Mostrando postagens com marcador Reflexões. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Reflexões. Mostrar todas as postagens

Davi, 7 anos!

Davi fez 7 anos ontem e, por questões logísticas, não tive a oportunidade de postar no mesmo dia.

Já tem 3 dentes novos, mas está com bruxismo e tem que usar uma prótese de silicone para dormir e diminuir o rangido.  Vai para o 2º ano do Ensino Fundamental e já sabe ler e escrever.  Está quase de alta da Fonoaudiologia, é bastante inteligente, educado, um pouco tímido e ainda gosta muito de interagir com outras crianças.  Fala.  Fala muito.  Fala um monte. Fala tanto que ele mesmo se auto intitulou uma "máquina de falatório".

É feliz.  É amado.  É cheirado. É tudibom.

Entrou também na fase de dizer "não", mas é um "não" meio mole, porque sabe que tem que obedecer aos seus pais.  Está naquela região de conhecer novos limites de obediência, mas, no geral, continua uma criança maravilhosa e isso não é elogio de mãe babona, é a realidade, porque nos esforçamos e nos dedicamos em oferecer a ele educação e formação com consciência de direitos e responsabilidades.  

Mas continua bagunceiro.  Joga tudo para todos os lados.  Dou bronca, digo que vou colher seus brinquedos e jogar no lixo.  Ele corre a arruma tudo.  Para começar tudo de novo.  Ainda acredita no Papai Noel, na Fada do Dente, no Coelhinho da Páscoa.

Há muito tempo, havia dito que queria muito conhecer o Pão de Açúcar.  Aí, aproveitando que estava de aniversário, o levamos ontem.

A primeira vez em que eu fui estava grávida de 8 meses do Davi, ou seja, havia 7 anos que não ia ao Pão de Açúcar.  Pode parecer estranho morar na cidade onde há alguns dos mais famosos pontos turísticos do mundo e não conhecê-los, mas é muito comum, já que o preço não é lá muito amigo.  Até concordo que a tarifa seja um pouco salgada, afinal, tudo que fica muito popular acaba virando bagunça.  Mas um outro motivo também é a facilidade.  Está ali, ao alcance de alguns quilômetros, então, a gente relaxa e deixa prá lá e o tempo vai passando e a gente não visita nada.

Enfim, dessa vez, sem o barrigão e o inchaço, consegui percorrer alguns pontos que não havia conhecido da primeira vez.  Não preciso dizer que Davi amou a surpresa, né.  Mas aquele sorriso forçado ainda permanece... aff..

















Foi um passeio maravilhoso e mesmo com o calor que já está fazendo - média de 35º -, aproveitamos bastante, pois lá em cima estava bem fresquinho e ventava gostoso.

Desejo a você, que por aqui passa, tudo e mais um pouco do que está escrito nessas plaquinhas.  Que 2017, apesar da crise que passa o nosso país e mundo, seja sempre de boas surpresas, bênçãos e realizações, pequenas e grandes.

Um beijo muito grande.


A era da inocência


Eu ainda estou por aqui, bem menos, pois o computador também não colabora, mas ainda insisto nesse meu espacinho.  Espero que, aos poucos, eu volte a um ritmo com o mínimo de decência.  Então, vamos às últimas...

Na última consulta odontológica, a médica indicou que havia uns 3 dentes moles na boca do Davi, que cairiam em pouco tempo. Muitos dos seus coleguinhas de escola, assim como outros amiguinhos de idade próxima, já estavam desdentados e ele, sofrendo a angústia da espera, perguntava o tempo todo quando seu dente iria cair também.  E aí esse dia chegou, e o primeiro dente que lhe nasceu foi o primeiro que caiu.  Tudo bem que foi meio que forçado, já que ele ficou fuçando o dente.  E qual não foi a sua alegria em ver o dentinho, o buraco na boca e a expectativa da visita tão esperada e badalada da... Fada do Dente!  E qual não foi o tamanho da alegria em encontrar a moedinha deixada embaixo do travesseiro...

Sim, Davi, do alto dos seus 6 anos, acredita em Fada do Dente, assim como em Papai Noel e no Coelho da Páscoa.  Sim, nós incentivamos essas crendices porque acreditamos que elas fazem parte do mundo lúdico da infância, até porque sabemos que vai chegar o dia em que ele irá constatar ou descobrir que nada disso existe.  Porém, eu e seu pai respeitamos esse momento, entramos na onda dele e surfamos nesse acontecimento tão especial.

Apesar das parcas lembranças que tenho, a Fada do Dente não existia na minha infância, até porque este personagem, assim como o Papai Noel, são tradições de outras culturas que se integraram à nossa.  Em relação ao Papai Noel, e apesar de fazer acreditar que ele existe, não sou favorável a associar presentes como recompensa a bom comportamento, por exemplo, porque presente deve ser algo desassociado à formação do caráter.  Davi faz sua lista, eu digo que vou falar com Papai Noel - ou ele mesmo fala -, e que ele vai ver o que pode trazer, porque existem muitas crianças para serem presenteadas e fim.

No caso da Fada do Dente, reconheço que a minha estratégia foi um pouco a de recompensa, sim, pois que ela só traz a moedinha de quem escova os dentes e se não encontrar dentes bons e sem cáries ela deixa para lá.  Escovação é questão de hábito, e esse deve ser incentivado desde cedo.   Sim, dá certo, porque se depender do moleque apenas, seus dentes ficam escovados de qualquer jeito.  Sim, eu ainda escovo os dentes do Davi.  O resultado?  Elogios rasgados da dentista. Sim.  E sim também.

Uma coisa que já postei há muito tempo por aqui é que eu tenho verdadeiro p-a-v-o-r de criança precoce.  Não vejo graça em absolutamente nada naquela criança que se comporta ou é forçada a ter um comportamento que está além da sua idade.  Apesar de estar vivendo a primeira infância do Davi, acredito que cada fase deva ser respeitada.  Não consigo entender quem admire uma criança que, por exemplo, começa a argumentar e contra-argumentar com o nariz empinado, como seu tivesse anos de experiência de vida.  E que fique claro que quando falo de criança precoce não significa aquela criança com inteligência acima da média, mas sim, a que tem um comportamento adulto e fora da sua idade.

