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Festa das Loucas, da Família e outras coisinhas

Sumida, eu, né.  Então, além do cansaço e desânimo, o computador "deu pau" e teve que ir para uma revisão básica de alguns milhares de quilômetros... Mas aí, para além do conserto da máquina, vira e mexe recebo algum "presente" carinhoso em forma de comentário ou contato e reanimo as forças, apesar de não deixar de pensar, nem por um minuto, em quem que por aqui passa.

Há duas semanas foi realizada a festa do Dia das Mães na escola do Davi.  Como de costume, a mulherada estava enlouquecida com seus smartphones, tablets e máquinas fotográficas, na ânsia de registrar absolutamente tudo o possível de gracinha que seus filhotes fizessem, com muitos gritinhos e lágrimas.   Claro que eu não sou exceção à regra, afinal, eu sei que um dia essas festas vão acabar - o guri vai crescer e é bem provável que vá sentir vergonha de mim.  Portanto, "sou dessas" de gravar, fotografar, fazer um pequeno alvoroço nessas ocasiões.  Costumo dizer que não é a festa do Dia das Mães e, sim, do Dia das Loucas.










Assim como o Dia das Mães, a escola onde Davi estuda também realizar as outras tradicionais datas familiares, como Dia dos Avós e Dia dos Pais.  E um dia, ao perguntar a uma colega de trabalho se a escola de seus filhos iria fazer a festa do Dia das Mães, ela me respondeu que não, que o que a escola faz é o Dia da Família.  Você já ouviu falar?  Pois é, eu já tinha mas nunca havia me dado conta da sua frequência cada vez maior nos dias de hoje.

Com o surgimento de novos modelos familiares, como casais homossexuais que possuem filhos, recasamentos com filhos de ambos os lados, muitas escolas têm aberto mão de realizar festas para um ente familiar específico, como o pai ou a mãe para dar lugar a um evento em que todos possam participar.  Além disso, ouvi dizer que uma festa da família serve também para a criança que não tem pai ou mãe ou avós participar sem constrangimentos dessas ausências em sua vida.

Mas não tem jeito: essa é a nossa realidade, pelo menos é a sociedade em que Davi irá viver e já está crescendo.  O que nos resta é entendermos, aceitarmos, respeitarmos, porém, sem abrir mão daquilo que faz parte do nosso conjunto de valores e fazermos com que nossos filhos respeitem as escolhas e o diferente, acima de tudo.

Nesses dias lindos e maravilhosos de outono, aproveitamos também para fazer um passeio num lugar que eu conheço desde muito pequena, o Parque Lage, localizado no bairro do Jardim Botânico, zona sul da cidade.



O Parque Lage é uma área relativamente pequena, que possui uma Escola de Artes Plásticas, além de servir para piquenique e ensaios fotográficos.  Fica praticamente embaixo do "suvaco" do Cristo Redentor, além de uma trilha que leva para aquele ponto turístico.



Além disso, tem trilhas que fazem um papel lúdico na cabecinha das crianças, como se estivessem numa aventura dentro de uma floresta.  Mas vende refrigerantes também...a lata com meu nome saiu da máquina!






No Lago dos Patos tem.... carpas.


Desde abril, por ocasião do Dia do Índio, o Parque Lage tem uma oca bem grande com alguns índios caracterizados e que vendem artesanatos indígenas.


O povo que nunca viu um índio de verdade por perto aproveita para fotografar e eu, claro, também não fiz diferente (tudo bem que o índio estava com aparelho ortodôntico, mas, né...).


And last but not least, tenho tentado algumas costurices.  A última que fiz foi a capa para a minha máquina de costura que já não está me atendendo, porque quanto mais a gente aprende, mais coisas diferentes quer fazer, e ela já está ficando fraquinha.  Mas para não ficar no meio da poeira, ganhou um vestido bem legalzinho.  Levei uma sova boa, mas até que ficou direitinho.


E vamos que vamos porque a metade do ano já passou.

Beijos.

Feira de São Cristóvão

Bora?

