas como ‘Dragão de Komodo’, sua namorada indonésia. A moça também é sentenciada, está na área feminina da prisão. Dona Carolina já esteve com ele duas vezes, a última no niver, em outubro, quando deu uma festinha com brigadeiros e refris – depois, tirou uma soneca na cela do filho.

Dona ‘Carola’ é funcionária pública aposentada, superdescolada. Conquistou a simpatia dos carcereiros de Marco com seu ‘show do milhão’. Foi assim: cansada do assédio deles por dinheiro para cigarros, ela trocou 1 milhão de rúpias em notas de 10 mil (quase R$2,50) e saiu pelo pátio jogando as cédulas para o alto. Guardas e presos lutaram para recolher a mixaria.

Mais showtime na cadeia: os dois recebem suas visitas íntimas no sofá da sala do comandante. De vez em quando pinta um ecstasy. E nas noites quentes rola até um chopinho gelado, cortesia de um chefão local, preso no mesmo pavilhão. Lá, a balada não para nunca.

A comida é tudo de bom. Marco tem curso de chef na Suíça, dá show na cozinha. Na semana passada seu cardápio incluía salmão, arroz à piemontesa, leite achocolatado com castanhas para sobremesa. O fornecedor dos alimentos é Dênis, um ex-preso tornado amigão. Ele pega a lista por celular e traz tudo fresco do Hypermart.

Marco: comida "tudo de bom" (Foto: Renan Antunes de Oliveira)

Quando o amigão está ocupado e a geladeira vazia, Marco chama a cobrar a mãe no Rio, que liga pra mãe de Rodrigo em Curitiba, que aciona a Embaixada, que despacha um chofer pra garantir o fome zero da dupla.

Como Tangerang é uma prisão provisória, nos arredores de Jacarta, Rodrigo e Marco estão como naquela piada da hora do recreio no inferno. O secretário do diabo pode anunciar o fim dos privilégios a qualquer momento. Pior do que o fogo será a transferência deles para o Carandiruzão de uma remota ilha no Sul, onde serão misturados com 10 mil presos muçulmanos: aí será bom começarem a rezar para Alá.

Sempre otimistas, já têm planos para tentar se refazer lá embaixo. Rodrigo bola um jeito de demonstrar sua habilidade em pesca submarina, para presentear peixes ao comandante da nova cadeia e conquistar sua amizade.

Difícil saber como é que lhe ocorreu uma ideia destas. Mas é fazendo planos absurdos como esse que eles passam os dias. As baladas da cadeia, o papo encorajador das famílias, o apoio dos diplomatas e a expectativa de que suas ações possam ficar impunes dão um tom surrealista pra todas conversas deles.

Num papo, Rodrigo revela sua crescente admiração pelo companheiro, já o acha até injustiçado. “Marco teve uma vida que merece ser filmada”, exalta, contando ter oferecido um roteiro sobre o amigo à cineasta curitibana Laurinha Dalcanale. “Ele fez coisas extraordinárias, incríveis.”

O repórter pede um exemplo de tal obra. “Ué, viajou pelo mundo todo, teve um monte de mulheres, foi nos lugares mais finos, comeu nos melhores restaurantes, tudo só no glamour, nunca usou uma arma, o cara é demais.”

Menos, Rodrigo, menos.

Ele pára alguns segundos, reflete um pouco. Sai devagar do deslumbramento com as vantagens do narcotráfico sobre um emprego comum. Muda o tom e pede ajuda: “Por favor, brother, quando você for escrever, dê uma força, passe uma imagem positiva nossa, pra ajudar na campanha”.

Então diga lá o que você vai fazer quando for solto: “Bota aí que eu quero trabalhar 10 anos pro governo dando palestras pra crianças sobre a roubada que é o tráfico”.

Ele diz e saboreia o efeito das palavras. Traga seu Marlboro, acaricia Tigrinha. Parece sério, joga a fumaça pra cima. Quando solta tudo, o corpo já está se chacoalhando. É que ele não conseguiu conter o riso.