Alguém poderá dizer que deixar que a criança acredite nessas fantasias é tratá-la com pouca inteligência ou mesmo idiotizá-la.  Num tempo de inocência roubada com a erotização infantil batendo na nossa cara a toda hora, deixar a criança acreditar que esses personagens existem é, a meu ver, respeitar sua infância e suas limitações e até mesmo um desafio a desconstrução de valores tradicionais.

O fato óbvio é que Davi - e todas as crianças, claro - irá viver mais tempo como adulto do que como criança, então, não vejo a menor vergonha em incentivar sua imaginação na idade apropriada.  Sim, vai ter quem diga que é tudo bobagem, mas... e daí?  Não me importo.  O que eu tento, de alguma forma, é deixar Davi ter uma infância o mais sadia possível, e isso passa por esses momentos de pura inocência e ingenuidade.  São eles que nos fazem ver o quanto a vida adulta é sem graça, o quanto a gente se importa com tantas coisas pequenas, já que a nossa inocência já se foi há tanto tempo.

Não sei se daqui a uns 4 ou 5 dentes ele irá continuar acreditando na Fada do Dente, porque imagino que algum amiguinho pode vir a contar a verdadeira verdade para ele.  Mesmo assim, espero que, até lá, o hábito da escovação já esteja mais fortalecido ainda. Por ora, o que nos resta é guardar algumas moedinhas para que, no momento oportuno, possamos alimentar sua crença.  E ainda bem que a Fada do Dente não desvalorizou a moeda...

Davi, 6 anos!



Você é assim

Um sonho prá mim
E quando eu não te vejo
Eu penso em você
Desde o amanhecer
Até quando eu me deito...

Eu gosto de você
E gosto de ficar com você
Meu riso é tão feliz contigo
O meu melhor amigo
É o meu amor...

E a gente canta
E a gente dança
E a gente não se cansa
De ser criança
A gente brinca
Na nossa velha infância...

Seus olhos meu clarão
Me guiam dentro da escuridão
Seus pés me abrem o caminho
Eu sigo e nunca me sinto só...


(Velha Infância - Tribalistas)


Ontem Davi completou 6 anos de idade.  Como o meu computador parou totalmente, faço o post agora.  

Como dito no post passado, irá para o 1º Ano Escolar.  Por esses dias, fomos à dentista, que apontou 3 dentes moles, e também à oftalmologista, que fez exame completo e nos disse que Davi está excelente, tendo que retornar somente daqui a 2 anos.

É meio chover no molhado, mas tudo passa muito rápido, pois que outro dia estávamos na correria com médicos, cirurgias, tratamentos, exames....em de repente, as coisas começam a se acalmar, a entrar numa normalidade que achei que não iria chegar.

Davi é uma bênção para a minha vida.   Ele me complementa em tudo, a fonte de minhas inspirações, a razão para eu continuar insistindo em algumas coisas boas.  Ele me deu um norte na vida.

Eu sei que não posso colocar expectativas sobre ele, mas tento fazer o normal de toda a mãe, e quero que ele tenha vida plena, saúde física, mental e emocional, que cresça e se torne um homem de bem.

É muito interessante ver a transformação daquele bebezinho num menino cheio de palavras e gestos, com raciocínio e conclusões que nos deixam de cara caída.  Talvez o espanto seja porque a gente, mãe, fica tentando prender o tempo para que ele passe o mais lento possível, na esperança de termos nossa criança um pouco mais conosco.  Mas o tempo... ele passa e nos ensina que ele não se prende a ninguém e que ninguém deve se prender a ele, mas vivê-lo com toda a intensidade.

Feliz aniversário, meu filho, e que Deus nos dê saúde para vê-lo crescido, firme e forte e preparado para a vida.

A Formatura

Formatura do Pré II. Um rito de passagem que, por mais simples que seja, deve ser marcado e festejado.

Eu não tive nada disso, na verdade, eu entrei na escola já direto para a antiga 1ª Série do antigo Primário.  Tinha 7 anos.  Antes disso, minha mãe, a muito custo, pagou uma explicadora que me iniciou nas primeiras letras.  Nas brumas da minha quase apagada memória de infância, meu primeiro livro didático tinha um menino que se chamava "Beto" e uma menina que não me lembro o nome.  Depois, veio O Sonho de Talita e depois os outros que já não marcaram tanto assim.


Estudei a vida inteira em escola pública, numa época em que ela era tão boa quanto uma escola particular. As professoras, no geral, eram da geração formada no tradicional e cobiçado Instituto de Educação.  Com a grande influência da Ditadura, havia uma forte disciplina nos comportamentos, tanto do professor quanto dos alunos, desde o uniforme até às matérias, como, por exemplo, "Educação, Moral e Cívica" e os "Estudos Sociais".



A escola, no geral, era boa. Meu "Primário (1ª a 4ª séries)" se deu na Escola Municipal Presidente José Linhares, mesma escola onde minha mãe trabalhou como merendeira por mais de 20 anos.  Esta escola fica na zona sul do Rio de Janeiro, ao pé do Morro do Cantagalo e, por esta razão, recebia muitos alunos carentes.  Sim, já naquela época havia crianças que só iam para a escola porque tinham na merenda e nos lanches a refeição do dia. Filhos de domésticas, porteiros, faxineiras, diaristas, alcoólatras, pais disfuncionais, a escola acolhia essa classe de crianças, muitas sem perspectivas futuras.  Mas a diretora era brava, uma verdadeira "sargentona" dos anos 50.


Daquelas turmas, pouquíssimos levaram os estudos adiante, muitos tragados pelas dificuldades da vida, pela falta de oportunidades.  Alguns se perderam nos vícios e na deliquência, perdendo, também, a vida.


Eu sou uma sobrevivente, pelo menos é assim que me sinto, porque não foi fácil.  Não me canso de repetir que Davi é um privilegiado.  Sim, com todas as nossas limitações financeiras, esse menino tem muito e mais do que seus pais tiveram na sua idade.  Não falo apenas de bens materiais ou de uma escola de boa qualidade: falo de família.  Eu tenho plena certeza de que Davi tem uma família que eu e seu pai gostaríamos de ter tido, pois com todos os defeitos, nos mantemos unidos, em amor, tentando dar a ele um equilíbrio emocional e afetivo que servirão para embasar sua auto-estima numa plataforma forte.