Dando continuidade às comemorações do meu jubileu (ui), fomos a um dos espaços culturais de que mais gosto na cidade: a Feira de São Cristóvão, que tem o nome técnico de Centro Municipal Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas, mas que recebeu, com o já tradicional poder de síntese carioca, o apelido de "Feira dos Paraíbas".  Se você é da Paraíba não fique chateado com isso, porque você nem faz ideia do quanto este lugar é amado pelos cariocas.





O "hômi" da Feira, Luiz "Lua" Gonzaga




Em se tratando de um espaço cultural, claro que existem uma diversidade de lojinhas que vendem os mais variados tipos de objetos e quitutes regionais.  Me arrependi amargamente de não ter comprado umas colheres de pau, essas das fotos, que são de ótima qualidade, mas comprei uns tapetinhos para banheiro e, enfim, a Tieta, a rede que em breve será instalada na varanda.









Como não consigo resistir a uma sorveteria, fomos direto para esta aqui que oferece sorvetes de frutas típicas.  Desta vez fui de umbu com taperabá.  Achei o umbu um pouco ácido demais e o de taperebá maravilhoso.  Fiquei por aí mesmo, não tinha mais espaço estomacal para tomar mais sorvetes.  E o Davi ficou no de chocolate mesmo.



Não, eu não vou falar mal de gente que vai para a Feira de São Cristóvão tomar sorvete de morango, de passas ao rum, de sonho de valsa ou de qualquer outro sabor que se encontra fácil em qualquer supermercado.



Mas eu também não como buchada de bode, nem sarapatel, nem chouriço, nem galinha ao molho pardo, mas gosto muito da carne de sol, escondidinho, aipim, arroz de carreteiro, feijão tropeiro, enfim, alguns desses pratos que são vendidos nos diversos restaurantes que lá existem.  Aliás, na Feira de São Cristóvão existe do restaurante mais arrumadinho, com ar condicionado e tudo, até a birosca bem simples, sempre oferecendo comidinhas nordestinas, claro.  Aliás novamente, é um excelente lugar para se comprar carnes frescas.




Mas as lojas em que eu torraria uma boa parte da minha fortuna são as que vendem artesanato, principalmente as "pretinhas", essas bonecas de argila dos mais variados tipos e tamanhos.  Pinto-no-lixo me define dentro de um lugar desses, porém, com o dragão da inflação soltando labaredas incendiárias, o preço dessas bonequinhas - e dos demais objetos em geral - foi para o espaço sideral.  Eu fiquei assustada, porque até há pouco tempo elas tinham um preço bem legal, mas agora é fácil encontrar algumas custando até R$ 150,00 - as grandes -!




Numa das vezes em que fomos na Feira de São Cristóvão, Davi ainda era bem pequeno e nem andava e eu comprei uma sandália de couro dessas para ele. Desta vez não foi diferente, só que eu tive uma certa dificuldade em encontrar modelos e tamanho para meninos. Ele gostou tanto da sandália que não quer tirá-la mais dos pés.  Claro, é o fator "novidade", mas ele gostou tanto que só quer ir com elas para a escola.




A diferença entre uma e outra.... a pequena vai ficar guardadinha de lembrança...coisa de mãe, né.



Um detalhe: houve um tempo em que as sandálias infantis eram assim: simples, sem muitas firulas, luzinhas, pisca-pisca, cores berrantes ou personagens de desenhos.  Um toque de simplicidade nunca é demais, já que vivemos num mundo onde o clamor do consumismo está cada vez mais alto.  Aproveitei e comprei um par de chinelos de couro para mim também que ficou tão maravilhoso que nem dá vontade de tirar do pé (meu pé é feio, não mostro nem morrendo).

Mas antes o pai havia comprado uma blusa do Ben 10, e aí que o menino ficou com a blusa o dia inteiro, o dia seguinte inteiro e de noite eu consegui lavá-la, para que ele pudesse ir com ela para a escola no dia seguinte. Ah, esse brinquedinho aí durou apenas 2 dias, foi para a escola - "a novidade" - e voltou quebrado, claro.