Vou sair dessa”
 
Seu último desejo: voar mais uma vez em São Conrado

Marco Archer já esperava ter a pena de morte confirmada no Supremo Tribunal indonésio, como ocorreu. Sua única esperança agora é um apelo do Itamaraty ao presidente indonésio por clemência. Isto lhe pouparia a vida, mas o deixaria para sempre na cadeia. A execução ainda pode demorar cinco anos.

Quem é Marco? Um carioca, com o apelido chinfrim de Curumim. Ele cresceu classe média na Ipanema dos ricos. Queria ser um deles. Em 80, aos 17 anos, foi à Colômbia disputar um campeonato de asa delta. Voltou campeão, mas mordido pela mosca azul do narcotráfico: sacou como ganhar dinheiro fácil.

“Alguém no hotel me deu uma caixa de fósforos com cocaína. Depois da primeira viagem, nunca fiz outra coisa na vida, tenho mais de mil gols”, exagera.

Ele conta que serviu de mula no Hawai, Nova York, Europa toda. “Fazia viagens rentáveis, ficava meses sem trabalhar.”

Na cadeia, Marco passa horas olhando fotos amassadas que guarda numa imunda pasta preta. São recuerdos de suas viagens, de belas mulheres, de carrões e barcos: “Não posso me queixar da vida que levei”.

Orgulha-se: “Nunca declarei imposto de renda, nem tive talão de cheque, não servi ao Exército. Só votei uma vez na vida. Foi no Collor, amigo da família”.

Com o dinheiro do tráfico, Curumim manteve apartamentos em três continentes, abertos pra patota da asa delta, do surf, da vida boa: “Nunca perguntaram de onde vinha meu dinheiro”.

Marco conta que saiu do Brasil para morar em Bali há 15 anos, “cansado de ver meu irmão (Sérgio) bater na minha mãe para obter dela dinheiro pras drogas”. O irmão morreu de overdose em 2000, mas a estas todas ele tinha tido seu infortúnio: em 1997 caiu da asa, sofreu várias fraturas.

Dali pra frente sua atividade de mula de drogas diminuiu, as contas de hospitais cresceram. Ficou quase dois anos sem andar, até conseguir se recuperar. Hoje anda com dificuldades, com as pernas cheias de pinos de metal.

Pra decolar outra vez na vida boa ele preparou aquele que seria seu último golpe, faturar 3 milhões e 500 mil dólares inundando Bali com cocaína.

Foi ao Peru, pegou 15 quilos com um fornecedor, por uma bagatela, cerca de 8 mil dólares o quilo (dinheiro que ele obteve com um chefão americano, com quem dividiria os lucros da operação).

Marco meteu a droga nos tubos de sua asa delta. Saiu de Iquitos, no Peru, para Manaus, pelos rios da Amazônia. “Eu me misturei com turistas americanos e nunca fui revistado”, gaba-se. De lá embarcou para Jacarta: “Tava tudo pronto pra ser a viagem da minha vida”.

No desembarque, mete o equipamento no raio x. A asa de Marco tinha cinco tubos, três de alumínio e dois de carbono. Este é mais rijo e impermeável aos raios: “Meu mundo caiu por causa de um guardinha desgraçado”.

Como foi: “O cara perguntou porque a foto do tubo saía preta. Eu respondi que era da natureza do carbono. Aí ele puxou um canivete, bateu no alumínio, fez tim tim, bateu no carbono, fez tom tom”.

O som revelou que o tubo estava carregado. Foi o fim de uma bem-sucedida carreira de 25 anos no narcotráfico.

Marco ainda conseguiu dar um desdobre nos guardas. Enquanto buscavam as ferramentas, ele se esgueirou para fora do aeroporto, pegou um prosaico táxi e sumiu – ajudado pelo fato de falar fluentemente a língua bahasa.

Estava com tudo pronto para escapar no iate de um amigo milionário, mas aí azar pouco é bobagem. Um passaporte frio que ele tinha foi queimado por um cúmplice que também fugia da polícia.

Depois de 15 dias pulando de ilha em ilha no arquipélago indonésio – estava tentando chegar ao Timor do Leste –, passou sua última noite em liberdade num barraco de pescador, em Lombok.

Acordou cercado por um esquadrão policial, armas apontadas. Suplicou em bahasa, tiveram misericórdia dele.