Dois dias antes da Formatura a turminha do Davi acampou na escola.  Nos dias que se antecederam, Davi estava muito inseguro, choramingando que não queria dormir fora de casa.  Fomos conversando e mostrando que seria muito bom ele passar por essa experiência de dividir a noite numa farra com seus coleguinhas de escola.  Quando retornamos à escola, à noite, e que ele viu as crianças, não deu outra, se despediu e se jogou.  E claro, eu não dormi direito.  Como nem a polícia, nem o bombeiro, nem qualquer pessoa da escola ligou durante a noite, concluí que haviam passado muito bem, mas fiquei um bagaço durante o dia seguinte inteiro.

A Cerimônia de Formatura foi a primeira ocasião em que eu chorei - e só de escrever dá vontade de chorar.  Não sei o motivo, mas fiquei muito emocionada.  Foi tudo muito simples, até porque a escola e a turma são pequenas.  Na verdade, foi um chororô enorme: todas as tias, pais, mães, parentes, enfim, acho que todo mundo chorou.  É um marco, uma passagem de tempo importante na vida de todo mundo.  Davi está nessa escola desde seus 5 meses e mês que vem completará 6 anos, ou seja, é praticamente a vida toda ali dentro.


Nosso desejo era colocá-lo numa escola maior, para que ele pudesse ir já se acostumando com tudo maior: escola, crianças, turma, enfim.  Mas as condições financeiras, somadas às incertezas dos dias atuais nos impediram neste momento.  Ficará para o próximo ano, quando ele for para o 2º Ano Escolar.

No mais, estou profundamente alegre e eternamente agradecida a Deus pela fidelidade Dele conosco, por nos dar livramentos e condições para criar o Davi.

No mais, que venha o 1º Ano!!!


* Poucas fotos porque filmamos mais que fotografamos.  E aí, as pilhas da câmera e a memória do celular acabaram!

Casa arrumada ou com vida?



Eu sempre tive um certo"tique nervoso" com arrumação.  Não gosto de coisas fora do lugar, o que também não faz com que eu seja aquele tipo de pessoa que vai etiquetando e classificando tudo pela frente.  Não, não tenho esse nível de disciplina, e às vezes, quando olho para as minhas gavetas de roupas, concluo que, de organizada eu não tenho muita coisa.  Mas eu não gosto de bagunça, gosto das coisas nos seus devidos lugares, mesmo que provisoriamente (!).

Cresci com o hábito, por exemplo, de arrumar o lugar onde durmo.  Como dormi muitos anos em sofá, então, eu não tinha lá muita escolha: ou arrumava, ou arrumava, já que sofá não é lugar de dormir e, sim, de se sentar, não só você, mas quem vai na sua casa.  Toalha de banho secando dentro do banheiro apenas não existe para mim, ela tem que ser estendida no secador, da mesma forma que peça íntima, que é lavada durante o banho, hábito adquirido desde muitíssimo cedo e que até o pai do Davi adotou, acredita?  E aquela cena de pia de cozinha com louça até o teto de um dia para o outro simplesmente não existe, pois nem que eu vá dormir com o galo cantando a pia fica cheia.  Panelas no fogão ou dentro da geladeira? Não, também nem pensar.  E o fogão?  Limpo. Sem mais.

Eu sofro um bocado com isso.  Houve épocas em que dispensava um sábado de sol inteirinho limpando a casa.  Sem tempo durante a semana, só me restava esse dia para atualizar a limpeza de tudo, dos móveis até os vidros.  Essa rotina durou praticamente todos os anos da minha adolescência, juventude e boa parte da vida adulta, muito porque eu realmente não consigo viver no meio da sujeira, mas também porque era uma espécie de fuga da vida.   A casa ficava brilhando, eu ficava exausta e tudo ficava sem graça.

Mas aí o Davi chegou - e eu acho que essa frase não é novidade por aqui -, e bagunçou tudo, literalmente.  

Ter que se dedicar à limpeza de uma casa e, ao mesmo tempo, à uma criança, numa rotina de trabalhar o dia inteiro fora de casa, a semana toda, não é das mais fáceis. E ainda tem o marido e eu mesma, afinal, eu que faço minhas unhas e meu cabelo.  Empregada doméstica?  Nem no meio delírio mais profundo. Tenho no máximo, uma senhora que me ajuda na passagem da roupa, a cada 15 dias, o que é, para mim, o meu maior luxo.  Então, o que me resta sou eu mesma e o marido que, tenho que reconhecer, é um "baita" marido, pois me ajuda em várias tarefas da casa, como limpar os banheiros, coisa que eu apenas detesto.

Aos poucos, porém, tenho aprendido não a jogar o lixo para debaixo do tapete, mas a dar menos importância a uma casa limpa e arrumadinha.  A cada dia que passa, meu filho me cobra mais atenção e muitas vezes eu me deparo com o fim de um sábado com os panos e vassoura nas mãos e Davi lá num canto, brincando sozinho ou vendo TV.  Não, isso não é justo, pois a infância dele é uma só, e eu não tenho o direito de privá-lo assim da minha presença.

Hoje, minha casa tem vida, tem uma criança que puxou a "baguncice" do pai, que espalha brinquedos por todos os lados.  Claro que eu o oriento a colher seus pertences e a guardá-los, afinal, esse é o meu papel e ele não vai ter mãe para ajudá-lo quando adulto.  Mas quando eu olho ao meu redor e vejo um carrinho embaixo da mesa ou um boneco num canto da sala eu já não me aborreço tanto, porque eu sei que daqui a alguns anos eles não estarão mais nesses lugares, que talvez estarão limpíssimos.  

Eu passo o dedo sobre algum móvel e vem aquele montinho de poeira e, aí, eu assopro e ela se dissolve no ar para voltar ao seu lugar de origem. É difícil para mim, porque a reação imediata é pegar um pano e começar a limpar até que t.u.d.o. esteja brilhando, e até que eu fique exausta, e até que um dia inteirinho de sol se acabe, enquanto o Davi fica num canto sozinho.  Não, não dá, pelo menos enquanto eu ainda trabalho em horário integral.  E aí, eu tenho que rever, quase sempre, as minhas prioridades, e Davi é, sempre, prioridade.  Então, às vezes o negócio é ignorar, fazer de conta que não estou vendo a poeirinha e tocar o dia, ensolarado ou não.