Visitamos também esta loja que vende bebidas alcóolicas, como cachaças, vinhos e licores.  Havia algumas cachaças feitas com caju, com feijoada, com caranguejo e com... cobra!  Se tu é macho...




Este é o carro que vende literatura de cordel, de que eu não sou muito chegada.  O meu negócio é um "bate-coxa" e um repente.  Eu, que sou super matinê, sou capaz de atravessar uma madrugada inteirinha dançando forró, além de admirar a capacidade de raciocínio rápido dos repentistas. 


Aproveitamos também para tirar uma "foto de família": Seu Lampião, Dona Lamparina e Toco de Vela.


Se você é do Rio não deixe de conhecer a Feira de São Cristóvão, afinal, é o ÚNICO lugar da cidade onde se concentram artesanatos regionais - mesmo que só do Norte e Nordeste - o que já é bastante coisa, porque bem que poderiam haver outros espaços assim que contemplassem as demais regiões, já que não falta neste país é cultura regional, não é?



Ah, sim, novamente, este post NÃO É um publieditorial, é que eu góxtio desse lugar arretado mesmo.

Bienal do Livro 2013

A primeira - e a última - vez em que fui à Bienal do Livro deve ter sido há uns 10 anos.  Junto com minha amiga Denise, resolvemos participar do evento que, à época, não era tão badalado assim.  Em 1 década, porém, muita coisa muda, como a gente sabe, e aquilo que antes era pequeno ou até passava meio despercebido pode se transformar em um evento de proporções apocalípticas.



Este ano bati o pé para levar Davi à Bienal, a fim de que o moleque já se habitue ao universo da leitura.  Quer dizer, não é necessário levá-lo a uma feira de livros que acontece a cada 2 anos, já que eu leio para ele todas as noites antes de ele ir dormir, obedecendo àquela clássica rotina "conta outra vez" ou "de novo" a cada final da história.  E, como a grande maioria das crianças, Davi cisma com uma história a tal ponto de eu contá-la por meses a fio, até eu quase cair de sono.

Em se tratando do penúltimo dia, achei que não haveria tanta gente no local do evento.  Engano dos grandes.  O Riocentro estava abarrotado de gente, de todas as formas e tamanhos, nos mais diversos tipos de estandes.  Como diria o Luciano Huck, "loucura, loucura, loucura".

Transporte
Havia 2 linhas de ônibus que passavam pertinho de casa, porém, eles já vinham bem cheios.  Ir de carro não era o mais recomendável, já que temos uma obra no meio do caminho e o estacionamento custava R$ 18,00, um absurdo.  Tivemos muita sorte tanto na ida quanto na volta.  Na ida, estávamos num ônibus master cheio até que emparelhou outro, vazio, com ar condicionado.  Pulamos para esse e fomos confortavelmente.  Na volta, tivemos que pegar o outro ônibus "na unha" porque "bagunça" foi o outro nome para transporte para a Bienal.

Ingressos
A entrada inteira custou R$ 14,00, sendo que a meia entrada se encaixava em vários requisitos, entre eles, a criança ter menos de 1 metro de altura, por exemplo.  Como Davi tem mais que 1 metro de altura, compramos a meia entrada para ele, porém, na hora.... ele não precisou pagar porque.... não sei. Compramos com antecedência, durante a semana, pois eu soube que as filas das bilheterias estavam imensas. Só tivemos a ideia de termos podido vender a entrada do Davi... depois que entramos.  Agradeceria imensamente se, na próxima vez, as informações fossem bem mais claras.  Mas, tudo bem.

Preço dos Livros
Como entramos já no pavilhão onde só havia literatura infantil, achei os preços muito bons.  É aquele negócio: diante de tanta oferta, a gente fica meio tonta, com vontade de sair comprando geral.  Aí, é hora de respirar fundo e primeiro ver o que a criança quer para depois começar a analisar o que realmente vale a pena comprar.