Na cadeia esperando a execução, procura levar seus dias na malandragem carioca, na maior paz com os carcereiros, sempre fazendo piadas, cozinhando-lhes pratos especiais.

Acabou pro Curumim? “Vou fazer tudo para continuar vivo e sair dessa”.

Nas drogas desde os treze

Rodrigo nasceu em Foz do Iguaçu. É neto de latifundiário produtor de soja, filho de mãe milionária, dona Clarisse. O pai é um médico gaúcho de Santana do Livramento, Rubens Borges Gularte.

Aos 13, já em Curitiba, Rodrigo começa nas drogas, cheirando solventes. “Era um garoto maravilhoso, a alegria da família, nunca levantou a voz”, isso é tudo o que a mãe lembra dele naquela época.

Com 18 é preso fumando baseado no parque Barigui. O pai queria deixar que ele fosse processado. A mãe não concorda, suborna um delegado com mil dólares pra soltar o garoto: “Se fossem prender todos que fumam”, justificou dona Clarisse.

O garoto ganha seu primeiro carro. Bota amigos dentro e sai pela América Latina como um Che Guevara mauricinho, bebendo e se drogando. “Fiz cada loucura”, lembra.

Aos 20 Rodrigo era um rapaz de 1,84m, magrão, modos educados, cheio de namoradas. Teve um breve romance com a professora catarinense Maria do Rocio, 13 anos mais velha, fazendo Jimmy, hoje com 12, autista. Raramente via o filho: “Eu não estava preparado para a paternidade”, admite.

Rodrigo passa a viajar muito e pira total: “Em Marrocos, fumei o melhor haxixe”. No Peru: “Coca da pura”. Na Holanda: “Ecstasy de primeira”.

Aos 24, sai bêbado e drogado de uma festa. Bate o carro num táxi, tenta fugir, bate noutro, abandona tudo e corre pra casa da mãe. Ela dá uma volta na polícia, chama um médico, interna o garoto.

Na ficha de internação, o médico João Carlos anota: “Mostrou onipotência, estava depressivo”.

Nos anos seguintes a mãe fez de tudo para ele dar certo. Abre para Rodrigo uma creperia, em Curitiba. Não deu. Uma casa de massas, em Floripa. Não deu. Mandou pra fazenda. Não deu. Rodrigo vai estudar no Paraguai. Não deu. Ele se matricula na UFSC. Não deu.

Rodrigo começa no tráfico: “Fiz várias viagens à Europa só para trazer skunk”, confessa.

“Se ele fazia isso, não sei onde metia o dinheiro, porque nunca tinha um tostão”, rebate a mãe.

A prisão: “Os carinhas me deram as pranchas com cocaína dentro. Embarquei em Curitiba, onde o raio x é ruim, pra desembarcar em Jacarta”.

O narco também não deu certo.

Agora ele se lamenta: “Só depois soube que os japoneses doaram um raio x potente pros indonésios, eles pegaram a droga”.

Rodrigo filosofa: “Meu erro foi a coca. O skunk é energia positiva, o ecstasy dá um barato legal, mas a cocaína é do mal”.

Um desabafo: “Se a parada tivesse dado certo eu estaria surfando em Bali, cercado de mulheres”.

Seu futuro: esperar as negociações do Itamaraty e tentar reduzir a pena em segunda instância.

Uma novidade: ele está namorando firme. Com uma menina indonésia, caixa de um supermercado, prima de um condenado. Ela entrou para visitar o parente, os dois se pegaram no olhar. Ele foi no primo, soltou um plá, consegui atrair a menina.

Ela vem uma vez por semana, Rodrigo dá uns amassos nela, na sala do comandante.

Muito fácil condenar quando não é nosso filho. Por outro lado, não sei, realmente, se todas nós, mães, não teremos capacidade para nos tornarmos uma "mãe Clarisse", que parece que, na ânsia de proteger seu filho, errou mais do que acertou.

Filhos são uma caixinha de surpresas, nem sempre agradáveis, mas também não são resultado do ocaso, do destino, do nada.  Temos, sim, responsabilidade sobre o que serão, mesmo que tudo o que fizermos dê mais errado do que certo.