Claro que as panelas não irão dormir no fogão ou na geladeira; as toalhas continuarão secando fora do banheiro e as peças íntimas, a serem lavadas durante o banho, afinal, essas coisas acabam se tornando uma rotina da casa, além de serem uma ótima iniciativa higiênica.

O texto do Drummond, abaixo, é uma daquelas belas aulas de vida, e é o que eu tento aplicar enquanto ainda tenho oportunidade.

E o resto?  Ah, a gente empurra para debaixo do tapete rsrsrs...

Casa arrumada é assim:
Um lugar organizado, limpo, com espaço livre pra circulação e uma boa
entrada de luz.

Mas casa, pra mim, tem que ser casa e não um centro cirúrgico, um
cenário de novela.

Tem gente que gasta muito tempo limpando, esterilizando, ajeitando os
móveis, afofando as almofadas...

Não, eu prefiro viver numa casa onde eu bato o olho e percebo logo:
Aqui tem vida...

Casa com vida, pra mim, é aquela em que os livros saem das prateleiras
e os enfeites brincam de trocar de lugar.

Casa com vida tem fogão gasto pelo uso, pelo abuso das refeições
fartas, que chamam todo mundo pra mesa da cozinha.

Sofá sem mancha?

Tapete sem fio puxado?

Mesa sem marca de copo?

Tá na cara que é casa sem festa.

E se o piso não tem arranhão, é porque ali ninguém dança.

Casa com vida, pra mim, tem banheiro com vapor perfumado no meio da tarde.

Tem gaveta de entulho, daquelas que a gente guarda barbante,
passaporte e vela de aniversário, tudo junto...

Casa com vida é aquela em que a gente entra e se sente bem-vinda.
A que está sempre pronta pros amigos, filhos...

Netos, pros vizinhos...

E nos quartos, se possível, tem lençóis revirados por gente que brinca
ou namora a qualquer hora do dia.

Casa com vida é aquela que a gente arruma pra ficar com a cara da gente.
Arrume a sua casa todos os dias...

Mas arrume de um jeito que lhe sobre tempo pra viver nela...

E reconhecer nela o seu lugar.
Casa Arrumada, Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)

Sobre chegadas e partidas

 

Se dependesse de muitas mães, como euzinha aqui, os filhos nunca sofreriam, nunca teriam decepções, desapontamentos, tristezas, essas crueldades que a vida implacavelmente apronta no nosso caminho.  Os filhos seriam felizes para sempre, mais até que os casais recém-casados.  Uma dor física aqui, outra ali, mas nada que nenhuma dipirona não resolvesse.  O mundo seria, então, perfeito.  Crianças felizes fazem mães felizes. Fim.

Mas o nosso planejamento de felicidade eterna se acaba muitas vezes, pois a gente sabe que a tal da vida não é boazinha, e fazer uma criança entender isso, na prática, é muito doloroso, principalmente para uma mãe tão grudada no filho como eu. Se Davi sofre, eu quase morro.  Se ele está alegre, em fico inchada de felicidade. 

Um dos momentos tristes que temos vivido é a separação de seus amiguinhos da escola, o que tem cortado meu coração em vários pedacinhos.

Na mudança de ano, muitas crianças, por razões variadas, foram para outras escolas.  Pais insatisfeitos com a escola, mudança de residência ou mesmo vontade da própria criança fizeram com que alguns amiguinhos de berço do Davi não estejam mais com ele na turma deste ano.  Nicholas, por exemplo, decidiu por si mesmo que queria estudar numa escola maior.  Sua mudança foi um baque forte no Davi, porém, como ele mora perto, os dois já passaram uma tarde juntos para matar a saudade.  Ainda assim, o convívio de uma vida inteira (5 longos anos!) ainda faz falta, já que eles entraram na escola praticamente na mesma idade e cresceram juntos desde o berçário.

Quando eu soube dessas mudanças, no final do ano passado, fiquei bastante chateada porque sabia que Davi era muito ligado a alguns coleguinhas em especial.  Eu vi que ele sofria, mesmo que não chorasse ou ficasse amuado.  Mas eu sentia que ele estava entristecido.  O ano começou e alguns amiguinhos continuaram na mesma turma e as coisas se normalizaram.  Até que, outro dia, Davi me informa que um outro amiguinho iria deixar a escola para se mudar para outro bairro.

E agora? Como encarar, novamente, uma partida, uma despedida, uma ausência de convivência com alguém que lhe é especial?  Perguntei à professora, e ela havia confirmado dizendo que Davi havia chorado muito com a notícia, assim como ela. Estavam todos tristes.  E eu fiquei bem chateada.

Eu fui uma criança sozinha e como morei em vários lugares não tenho memória de nada de antes dos 6 anos de idade.  Não me lembro de ter tido nenhuma amiguinha de infância, alguém que me tenha sido muito especial, já que meus laços afetivos sempre foram frágeis.  Depois de tantos anos, consegui perceber que o meu comportamento meio superficial nas relações se dá muito por isso, por não ter tido uma relação afetiva permanente com ninguém.  Eu morava em algum lugar, de repente minha mãe aparecia e me colocava para morar em outro lugar, então, se havia algum laço afetivo sendo formado, ele era rompido bruscamente. O que me vem à memória é alguma criança aqui, outra ali, mas ninguém em especial, com nome ou rosto.

Por outro lado, dada a carência de afetividade, em grudava em qualquer pessoa, qualquer criança que me desse alguma migalha de atenção e carinho.  E quando, por algum motivo, acontecia uma separação, eu sentia um golpe quase mortal  na minha alma.  Isso perdurou por muitos anos, até que aprendi a lidar com essa carência e a valorizar principalmente a mim mesma, não deixando que alguns abusos sentimentais me tomassem de assalto.

Mas as feridas da alma estão lá, e vira e mexe são tocadas de alguma forma, trazendo um pouco da tristeza da partida, do rompimento brusco de uma  relação afetiva.  Quando soube que mais um amiguinho do Davi se ia, a dor da separação foi muito grande, talvez mais em mim do que nele, ainda uma tabula rasa nas "sofrências" da vida. 

É claro que esse não é o pior dos mundos, afinal, as fatalidades estão aí nos espreitando.  Mesmo assim, enfrentar o desafio de não ter mais um ente querido por perto, apesar de fazer parte da estrada da vida, é algo inevitável e com o qual ele vai ter que lidar, até porque ele mesmo vai, um dia, se mudar, seja da escola ou do bairro, e vai ter outro desafio, que é fazer novos amigos, formando laços afetivos, que ora serão frágeis e momentâneos, ora firmes e duradouros.