No caso do Davi, que não é lá muito chegado em multidões e já estava com sono, pegamos um livrão com desenhos de dinossauros para colorir e aí ele não quis mais nada.  Como eu conheço a peça, não dei muita confiança e fomos adiante.



Havia livros a partir de R$ 3,00 e outros com o valor de livraria comum.  Comprei esses livrinhos que são bem básicos e que emitem o som do animal da história e que custaram R$ 5,00 cada.  Achei que foi um bom investimento e pretendo usá-los em doses homeopáticas porque, como disse, não adianta ler vários livros porque o Davi vai cismar com apenas uma história até se interessar por outra.



Comprei também esse, que é uma espécie de almanaque, com várias atividades  que vão desde ligar os pontos a encontrar os erros.  São 365 atividades, 1 para cada dia do ano, para variadas idades, então, achei também válida essa aquisição, porque creio que ele vá durar um bom tempo.



Este livro foi o próprio Davi quem escolheu, não pela história em si mas pelo binóculo que vem junto e que faz parte das histórias. A felicidade estampada no seu sorriso espontâneo para tirar fotos é realmente  contagiante - só que não.





Como o homenageado da Bienal deste ano era o Ziraldo, havia, óbvio, uma fila monstro para autógrafos, que durava em torno de ums 3 horas.  Bem que eu gostaria de ter também o seu autógrafo, porém, não quis submeter Davi a uma demora tão longa e depois... os livros dele estavam bem caros!  E aí eu pergunto: se os livros do homenageado - e é uma montanha de títulos - serão vendidos feito água no deserto exatamente por causa do interesse em se posar ao lado do autor e receber um autógrafo, por que continuaram tão caros?  Fui consultar o preço de um livrinho de umas 25 páginas, R$ 35,00! Oi?

Planeta Ziraldo
O espetáculo Ziraldo - Histórias ao Vento é formado pelas adaptações de dois textos consagrados do autor: FLICTS e O BICHINHO DA MAÇÃ. As histórias são apresentadas por um personagem importante da literatura do autor mineiro: O MENINO MALUQUINHO. O roteiro mescla trechos dos livros entremeados por canções originais compostas especialmente para o espetáculo. A música é tocada e cantada ao vivo.
 
Não, não consegui levar Davi para assistir, pois alguém anunciava num autofalante quase inaudível a distribuição de senhas (!!!!!!) com 1 hora de antecedência.  Pense num lugar entupido de gente e você com uma criança pequena tentando pegar uma senha para assistir a uma peça onde haverá um mar de crianças, num mar de outras pessoas...

Personagens
Não encontrei os personagens da Turma da Mônica, que tinha um estande festejando seus 50 aninhos de vida.  Não encontrei porque também não procurei muito por causa da multidão - nem sei se eles realmente estavam lá.  Mas a Galinha Pintadinha, que já virou arroz de festa, estava lá toda pomposa e elegante como sempre.


Havia também, entre Ben 10 e Homem Aranha, esse boneco aí, em tamanho natural, que é personagem do Assassin's Creed, um jogo eletrônico, ("analfa" digital chama game de "jogo eletrônico", licença, tá, e, claro, eu não faço a mínima ideia do que seja o jogo).  Não foi muito fácil fotografá-lo, pois havia um monte de gente (marmanja, diga-se) querendo fazer o mesmo (imagino que sejam as pessoas que jogam o... game).  Com algum custo eu o fotografei porque ele foi muito bem feito. Mas eu fiquei com medinho dele.  Vai que... né, o cara estava armado com um arco e flecha.



Alimentação e Carrinhos para Crianças
Nem cheguei perto da praça de alimentação, porque eu já sabia e já tinha ouvido falar que os preços estavam abusivos.  Como sempre faço, compro uns biscoitos, batatinhas, suquinhos de caixa e alguns chocolates para levar aos passeios do Davi e dessa vez não foi diferente.  Soube que um cachorro-quente, daqueles bem sem graça do tipo pão-com-salsicha-e-nada-mais estava custando R$ 8,00.  E o aluguel dos carrinhos para crianças? Veja a tabela.  É por hora!  O tempo de atravessar de um pavilhão para o outro.