Bom seria se todos que se gostam pudessem viver juntos e dividir as experiências das descobertas que a vida tem guardado para si.  Mas a gente que já está na estrada da vida sabe que ela, a vida, nem sempre é boazinha assim e as chegadas e partidas fazem parte do processo v-i-v-e-r. A tristeza de Davi em se despedir de amigos é uma das primeiras experiências que ele inevitavelmente irá experimentar, mas é certo que a alegria de fazer novos amigos também virá.

Ele vai ter que aprender a lidar com seu sofrimento, e eu, com o sofrimento dele.  E esse é um dos meus grandes desafios, porque a dor é dobrada.

A diversidade e o esmalte vermelho

E daí que um dia Davi quis pintar as unhas de vermelho.  Eu perguntei o motivo, ele disse que gostava de vermelho.  Então, vou fazer o que?  Um escândalo? Não.  Nessas horas, quando curiosidades desse tipo nos atingem como um ovo na testa, temos que ter sabedoria para analisar a situação e resolvê-la da maneira mais equilibrada possível.
 
Peguei a caixa de esmaltes e pintei suas unhas.  Ele olhou, olhou e comentou: "acho que meus coleguinhas da escola não vão gostar".  Então, disse a ele que quem pinta as unhas com esmaltes vermelho (ou rosa, azul, etc) são meninas; meninos não pintam as unhas.  Eu não disse que meninos não podem pintar as unhas,  disse que meninos não pintam. Simples assim.  E daí que quando ele foi mostrar ao pai.... o pai do Davi deu um triplo twist carpado e mais três cambalhotas no ar e começou a gritar dizendo que meninos NÃO PINTAM AS UNHAAAS!!!
 
O homem ficou enlouquecido.  Eu fiquei furiosa porque ele começou a gritar com o Davi - e eu não admito que ninguém, além de mim, grite com o Davi, mesmo sendo o seu pai.  O tempo fechou.  O menino, acuado e com os dedinhos abertos com aqueles pontinhos vermelhos, ficou entre o pânico e o choro assistindo àquela cena patética.
 
Me acalmei, o pai se acalmou e começou a explicar que meninos não pintam as unhas.  "Veja, o papai não está com as unhas pintadas, porque meninos não pintam as unhas", disse, já quase chorando de arrependimento por ter feito aquele pequeno escândalo.
 
Expliquei ao pai do Davi que em determinadas situações, a gente tem que analisar qual o limite em que pode atender a curiosidade da criança.  Algumas vezes, a criança tem uma curiosidade simples e cabe a nós vermos o quanto de informação é suficiente para satisfazê-la.  Claro que para mim foi uma surpresa o fato de Davi querer pintar as unhas, depois de tanto tempo me vendo fazê-las, porém, não poderia transformar isso num circo em chamas.
 
Vamos ser honestos: claro, também, que esse tipo de comportamento, assim, de repente, desperta em nós a atenção em verificar qual a possível orientação sexual da criança, já que elas estão despertando sexualmente cada vez mais cedo.  Não podemos fugir desse nova realidade, até porque, nos dias de hoje, a questão tem sido tratada da maneira mais ampla possível, já que a nossa sociedade tem aberto espaço para a diversidade de escolha das pessoas.
 
O modelo antigo, de não se debater a questão, de fingir que ela não existe ou de condenar alguém que tem uma orientação sexual diferente da qual nasceu já não cabe mais nos dias de hoje.  Eu acredito que é função dos pais mostrarem o mundo do jeito que ele é, mas de maneira equilibrada, sem forçar a barra para um lado ou para o outro. Não é fácil, mas não cabe mais criar o filho homem para ser o macho-alfa-pegador, da mesma forma que criar a menina para ser uma florzinha indefesa e dependente.  Por outro lado, temos que estar abertos para aceitar e respeitar a opção que a nossa criança fizer no futuro - ou mesmo no presente.  
 
Mas não se engane, eu não sou tão mente aberta assim, porque eu não sei se estou tão preparada para encarar o diferente.  O que eu tento é encontrar um equilíbrio para a aceitação de uma eventual possibilidade.  O que eu espero de mim é sabedoria suficiente para não me tornar um fardo na vida do meu filho por conta daquilo que eu creio que seja o correto ou normal.
 
De uma coisa eu sei: o Davi nunca mais irá pintar as unhas de vermelho!
 
 

Ainda não fomos à consulta com a endocrinologista indicada pelo Dr. Martinelli.  Tenho curiosidade para saber qual será a sua contribuição para que o xixi do Davi não volte a ficar fino, pois o canal da uretra estreitou novamente.
 

Sobre o aborto

Existe uma campanha no Facebook em que amigas desafiam outras amigas a postarem foto de sua gravidez, em declaração à vida e à negação ao aborto.

Fui também desafiada.  Pensei um pouco e decidi postar minha foto - talvez a melhorzinha que tenho - com a gestação do Davi.  Eu estava com quase 8 meses e já com essa barrigona.


Pois bem, segue, então, o texto que coloquei na minha página do Facebook e que repito aqui.
Spoiler: T E X T Ã O!
Resolvi aceitar o desafio lançado pela amiga Patrícia Bandeira e, eis aí, eu, TOTALMENTE grávida (cabelo, pernas, braços, mãos e... barrigaS). Feia, gorda, inchada, cabelo duro mas muito, muito feliz.

A respeito do aborto...

Penso nas mulheres que lutam e pagam caro por tratamentos de fertilização e não conseguem engravidar.

Penso nas mulheres que engravidam e não conseguem levar a gravidez a termo, e sofrem abortos espontâneos ininterruptos.

Penso nas mulheres que estão, neste momento, ao lado de seus bebês prematuros, respirando UTI 24 horas das suas vidas, na esperança de saírem dali com sua criança, de preferência sem nenhuma sequela.

Penso nas mulheres que querem muito ter um bebê, mas seu companheiro não concorda.

Penso nas mulheres estéreis. E também naquelas que tiveram que retirar o útero antes de se tornarem mães. Ou mesmo depois.