Enfim, eu queria mesmo era ir na tarde de autógrafos do novo livro do Laurentino Gomes, 1889 (cuja fila deveria estar dando voltas no bairro), não somente para comprá-lo como também para autografar os 2 primeiros que eu já tenho: 1808 e 1822.  Mas... não, eu não teria disposição para enfrentar horas e horas e horas de fila, só se eu estivesse sozinha, o que não foi o caso.

Conclusão
1. Um evento do porte da Bienal do Livro jamais poderia se dar apenas no Rio de Janeiro ou em São Paulo.  É aquele mistério que eu não consigo desvendar: qual o problema com os demais Estados da Federação?  Porque o que não vai faltar, com toda a certeza, é público, e quando uma coisa dessas acontece em apenas 2 lugares, não há como evitar uma aglomeração absurda de pessoas.

2. Achei alguns livros com descontos muito bons, porém, não se iluda, algumas boas (e más) literaturas continuaram com o preço praticado em qualquer livraria.  Mais uma vez eu não entendo: é certo que a venda de livros e outras literaturas será grande numa Bienal, então, por que não colocam um preço mais popular?  Portanto, como reclamar que as pessoas não gostam de ler?  Pelo contrário: muitas pessoas gostam de ler, mas o preço dos livros às vezes funciona como um repelente e a leitura, no geral, acaba ficando restrita a quem tem recursos para pagar R$ 40,00 ou R$ 50,00 num livro, por pior que seja.

3. Como SEMPRE o transporte foi o grande vilão da história, principalmente quando se trata de algum evento que de grande porte.  Levamos 2 horas para ir e 1 hora para voltar para casa e olha que tivemos sorte em pegar ônibus vazios.  Agora, imagina na Copa?

4. Não sei se vale realmente a pena levar crianças para a Bienal, pelo menos crianças até 4 anos de idade.  Vi muitas crianças no colo e em carrinhos, muitos bebês mesmo, várias dormindo.  Acho até interessante, mas como se trata de um lugar muito cheio, acho que as crianças, no geral, ficam entediadas, assustadas e bastante cansadas se forem muito pequenas.  Não existe a mínima possibilidade de, estando com uma criança, tentar assistir a alguma palestra de autores diversos.  "Como lhe dar"?

5. Ah, se eu comprei alguma coisa para mim?  Não, vou comprar o 1889 em qualquer outra livraria, pois o preço na Bienal estava o mesmo que o da livraria mais próxima, com a diferença de que eu não terei uma montoeira de gente se estapeando no mesmo lugar.



A Dupla Zepan & Zolan
Meu domingo foi praticamente todo jogado fora.  Com um barulho insuportável na minha "vizinha" comunidade, no sábado à noite, tomei 2 calmantes para dormir.  Só que acabei dormindo o domingo i-n-t-e-i-r-o, me levantei já eram 7 da noite e nem curti meu filhote e marido.  Existe um apartamento no 2º andar, onde a barulheira chega muito pouco e estamos estudando com muito amor ($) e carinho ($) as possibilidades de fazermos uma troca porque eu não acho bom viver como tenho vivido.  De uns tempos para cá até que o barulho não tem sido tão infernal, mas como eu estou traumatizada, aí, só me dopando para atravessar a noite e não é isso que eu quero para a minha vida, até porque não foi para isso que trabalhamos tanto para conseguirmos um lugar para morar.

Amor-a
O momento cuti-cuti e que salvou o domingo foram as lindas amoras colhidas pelo maridón, este homem quase santo, que me tolera com amor e carinho.  Ele e o filho, o tal do Davi, foram lá no pomar e cataram amoras bem pretinhas e deliciosas, e delas fiz uma geléia bem gostosa e que será devorada rapidamente.




Ficou parecida com açaí, mas está uma delícia.  A jabuticabeira este ano não mostrou seu poder e glória.  Uma pena...as jabuticabas estavam pequenas e foram poucas.


Notícias Daqui e Dali e a Hora do Sono

Esta semana levamos Davi à consulta semestral com a pediatra.  Apesar da minha continuada cisma com a  sua altura, tudo está na mais perfeita ordem.  Altura e peso estão dentro da normalidade e, mais uma vez, foi apenas indicada a continuidade de uso de hidratante, já que sua pele está bastante seca ainda.

As coisas comigo são assim: se houver algum trauma, por mais que seja superado, ele vai me deixar algum resquício.  Digo isso porque até hoje as consultas pediátricas ainda me assustam, pois no tempo em que elas eram mensais - o que significa primeiro ano de vida do Davi - havia sempre alguma coisinha para esquentar a minha cabeça.  Um dos problemas que mais me marcaram foi a questão do peso dele, já que houve grandes oscilações (o gráfico da caderneta de vacinação chega a parecer uma cardiografia, de tanto sobe e desce).  Então, acredito que daqui a seis meses irei ficar um pouco em pânico por causa da próxima consulta.

Davi tem evoluído muito bem e se expressa cada vez melhor e claramente.  Na próxima semana iremos levá-lo, mais-uma-vez-novamente-de-novo and again, para uma cirurgia breve, pois como eu já comentei anteriormente, seu jato de xixi voltou a ficar fino e esta interverção será para abrir um pouquinho mais a cabeça do seu piu-piu, pois o estreitamento está exatamente lá.  É desesperador ver Davi fazer xixi, pois a força que ele imprime é bem grande, como se ele estivesse com prisão de ventre. Ainda tem também a curvatura, que teremos que esperar para ver como ficará daqui a uns 3 anos mais ou menos.

E nessas idas e vindas, já se passaram uns 3 anos.  Parece pouco, porém, sendo um tratamento, parece uma eternidade. E parece que tudo foi outro dia.  Muitas vezes eu me vejo me perdendo em datas e situações.  Não sei se é bloqueio da minha cabeça, mas alguns episódios se misturam, não em si, mas no tempo.  Alguns, claro, ficaram bem vívidos, como a madrugada que terminou na UTI pediátrica da Prontobaby, com Davi com pneumonia, atelectasia e bronquiolite.  Mas aí eu começo a me embaralhar toda quando me lembro das vezes em que tive que entrar no centro cirúrgico.  Com exceção das 2 primeiras cirurgias, as outras me confundem um pouco e aí às vezes eu não sei qual veio antes de qual. 

Não sei se isso é um mecanismo mental para não me deixar doida, o certo é que determinados detalhes se embolam na minha cabeça.  Sei e tento me convencer de que não se trata de negligência ou falta de atenção da minha parte, talvez porque, ao final de cada episódio, o que eu sempre quero é ter o Davi inteiro e bem.  Tem horas, sim, que me dá vontade de chorar muito, principalmente quando ele faz xixi.  Me dá um desesepro e aquela clássica culpa pelo fato de ele ter nascido com hipospadia.  

Mas tudo poderia ser pior, bem pior, e é aí que eu olho para Deus e agradeço porque Ele me deu a carga que eu posso suportar.  Pelo menos até agora, porque a gente só descobre a força que tem quando está dentro do problema.

O que tenho a dizer é: ser mãe é assustador.  Mas é uma bênção e uma satisfação sem tamanho.






Quando o Papa Francisco nos brindou com um feriadão, resolvemos levar Davi, pela primeira vez, ao cinema.  O filme em questão seria "Meu Malvado Favorito 2".  Não, não assisti ao primeiro filme, então, não sabia do que se tratava, mas li o resumo e vi que era "livre" e achei que seria adequado para a sua idade.  Os primeiros dias do feriado foram regados a muito frio e chuva, e o sol resolveu aparecer apenas no último dia, uma segunda-feira, tirando todo mundo da toca (carioca detesta frio e chuva) e levando multidões aos shoppings e cinemas.