Respeito o direito de a mulher decidir o que quer fazer com seu corpo, porém, não posso tratar como vítima a mulher que não toma para si a responsabilidade do risco de engravidar e recorre ao aborto para resolver esse “problema”. Às vezes 3, 4, 5 vezes. Às vezes com 6, 7, 8 meses de gestação.

Há muito mais arrependimento em se fazer um aborto do que em se ter um filho. Isso é fato. Portanto, sou contra o aborto da maneira irresponsável e banal como ele tem sido feito e tratado. As exceções existem, mas na maioria das vezes elas não são resolvidas nos açougues clandestinos.

Ah, sim, a respeito do fato de que o homem também aborta ao não reconhecer o filho... meu pai também me abortou e minha mãe tinha grandes argumentos para me abortar. Mas ela escolheu me dar a chance de viver.

Sou livre para opinar, e você também. Portanto, fique à vontade para me julgar.

Viver no Rio de Janeiro


Fonte
Eu não sou muito de postar notícias ou assuntos desagradáveis por aqui.  Não que eu seja aquele tipo de pessoa que nega a realidade, mas eu acho que, com tantas coisas ruins que nos acontecem no dia a dia, além da quantidade de fontes que jorram notas sobre tragédias e violência mundo afora, não seria este blog mais um difusor de mensagens negativas.

Infelizmente, porém, tem horas que a gente meio que cansa de viver numa cidade tão linda como o Rio de Janeiro que é, ao mesmo tempo, uma dessas fontes que jorram acontecimentos e notícias sobre a violência urbana.   E eu usei o verbo "viver", ao invés de "morar" porque a sensação de ser mais um próximo alvo de bala perdida é constante.

O Rio de Janeiro é um Estado e uma Cidade singulares.  Não sei se existe outro lugar tão cantado quanto este aqui.  Conhecido internacionalmente, é a Cidade Maravilhosa, de encantos mil e isso realmente não há como se negar.  Nós, os "cariocas", temos fama de tudo: amigos, superficiais, legais, vagabundos, festivos, pornográficos, cordiais, mentirosos, "malandros", hospedeiros, enfim, um caldeirão de características boas e ruins que talvez seja a essência da própria cidade.

É muito bom morar no Rio de Janeiro.  Temos a natureza ao alcance das mãos, com praia e montanha ao nosso redor.  Sendo um lugar turístico, sempre há um cantinho a ser descoberto, uma floresta, uma praia, uma cidadezinha no interior.  Os maiores e mais importantes eventos mundiais acontecem por aqui: Copa do Mundo, Olimpíada, chegada do Papa Francisco, shows de artistas internacionais.  Aqui, tudo é grande: do maior carnaval da Terra, ao (ex) maior estádio de futebol do mundo, maior nível de temperatura no verão, passando pelo preço dos serviços, também maior que a maioria dos lugares.

Mas nos últimos tempos as coisas estão meio que desandadas.  Nada que seja novo por aqui, pois vivemos com a violência batendo à porta diariamente.  Porém, quando a maternidade chega, parece que alguns acontecimentos tomam uma outra dimensão.

Em apenas 1 fim de semana, tivemos o caso de 2 crianças atingidas por balas perdidas.  Bala perdida é uma expressão que não faz muito sentido, afinal, o projétil não sai da arma sozinho.  Seja por uma troca de tiros entre traficantes e policiais, ou durante um assalto ou até mesmo, um tiro para o alto - que foi o caso da menina Larissa -, não existe bala que seja perdida, pelo contrário, ela tem um destino que muitas vezes, infelizmente, é algum inocente.  Já tivemos o caso do menino João Hélio, arrastado pelo carro no momento em que seus pais foram assaltados.  Um caso horrível, que entrou para a história da cidade e do país e que até hoje ainda choca muita gente.  Além dele, outros vários casos de... bala perdida que atingiu crianças, matando algumas.

O problema desse tipo de violência é que a tal bala perdida é invisível e isso é provado pelo fato de pessoas serem atingidas fora de alguma zona de conflito.  No caso da Larissa, ela e seus familiares estavam em local onde não havia nenhuma manifestação de violência, troca de tiros, assaltos, nada.  Apenas um infeliz que decidiu pegar sua arma, apontar para cima e atirar, ato que deve ter-lhe trazido um prazer imensurável, afinal, como dizia a música, "você com revólver na mão é um bicho feroz."

Na última sexta-feira, tivemos mais um caso de bala perdida, dessa vez no Parque Madureira, lugar frequentemente visitado por nós.  Um rapaz, que estava assistindo ao Campeonato Mundial de Skate, foi atingido no queixo e no joelho por um projétil que veio sei lá de onde.  Felizmente, não lhe aconteceu nada de mais grave, porém, o susto fica.

E assim também, outros casos de bala perdida se repetem pela cidade, alguns fatais.  É claro que tudo isso é uma mistura do descaso dos governos que vem de décadas, em que a presença de bandidos foi se dando cada vez mais no meio onde vivemos, além, também, de uma falta de planejamento da área de segurança e envolvimento de policiais com o crime.  Isso não vem de agora, e o que me preocupa é ter que conviver com essa situação, como se normal fosse, como se morássemos numa zona de guerra (o que, de certa forma, é verdade).

Se como cidadã eu já fico preocupada, como mãe eu tento não entrar numa neura, porém, por casos assim, já reduzimos, e muito, a vida social noturna.  Quando existe alguma situação em que temos que sair à noite, um certo desespero paira sobre mim.  Seja para ir a alguma festa ou mesmo para levar o Davi ao hospital, sair à noite não me é tranquilo.  

A sensação de impotência é grande e temos apenas que contar com a misericórdia de Deus, mas estamos à mercê de algumas fatalidades.  Os últimos casos de bala perdida que mataram essas duas crianças mexeram muito comigo, porque não há critério para ser atingido por um projétil.  É a qualquer hora, em qualquer lugar, o que nos torna um alvo em potencial.

Minhas orações são que Deus nos permita viver o suficiente para vermos Davi crescer e se tornar um adulto saudável, uma pessoa de bem, educada, responsável, bem orientado para enfrentar as dificuldades que a vida nos traz e isso, às vezes, parece como pedir um milagre diário, quando se vive numa cidade como esta aqui.  Não que não haja violência em cidades pequenas, mas, como disse, a sensação de ser um alvo em potencial é algo bem alarmante.

Tenho muita vontade de me mudar para um lugar menor, com menos barulho, menos pessoas, menos agitação, menos fama, menos tumulto.  Morar no Rio de Janeiro é maravilhoso, mas viver aqui é para os fortes.



Na última semana levamos Davi à consulta pediátrica.  Está com peso e altura adequados para a idade e foi-lhe indicado apenas um remédio para vermes.  Ainda precisa fazer dilatações do canal da uretra, e já marcamos uma endocrinologista e um urologista pediátricos, para verificar o calibre do seu piu-piu.  Ou seja, este anos teremos ainda bastante mais de trabalho com sua hipospadia, mas graças a Deus que tudo tem dado certo.

O samba de um filho só

Fonte

Nos tempos idos em que a mulher não controlava sua prole, ser filho único era visto até como um esquisitice, talvez um sinal de infertilidade do casal, já que a quantidade servia como termômetro de saúde.  Com o desconhecimento de algumas doenças que impediam ou dificultavam a gravidez como, por exemplo, a endometriose, a ausência de filhos era sinal de uma família incompleta e infeliz.  Portanto, quanto mais filhos, mais orgulho para o pai e mais trabalho para a mãe, pois que o pai muitas vezes não tomava partido dos cuidados das crianças.

Os tempos mudaram e com a chegada dos contraceptivos ficou mais fácil escolher não somente quando mas também quantos filhos colocar no mundo.  Com a modernização da estrutura familiar, em que a mulher passou a dividir as despesas da casa junto com o marido não tendo, portanto, disponibilidade para o lar em horário integral, aí é que a situação se tornou quase irreversível.

Acredito que uma das razões para a escolha de se ter apenas 1 filho seja, por exemplo, o fato de a mulher querer alcançar uma estabilidade profissional e financeira de forma que não se torne tão dependente do seu parceiro. Em outros casos, é a produção independente, em que muitas mulheres que já chegaram nesse patamar da vida sentem falta é apenas uma criança para chamar de sua, sem a necessidade de se formar uma família tradicional do tipo pai e mãe.   Mas claro que existem outras razões para se optar em ter apenas um filho mas isso, ao meu ver, tem gerado um "pequeno-probleminha- meio óbvio": estamos gerando filhos sem irmãos.

A turma da escola do Davi é composta de 16 crianças, sendo que grande parte é de filhas únicas.  Estou falando de crianças na faixa de 4 a 5 anos, ou seja, filhos nascidos há um tempo razoável para se encomendar outra criança, na média que se vê por aí, claro, sem contar os "temporões" ou "raspas de panela".  Muitas delas, possuem vários primos que moram perto, o que facilita a interação nessa fases da infância.  Davi também tem primos próximos à sua idade, porém, moram longe e, portanto, essa convivência não é como eu gostaria que fosse.  Existem os coleguinhas do prédio, mas talvez por morarmos num... prédio, cada um vive no seu quadrado e os encontros se dão geralmente em festinhas de aniversário ou no play. 

Me dói o coração ver o guri brincar sozinho.  De uns tempos para cá, vem me pedindo um "ismãozinho", pois tem manifestado essa carência de ter outra criança para brincar e conviver.  Por outro lado, a tentação em ter mais um filho tem me visitado constantemente, porém, eu paro, respiro e reflito não no fato de que se vai valer a pena, pois eu acho que vai, mas se a minha rotina irá permitir, o que eu acho que não vai.  Pelo menos por enquanto.

Em relação a ter mais uma criança, claro que pensamos nos custos com escola, alimentação, saúde, pois não acredito muito naquela máxima que diz "onde come um comem dois".  Pode até ser que, para quem tem alguma folga no orçamento, esse dizer se encaixe bem, mas quando se quer algo um pouco acima da média, então, muita gente tem refletido a respeito.  As coisas se ajustam, claro, e, sinceramente, eu me disporia a passar por todos os "perrengues" próprios dos primeiros anos de vida de uma criança, mesmo depois de passados 5 anos do Davi.  Mas tem também a minha idade, pois apesar de não parecer, eu tenho 45 anos e existe, sim, aquele medinho de gerar filhos com óvulos velhos.

Por outro lado, quantidade também não é garantia de família feliz, pois há filhos únicos que crescem e se multiplicam e prolongam a nossa herediariedade em lugar de irmãos que vivem às turras por toda a vida.  A questão também é que, como disse acima, estamos gerando crianças que não terão sobrinhos nem irmãos, nem cunhados por parte dos irmãos e eu fico imaginando como serão as famílias futuras, apesar das combinações atuais.  
 
O pai do Davi tem 5 irmãos, o que me trouxe 5 cunhados, além de 8 sobrinhos.  Da minha parte, ele não tem cunhados, nem sobrinhos, apenas a sogra.  Minha família, portanto, além de ter o núcleo central é que o Davi e meu marido, se resume a pessoas que não são meus parentes diretos.  Claro que eu tenho primos e tios e tias, mas a relação com a parte materna da família sempre foi distante, o que faz com que eu considere - e seja considerada - mais família a parte do meu marido.  Sim, eles me adotaram, temos um relacionamento maravilhoso, mas, e se o Paulo Sérgio também não tivesse irmãos?  

Eu sei que a humanidade não irá se extinguir se todo o problema for esse, mas talvez por ter sido filha única eu venha a valorizar a presença de irmãos na família.  Não tive a "vantagem" de não precisar dividir as coisas, pelo contrário, isso me fez falta e acredito que os filhos dessa geração sem irmãos vão sentir falta de irmãos para brincar, brigar e dividir os pertences e os pais.

Eu costumo brincar dizendo que eu passo o mês inteiro querendo ter mais um filho, até que o boleto da escola chega e aí eu mudo de ideia.  Mas, no fundo, não tão fundo assim, eu gostaria muito de ter outro filho.  Enquanto isso, o tempo passa e voa, e aí eu fico só tocando samba de um filho só.  Mas vai que no futuro o Davi seja mais um filho único famoso, igual às celebridades da imagem deste post?  Heim, heim, heim???
 


O tempo tem passado muito rápido e meu tempo tem sido muito escasso.  Tenho me esforçado para manter o blog atualizado, mas às vezes sou engolida pela corrida do dia a dia, pois a terça-feira se transforma em quinta-feira e depois no mês seguinte.  Desculpe-me, você, que ainda passa por aqui.  Saiba que eu ainda não desistir (rsrsrs).
 