Chegamos no shopping e a fila para a sessão das 16h00, que seria a ideal, estava imensa.  Enquanto aguardávamos a vez de comprar os bilhetes... Davi dormiu. Voltamos para a casa e fim.

No fim de semana passado levamos Davi ao Anima Mundi, o festival de animação que aconteceu aqui no Rio de Janeiro e que já foi para São Paulo.  Abre parêntese: apesar de saber muito bem da importância do eixo Rio x São Paulo em termos de projeção nacional e questões econômicas e sociais, não entendo porque um festival como esse (e tantos outros) não contempla os demais Estados da Federação. Será que os patrocinadores, organizadores e que tais desconsideram que existem muito mais pessoas interessadas em cinema e animação FORA da Ponte Aérea?  Para mim isso é, no mínimo, um tremendo absurdo. Fecha parêntese.

Enfim, como eu não entendi direito a programação, já que constavam vários filmes infantis no Cine Odeon em vários horários, chegamos quase na hora em que eu achava que iria começar o filme que eu achei que iria começar.  Era o penúltimo dia do festival, o tempo estava virando e acabamos descobrindo que a única sessão adequada para a idade do Davi era a das 12h00, um horário bem estranho, não somente porque o festival aconteceu em 2 lugares distintos - Cine Odeon e Fundição Progresso, ambos no Centro -, o que significava várias salas disponíveis, como também... que horário esquisito, logo no meio do dia!!!  Enfim, partimos, então, para a Fundição Progresso, que fica de frente para os Arcos da Lapa.



As distâncias entre os lugares são bem curtas, então, fomos a pé, quer dizer, Davi estava com o pé doendo um pouco por causa de uma leve lesão que teve no dia anterior, na escola.  Então, um pouquinho de dor somado com uma montanha de dengo deixaram o guri mancando um pouco e abusando um muito da boa e santa vontade do pai.  Foi no colo.




Assim como no episódio do shopping, acima, eu geralmente subestimo algumas coisas, achando que é só chegar um pouco antes do horário, comprar a entrada e tudo está certo.  Não.  Chegamos na Fundição Progresso um pouco antes das 14h00 e havia uma sessão 30 minutos depois que era própria para o Davi, mas que já estava esgotada. Hum... então vamos ver quais são as outras alternativas até a hora da próxima sessão, às 16h00:  as oficinas. Uma sala de massinhas.  Entrada a partir dos 8 anos.  Sala de areia.  Entrada a partir dos 8 anos.  Sala de desenho para fazer um filminho.  Entrada a partir dos 8 anos. Então, o que restou? Ah, sim, a sala 2, onde havia a projeção de alguns curtas infantis que eram adequados à idade do Davi, porém....estava com a entrada esgotada.



Mas haveria a próxima sessão na sala 2.  Teríamos, porém, que entrar na fila de distribuição das senhas - já que a entrada era di grátis - que começaria em torno das 14h30  para a sessão de 15h30.  Acabamos decidindo, então, a assistir a um filme - acho que era o último para a idade do Davi - que iria começar às 16h00.  Nesse meio tempo, entramos numa sala onde estavam projetando curtas beeem curtos, sem limite de idades (se bem que, depois do curta que assistimos, começou um outro que eu não achei adequado para o Davi).

Aproveitamos, então, os momentos que antecederam o início da sessão que iríamos assisistir para dar uma olhada em volta da Fundição Progresso.  A minha máquina está, a cada dia, pedindo para se aposentar, então, as fotos não estão boas e, além disso, é aquele negócio: tirar fotos do/com o Davi é osso!

Chegou, então, o grande momento em que Davi iria debutar a 7ª Arte.  O filme em questão se chamava Zambézia, a história de uma águia adolescente que sai do seu ninho e vai conhecer a cidade que dá o nome ao filme, e que é conhecida como a cidade dos pássaros.

Silêncio. Celulares desligados, olhos bem abertos, ar condicionado bem frio.  Eis que começa o filme.  Tela grande, som stéreo.

Após vinte minutos de filme... Davi dormiu.



Fim.