É tanta coisa na minha cabeça, tantas ideias, tantos projetos e tão pouco tempo....e o Natal já está batendo à porta!!!


Rainha do lar




Tenho passado uns dias das férias em casa e, como já é de costume, há sempre coisas a se resolver: uma pintura, uma organização, uma limpeza.  Não adianta, é coisa minha, que se intensifica mais por conta do tempo disponível de poder me dedicar à casa.

Pintei as portas - a gerência de pinturas é minha, sempre - tenho aguardado o tempo ficar um pouco mais simpático, sem tanto sol nem tanto vento para poder pintar as grades das varandas, coisa que está pendente desde que nos mudamos.

Nesta semana, comecei a colocar o Davi no ritmo de acordar menos tarde e levá-lo à escola, já que na última semana ficamos à disposição de passeios e visitas a amigos.  Então, tenho feito uma rotina bem comum às donas de casa que não trabalham fora: pela manhã, levo o guri para a escola, volto para a casa e para os afazeres domésticos.  No fim do dia, busco o moleque, dou-lhe banho e lanche e passo um tempinho com ele até a hora do sono.

Tenho gostado dessa vidinha, principalmente pelo fato de saber que se as finanças apertarem, ao retornar ao trabalho iremos - eu e marido, claro - resolver as contas, como fazemos todos os meses. Não sei, nunca vivi esse tipo de rotina na minha vida, só nesses momentos de férias, mas imagino que dia a dia da mulher dona de casa não seja esse arco-íris todo.  O trabalho doméstico, como se sabe, só aparece quando é deixado de ser feito, e nunca acaba.  Tenho muito respeito àquelas mulheres que administram suas casas e famílias, muitas vezes com o orçamento apertado, com filhos problemáticos, com maridos-dor-de-cabeça.

Tenho invejinha, sim, daquelas outras que podem, - p-o-d-e-m abrir mão de sua profissão e se dedicar exclusivamente ao lar. Digo p-o-d-e-m porque na minha cabeça não funciona muito bem deixar de trabalhar por puro capricho e viver contando os centavos e dependendo do companheiro para comprar pão.  Mas isso é na minha cabeça.  Conheço mulheres que têm encontrado dificuldades em se recolocar no mercado de trabalho, porém, ajudam em casa fazendo artesanato, costura, comida, enfim, colaboram de alguma forma não somente para folgar as contas mas também para preencherem o tempo.

Em outras épocas, como se sabe, a mulher era criada para ser a rainha do lar e, para isso, se dedicava a aprender todas as tarefas domésticas, além dos dotes artesanais passados pelas mães, tias e avós, como crochê, tricô, patchwork.  Era quase uma sina, um destino sem muita escolha ou escapatória. Cuidar dos filhos, da casa, do cachorro, do marido e também manter-se impecável era a tarefa de muitas mocinhas de outrora.  Nem todas gostavam, mas aceitavam com resignação esse papel, que muitas vezes era pura crueldade.

Os tempos mudaram, a mulher queimou o soutiã e abraçou o mundo e, com isso, mais uma vez, teve que administrar o tempo, dividido entre o trabalho, a casa, a família e a vida.  Deixou para trás muitos dos antigos dotes domésticos, compra comida pronta, tem vários utensílios que lhes facilitam a vida, é mais independente, mais confiante e ligada nas tecnologias, porém, eu creio que, num cantinho do coração de muitas delas, ainda bate o anseio de ser, mesmo que seja durante as férias, um pouco rainhas do lar.



Tenho feito algumas costurices e assim que estiverem prontas, irei postá-las.  Ah, como é bom fazer artesanato.....

Reflexões sobre uma mensagem perdida



"Outro dia, ao faxinar a caixa de mensagens, encontrei um e-mail da época em que trabalhava no Recreio, há mais de 10 anos.  Um lugar em que, teoricamente, deveria ser de luz, mas era de trevas, das mais pesadas.  A mensagem, também denominada de “famoso e-mail”, me fez retornar àquele momento tão medonho da minha vida, em que testemunhava e sofria com alguns abusos e absurdos impensáveis para onde aconteciam.  A mensagem não é minha, mas sou citada no seu contexto, porém, ela foi o estopim de acontecimentos que, ao final, se transformaram em libertação, para mim e para seu autor.


Me lembrei de antigos amigos, pessoas que comigo passaram por aquelas situações, em que o mais difícil era ficar calado assistindo a tantos malfeitos, pois qualquer tentativa de denunciá-los seria interpretada como rebeldia, no mínimo, além do que seríamos tratados como mentirosos.  Mas é aquele negócio meio clichê: a verdade, por mais que tarde, se revela, pois é infinitamente mais forte que a mentira.  E quando, enfim, tudo veio à luz, eu já respirava o ar da liberdade.

A mensagem é o instantâneo de um momento em que eu perdi a minha inocência, mas também serve para me mostrar o quanto Deus tem sido misericordioso comigo desde então e sempre, o quanto de livramento eu tive em Suas Mãos, o quanto Ele vem me abençoando maravilhosamente, com bênçãos celestiais (porque o bem material eu alcanço com trabalho), dentre elas, a chegada do Davi na minha vida.

Quero guardar essa mensagem por quanto tempo puder, não para relembrar os momentos de trevas, mas para ver como Deus teve (e ainda tem) misericórdia de mim.  É como uma cicatriz, que apesar de não doer, serve como memória de um livramento maior.

Deus cura.  Deus salva.  Deus liberta. Nem sempre no tempo ou do modo  que a gente quer ou acha que precisa.  Mas Ele age, no momento Dele.  Ele me conhece o coração e sabe até onde vai o meu limite e eu, por tão limitada que sou, só sei o quanto suporto depois que saio da tormenta.  A sombra da Cruz me resguarda.

Não preciso de “oração forte”, nem de correntes ou palavras proféticas ou de declarações de vitória, a Graça de Deus já me basta, é dela que eu vivo, sem eu merecer absolutamente nada. O amor Dele me constrange e me faz ver o tamanho da minha insignificância.  Ainda assim, Ele me chama pelo meu nome.

Isso não é mais uma mensagem de autoajuda gospel, é apenas uma mera reflexão. Espero que sirva para alguma coisa."

Esta mensagem foi adaptada e postada primeiramente em minha página no Facebook.